De quem vê e não de quem mostra. Ou seja, você fala uma coisa, o outro ouve outra coisa. Você fotografa um vestido e um tênis, as pessoas veem um enforcado e o símbolo da Ku Klux Klan. Comunicar bem é uma arte.
Sei que você viu a polêmica em torno da publicidade da Converse, que colocou seu tênis All Star nas mãos da cantora sul coreana Karina, projetou sua estrela no vestido da artista e criou uma polêmica ao lembrar os extremistas que perseguiam e matavam os negros americanos. Devo confessar que, depois que alguém fala, fica impossível de olhar pra foto e não ver o chapéu da KKK e os pés de um enforcado.
Ao mesmo tempo, nosso Vini Jr e seu colega de Real Madrid, Mbappé, causaram furor ao dobrar a camiseta de apoio aos moradores de Ceuta, que foi invadida em dois dias por 72 mil imigrantes fugindo de Marrocos. Se todos tivessem permanecidos na cidade espanhola fincada na África, a população local de 83 mil habitantes quase teria dobrado. A maior parte voltou, mas ainda permaneceram cinco a seis mil marroquinos tentando uma vida melhor na Europa africana.
O que eles fizeram foi entendido como a não aceitação pelos dois do ato de solidariedade. Tudo bem a Associação Comercial de Valência ser solidária aos ceutenses, os "Caballas". Mas daí a vestir a camisa, ainda mais dois imigrantes que jogam na Espanha, é pedir demais. Sei que vestir não significa, obrigatoriamente, apoiar. Mas, do mesmo jeito da foto da Converse, é impossível prever o que as pessoas vão pensar. Melhor dobrar a camisa...
Engraçado o que uma foto e uma camiseta geram de protestos e indignação. Não discordo. Mas me impressiona como somos incoerentes. Falamos e falamos nas redes sociais e nas rodas de conversa sobre isso e paramos de nos preocupar com a Guerra da Ucrânia, que desde 2022 acontece. Tornou-se um fato corriqueiro e nem capa de site de notícias dá mais.
A gente não se preocupa com o que não vemos ou não nos afeta. A foto não pode. Mas o drone caindo do céu já virou parte da paisagem...

Vejo o comercial de aniversário de 10 anos da b.ia, do Bradesco, e o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim me cutuca. "A Inteligência Artificial não surgiu em 2022, com o lançamento do ChatGPT? Como a b.ia pode estar fazendo 10 anos?" Confusão, né? Ainda mais que o Itaú Unibanco lançou sua #IA somente neste ano. O Bichinho não ficou quieto enquanto não entendi essa questão.
b.ia tem realmente dez anos. Surgiu como um auxiliar no app do Banco e já realizou mais de três bilhões de interações, desde um simples oi até ajudar em decisões de onde investir. Com certeza, aprendeu com o tempo e a experiência. Interessante perceber que o nome não foi uma coincidência. Bradesco Inteligência Artificial. Ninguém falava disso em 2016 e o nome já usava as duas letrinhas mágicas que o mundo agora ama colocar nas novas marcas. Eu mesmo não posso dizer que também não entrei nessa, pois tanto SequoIA quanto GuIAr, empresas em que sou sócio, a IA aparece. Em minha defesa, devo lembrar que a consultoria tem esse nome há pelo menos doze anos.
Olho pro aniversário da b.ia e tento decifrar a estratégia do Banco. O novo comercial chega um mês depois do lançamento do Meu Bradesco. Alguém deve ter olhado no espelho e pensado: por que a gente precisa inventar algo que já fazemos desde sempre? Tecnologia sempre foi um forte do Bradesco. E personalização também. Voilá! Empacotaram tudo e criaram o novo ecossistema.
Essa é uma aula de marketing ao vivo que está valendo a pena assistir. Quem é quem neste mundo das IAs bancárias. b.ia, dez anos. I.AI, recém-nascida. Pra mim, parece que experiência conta. Ainda mais depois de três bilhões de tentativas. Agora, é o Itaú que vai ter que correr pra buscar chegar no Bradesco.
Desde que o Marcelo Noronha, o novo presidente, chegou, a gente percebe que as coisas mudaram. Os resultados começam a aparecer. O Meu Bradesco parece ser uma dessas iniciativas pra mostrar pro mercado que o banco sempre esteve aqui, junto dos seus clientes.
Sempre fui cliente do Bradesco, mas devo confessar que sou pouco amigo da b.ia. Meu Bichinho já me chamou na chincha e mandou eu testar a IA. Quem sabe a gente entenda melhor porque o slogan do banco é "Você primeiro"...

