Expectativa zero de pousar num aeroporto moderno, pois na minha cabeça ainda sobrevivia o caos que era o terminal de passageiros de antes da licitação de 2012. Em quatorze anos, muita coisa aconteceu, inclusive brotou um dos mais modernos aeroportos de Terra Brasilis.
Esqueça cidades como Nova York, Los Angeles ou Orlando. Quem já teve a oportunidade de pousar num aeroporto americano de qualquer cidade média, vai entender o porquê da foto. Quando você pousa, sempre a região em torno da pista e dos terminais é ocupada por imensos galpões lotados de carretas e containers. As ruas, bem cuidadas, têm pouca circulação. E, nos terminais de passageiros, existe movimento, mas nada que seja um mar de pessoas. Pousando em Viracopos, me senti nos Isteites.
Vou confessar que fiquei encantado com o aeroporto. Mas o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim me perguntou na mesma hora: Como Congonhas e Guarulhos podem ser um inferno e Viracopos não conseguir roubar uma parte do movimento? Devia ser a ideia na época da licitação. O governo colocou no projeto, e achou quem comprasse os planos, que o movimento de passageiros, em 2042, seria de 90 milhões de pessoas por ano.
Guarulhos, o maior do Brasil e que é relativamente perto de SP, hoje tem um público anual de 43 milhões. Congonhas, no miolo da cidade, 24 milhões, duas vezes Viracopos. Acho que alguém foi otimista demais ao projetar os números. E um outro alguém foi inocente em aceitá-los. Na verdade, o trem-bala da Dilma era uma das estratégias pra levar passageiros pra Campinas. Não saiu do papel e, com isso, o aeroporto continuou longe de SP. Resultado? A proposta de devolução da concessão e uma recuperação judicial.
Adorei a experiência e vou usar Viracopos mais vezes. Como diz o ditado, de grão em grão, a galinha enche o papo...

As Bets foram proibidas, assim, de um dia para o outro. E como é que fica o meu vício? Onde vou perder meu dinheiro? Será que as pessoas só pensam no início de outubro? Pode não ter nada a ver, mas é tudo o que passa na minha cabeça, depois de anos vendo notícias e notícias de que a população está se endividando e nada sendo feito.
Não jogo nas Bets. Acho muito perrengue pra tentar ganhar um dinheirinho. Prefiro levantar as mangas e ir trabalhar. Não que quem jogue também não trabalhe, mas as casas de apostas sempre jogaram com o sonho humano de ficar rico sem fazer esforço.
O clima tinha esquentado nos últimos dias. Os times de futebol, maiores beneficiados pelos mais de um bilhão de reais que receberam em 2025, até fizeram um manifesto falando que o futebol brasileiro iria acabar sem os patrocínios milionários das bets. Não vai. A Fórmula Um sobreviveu ao fim da propaganda de cigarro e vai muito bem obrigado.
As casas de apostas foram regulamentadas em 2023. E aí foi um tsunami de abertura de sites e mais sites. E de apostas com o dinheiro que as pessoas não têm. Começo e fim em menos de quatro anos. Nem a máquina de fax durou tão pouco tempo. Interessante perceber que fora da Terra Brasilis, os países europeus já vinham as proibindo ou restringindo desde 2022. A experiência internacional não valeu pra nada, neste caso.
No final, entendo, mas não compreendo, o que o governo tem feito. As bets se vão, mas as Loterias da CAIXA continuam por aí. "Mas são duas coisas completamente diferentes, Murilo". Sei que passou na sua cabeça, mas conceitualmente são duas formas de apostas. Uma, totalmente regularizada e aceita. Outra, banida sem nenhuma tentativa de regulamentação. Não estou defendendo as bets, mas adoraria poder falar que o ser humano é coerente.
A medida provisória vai durar 120 dias. Ou seja, o novo presidente terá que lidar ou com a aprovação no Congresso, ou com uma possível negociação com as empresas interessadas em se manter vivas. Santo período sabático!
2027 é logo ali...

Isso é importante pra entender porque sua mudança para a concorrente On tem dado tanto o que falar. Não dá pra negar o ditado americano "Money talks". A expressão quer dizer que o dinheiro manda. As pessoas mudam suas decisões, bastante influenciadas por ele. Esse parece ser o caso.
A empresa europeia ofereceu, entre outras coisas, que ele virasse sócio. Igual ao que fez com o Federer, jogador de tênis que foi o primeiro grande atleta contratado pela fabricante. Duvido que a tecnologia seja tão decisiva quanto a capacidade de fazer o jogador ainda mais rico. Ele já é o melhor jogador da atualidade usando Nike. E sua antiga patrocinadora nunca deve ter economizado pra dar a Mbappé a melhor chuteira que um astro pode desejar.
A On se inicia no mundo das chuteiras com dois pés direitos (não me leve mal... é expressão popular... além do que, sou canhoto). Ter o maior goleador das Copas como integrante do time que montou pra invadir o mundo do futebol é um gol de letra. Thierry Henry, outra lenda francesa, já aposentado, virou o diretor de futebol e ajudou a trazer o moleque. Agora é produzir, lançar e vender.
Do outro lado, parece que as coisas não têm dado muito certo pra americana Nike. Ela perdeu o passo e viu a adidas se dar bem na Copa, perdeu a chance de quebrar a linha de menos de duas horas nas corridas de maratona e precisou trazer o seu antigo presidente pra colocar ordem na casa.
Racionalmente, tudo faz sentido. Nike em crise, On querendo crescer, Mbappé mudando porque vai se tornar sócio do novo patrocinador. Mas quebrar 20 anos de relação não é uma coisa fácil. O jogador e a americana estavam vivendo bem, casamento família Doriana. A européia, mais jovem, veio e atiçou os desejos inconfessáveis do francês. Divórcio feito, agora é lua de mel com a outra, se possível num jantar à luz de velas na Torre Eiffel.
Nike apostou num garoto desconhecido e lucrou muito com isso. Mbappé virou o que virou com todo o suporte da número um em materiais esportivos. Agora é a vez da On mostrar pra que veio.
Como gosto de dizer, ser humano é tudo... menos racional...