Só porque agora, depois de 26 anos, resolvi doar minha mesa de desenho, a RIMOWA e a Faber-Castell Group decidiram lançar o estojo de lápis de cor mais maravilhoso que eu já vi na vida. Meu Mau Humorado de plantão está aqui bufando de raiva.
Não que eu tenha os R$ 19.700 que as duas empresas estão pedindo pelo conjunto de 120 lápis da coleção Polycromos. Definitivamente não tenho. Mas não custa sonhar, não é mesmo? Fico aqui me coçando pra comprar a caixa mais simples, que já custa dois paus e meio. Vinte mil? Daria pra comprar uma moto Bajaj, a Dominar. E ainda viria com o IPVA totalmente pago...
Essa é uma collab de responsa. As duas marcas alemãs se uniram pra produzir essa série limitada, sem nem divulgar a quantidade que ela vai ter. No mínimo uma, a produzida pro comercial e pras fotos. Interessante pensar que elas representam alta qualidade em suas áreas, mas que comunicam totalmente diferente nos seus sites. A filial brasileira da fabricante de malas já está anunciando a novidade. A sua parceira, aqui em Terra Brasilis, parece que ainda não recebeu o memorando interno...
Fiquei pensando o que essa collab transmite. Por parte da Rimowa, a percepção de que as malas da empresa realmente preservam bens preciosos. Quem usa lápis de cor sabe a dificuldade que é mantê-los organizados e sem se quebrarem. Do lado da Faber-Castell, a imagem de que seus lápis merecem um estojo feito pela empresa da mala mais chique do mundo dá um upgrade espetacular na marca.
As duas empresas são seculares. Faber foi criada em 1761. Rimowa, em 1898. Demoraram mais de 120 anos se namorando até que fizeram um casamento desses. Não sei se eu teria essa paciência toda. De todo jeito, é sempre bom ver como os realmente muito muito ricos vivem por aí...
O pedido partiu de mim, para o pessoal da Hyundai. Era clara a curiosidade do Bichinho de Marketing que vive dentro de mim. Já testei chinês, testei europeu, testei elétrico, híbrido e carro a combustão. Faltava um carro coreano e um americano. Comecei com o Kona, que me chamou a atenção desde o primeiro dia que o vi.
Ele é um SUV. Para os americanos, um SUV pequeno. Aqui, ele chegou acima do Creta, que desde que foi lançado se mantém como um dos carros mais vendidos no varejo brasileiro. Pensei: "Se a qualidade do modelo 'Made in Korea' for parecida com seu irmão brasileiro, esse é um carro pra conquistar o consumidor brasileiro". Me surpreendi.
Nunca pego um carro pra sentir o motor, o arranque, a velocidade. Não me encanto com isso. Quero saber do conforto e prazer de dirigir, já que detesto estar ao volante. Os cavalos não me chamam a atenção, os mimos sim.
Abri a porta e o interior se iluminou de azul em lugares como o porta-luvas e a porta do motorista. Bonito, mas sem sentido, pensei. No primeiro radar, quando o azul virou vermelho, me indicando que eu estava acima da velocidade e ia levar uma multa, meu Bichinho começou a sorrir. Sou um péssimo motorista, mas um ótimo colecionador de multas.
Fiquei impressionado com a rapidez com que minha esposa trocou o volante do Creta dela pelo Kona da fábrica. Desculpe-me, Mauricio Jordao, mas a paixão foi mais forte do que o contrato de comodato. Ela adorou rodar com o carro e numa coisa a gente concordou. É delicioso de dirigir, no dia a dia.
E é um carro gentil. Você chega com as mãos cheias de malas, sacolas ou outras coisas e não precisa ficar tentando dar rasteira no parachoque traseiro. Ele reconhece a chave e abre o porta-malas sem que você fique se equilibrando num pé só, feito saci-pererê, tentando achar o lugar onde aciona a abertura automática.
O genial foi ver o mapa do multimídia reconhecer automaticamente como 'casa' o local onde ele dormiu duas noites. O Kona me fez sentir bem recebido, o que é estranho, pensando em um automóvel. Alguém, na Coreia, pensou em como agradar o dono do automóvel, sem ser com o pedal direito.
Meu próximo passo é viajar pra praia com ele. Aí, sim, vou poder dizer se encontrei um carro que realmente me entende...

7:30 da manhã, chego numa padaria francesa pra tomar um café com meu amigo Domenico Massareto. Pedido simples, uma xícara com um croissant.
- Desculpa, mas não tem croissant, me diz a atendente.
- Como não tem croissant numa padaria francesa? Me traz um pão na chapa...
- Pode ser pão na chapa feito com croissant?
Domenico não consegue segurar a gargalhada. Ainda pergunto se é um pão dormido. A explicação é bizarra: É novo, só que existe croissant pro balcão, existe pra cozinha. Simples assim. Não entendo nada, mas aceito.
13:00. Chego em Mogi das Cruzes pra almoçar com minha cliente da consultoria, a Laura Tosta Faberge. Na porta do restaurante, um baita caminhão de gás atrapalha a entrada.
- Só cinco minutinhos, por favor. Estamos acabando de entregar o gás, me fala calmamente o motorista do bruto.
Uma eternidade custa a passar e só me resta esperar e perguntar pra uma funcionária porque a entrega no horário de maior movimento. Ela me explica que a empresa de gás se atrasou, apesar do pedido ter sido feito cedo.
Dois eventos separados, mas que me chamam a atenção pra um fato mais comum do que deveria ser. A operação do dia a dia é, talvez, mais responsável pela fuga de clientes do que a qualidade do produto ou serviço.
Aposto que deve ter uma explicação pra questão do croissant. Ou eles têm um formato diferente, pra entrar na chapa, ou não foram pro balcão, porque ficaram feios. De todo modo, o consumidor ouve um não no pedido mais simples de todos. É como faltar sorvete na Bacio di Latte, ou hambúrguer no Méqui.
No caso da entrega do gás é mais simples entender. O entregador de gás entrega gás. Só isso. Fechar a entrada da garagem não é um problema pra ele. Deveria ser pro gerente do restaurante. Mas não é, pois está ali, preocupado em atender as únicas duas mesas ocupadas. Quem sabe outros motoristas trocaram de restaurante, por causa da garagem fechada. Afinal, a rua é cheia de concorrentes.
100% do tempo e ações de uma empresa devem ser pensados pra facilitar a vida do consumidor. Tem empresa que consegue. Outras não. A gente não controla um caminhão atrasado, ou uma entrega não feita. Mas controla o que faremos a partir do problema.
Meu Mau Humorado de plantão chegou no fim do dia resmungando como nunca. Atender bem talvez seja isso: entender que o chato só está narrando o atrito que os educados engolem calados.