De quem vê e não de quem mostra. Ou seja, você fala uma coisa, o outro ouve outra coisa. Você fotografa um vestido e um tênis, as pessoas veem um enforcado e o símbolo da Ku Klux Klan. Comunicar bem é uma arte.
Sei que você viu a polêmica em torno da publicidade da Converse, que colocou seu tênis All Star nas mãos da cantora sul coreana Karina, projetou sua estrela no vestido da artista e criou uma polêmica ao lembrar os extremistas que perseguiam e matavam os negros americanos. Devo confessar que, depois que alguém fala, fica impossível de olhar pra foto e não ver o chapéu da KKK e os pés de um enforcado.
Ao mesmo tempo, nosso Vini Jr e seu colega de Real Madrid, Mbappé, causaram furor ao dobrar a camiseta de apoio aos moradores de Ceuta, que foi invadida em dois dias por 72 mil imigrantes fugindo de Marrocos. Se todos tivessem permanecidos na cidade espanhola fincada na África, a população local de 83 mil habitantes quase teria dobrado. A maior parte voltou, mas ainda permaneceram cinco a seis mil marroquinos tentando uma vida melhor na Europa africana.
O que eles fizeram foi entendido como a não aceitação pelos dois do ato de solidariedade. Tudo bem a Associação Comercial de Valência ser solidária aos ceutenses, os "Caballas". Mas daí a vestir a camisa, ainda mais dois imigrantes que jogam na Espanha, é pedir demais. Sei que vestir não significa, obrigatoriamente, apoiar. Mas, do mesmo jeito da foto da Converse, é impossível prever o que as pessoas vão pensar. Melhor dobrar a camisa...
Engraçado o que uma foto e uma camiseta geram de protestos e indignação. Não discordo. Mas me impressiona como somos incoerentes. Falamos e falamos nas redes sociais e nas rodas de conversa sobre isso e paramos de nos preocupar com a Guerra da Ucrânia, que desde 2022 acontece. Tornou-se um fato corriqueiro e nem capa de site de notícias dá mais.
A gente não se preocupa com o que não vemos ou não nos afeta. A foto não pode. Mas o drone caindo do céu já virou parte da paisagem...

Vejo o comercial de aniversário de 10 anos da b.ia, do Bradesco, e o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim me cutuca. "A Inteligência Artificial não surgiu em 2022, com o lançamento do ChatGPT? Como a b.ia pode estar fazendo 10 anos?" Confusão, né? Ainda mais que o Itaú Unibanco lançou sua #IA somente neste ano. O Bichinho não ficou quieto enquanto não entendi essa questão.
b.ia tem realmente dez anos. Surgiu como um auxiliar no app do Banco e já realizou mais de três bilhões de interações, desde um simples oi até ajudar em decisões de onde investir. Com certeza, aprendeu com o tempo e a experiência. Interessante perceber que o nome não foi uma coincidência. Bradesco Inteligência Artificial. Ninguém falava disso em 2016 e o nome já usava as duas letrinhas mágicas que o mundo agora ama colocar nas novas marcas. Eu mesmo não posso dizer que também não entrei nessa, pois tanto SequoIA quanto GuIAr, empresas em que sou sócio, a IA aparece. Em minha defesa, devo lembrar que a consultoria tem esse nome há pelo menos doze anos.
Olho pro aniversário da b.ia e tento decifrar a estratégia do Banco. O novo comercial chega um mês depois do lançamento do Meu Bradesco. Alguém deve ter olhado no espelho e pensado: por que a gente precisa inventar algo que já fazemos desde sempre? Tecnologia sempre foi um forte do Bradesco. E personalização também. Voilá! Empacotaram tudo e criaram o novo ecossistema.
Essa é uma aula de marketing ao vivo que está valendo a pena assistir. Quem é quem neste mundo das IAs bancárias. b.ia, dez anos. I.AI, recém-nascida. Pra mim, parece que experiência conta. Ainda mais depois de três bilhões de tentativas. Agora, é o Itaú que vai ter que correr pra buscar chegar no Bradesco.
Desde que o Marcelo Noronha, o novo presidente, chegou, a gente percebe que as coisas mudaram. Os resultados começam a aparecer. O Meu Bradesco parece ser uma dessas iniciativas pra mostrar pro mercado que o banco sempre esteve aqui, junto dos seus clientes.
Sempre fui cliente do Bradesco, mas devo confessar que sou pouco amigo da b.ia. Meu Bichinho já me chamou na chincha e mandou eu testar a IA. Quem sabe a gente entenda melhor porque o slogan do banco é "Você primeiro"...
