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Começo lembrando que não conheço o Frederic Kashar, ex-diretor geral do Grupo Globo

19/10/2026
Postado por: Murilo Moreno

Começo lembrando que não conheço o Frederic Kashar, ex-diretor geral do Grupo Globo - Mídia e Conteúdo. Também não concordo com os posicionamentos dele nas conversas que teve com o radioativo Daniel Vorcaro. Esses disclaimers todos (parece até contrato cheio de "considerando...) pra falar que a percepção que tive é que ele foi sendo envolvido aos poucos, durante todo o processo e, quando viu, já não conseguia mais se distanciar do problema.

"Murilo, reveja o que escreveu! Ele falou da Sabrina Sato e da Débora Secco de uma forma machista, misógina até... influenciou a redação... foi a festas privadas do Vorcaro... ele é tudo, menos um bobo inocente..." Sinto muito, mas vou concordar com você. Não foi nem bobo, nem inocente. Ainda assim, ele apodreceu por estar perto de outra maçã podre.

Quando leio as conversas que existiram entre os dois, vejo um CEO querendo criar uma amizade com outro CEO, para facilitar a realização de negócios. Minha impressão foi a de um executivo que começou tratando um anunciante poderoso como tantos outros. Mas as mensagens mostram que a relação atravessou limites que profissional nenhum deveria passar. Talvez a questão mais incômoda seja perceber como esses limites vão sendo empurrados para o "desaconselhável", sem que ninguém anuncie a mudança.

Os ingressos para eventos, os convites para shows sempre foram moeda de troca no mercado publicitário. "Eu lhe chamo pra Interlagos, você atende minhas ligações, pois passamos a ter intimidade". Não é de hoje e negar que aconteça é acreditar que Papai Noel existe.

Quebrada a barreira do desconhecimento, entram as frases dos "falsos íntimos", como a "amizade que supera os negócios" que Daniel escreveu pro Fred. O tipo de relacionamento que não sobreviveu às primeiras notícias do que viria a ser o escândalo do Master. Vorcaro passou a pressionar. E, aqui, na minha visão, a defesa da redação separada da área comercial foi feita pelo Fred. De uma forma leve, para evitar perder o anunciante, mas foi feita.

O poder embriaga. E acabamos fazendo coisas que, em sã consciência, não teríamos coragem de fazer. As festas exclusivas de Vorcaro, sem celular e que eram carinhosamente chamadas de "Guerras da Ucrânia", foram a linha de corte entre influência e corrupção. Não se tratava mais de ver um show ou uma disputa de carros de corrida. Passou a ser difícil saber onde termina o relacionamento comercial e começa algo que ninguém gostaria de ver exposto.

Certas coisas não têm volta. Apodreceu, é difícil você recuperar. A Vênus Platinada demitiu sem pestanejar. Os 29 anos de relacionamento não pesam se a reputação de toda a empresa está em jogo. Eu teria feito a mesma coisa, pois é a única maneira de se evitar que todo mundo saia prejudicado.

Deve ter gente consultando o próprio celular, pra rever antigas conversas. A cesta tinha muito mais maçãs do que somente o antigo diretor da Globo.

 

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Postado por: Murilo Moreno
Quando fui alugar um carro na Movida Rent a Car, fui surpreendido com uma promoção

Quando fui alugar um carro na Movida Rent a Car, fui surpreendido com uma promoção: Antecipe a lavagem e ganhe uma bola da Copa. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim andava pela loja, enquanto eu era atendido, meio sem saber o que pensar. Promo pra lavar carro? Era muito pra nós dois. Aí fizeram de novo. E de novo. A última, com os personagens de Toy Story 5.

Abro minhas fontes de notícias e vejo outra locadora indo pro mesmo caminho, a Unidas. Só que com Batman e seus amigos em formato de bonecos, pra quem optar pela proteção premium na hora do aluguel. O Bichinho ficou indócil. "E a Localiza&Co? Está fazendo o quê?" Corro pro site dela pra descobrir que os personagens do Hotel Transilvânia estão lá, dando desconto no aluguel, pras pessoas não terem susto com os preços.

Devo confessar que nunca pensei em promoção, a não ser descontos, pra alugar um carro. Pra mim, é uma compra totalmente racional. Você consulta as opções, vê modelos e valores, elimina aquelas em que teve algum tipo de mau atendimento (eu, particularmente, fujo de uma que nem diabo foge da cruz. E não é nenhuma das três aqui...), e aluga. Aí vem a Movida e me bagunça a cabeça...

No meu mundinho, Localiza fez o que eu esperava. Buscou um tema pra falar de um dos pontos que levam a decisão. Se preço é fundamental, um empurrãozinho do Conde Drácula pode fazer a diferença. Então, promoção pra aumentar a conversão.

Mas tanto a lavagem antecipada como a promoção premium são fases que você decide depois, no ponto de venda. Quer dizer, posso até fazer isso na hora da reserva online. Mas a hora de pegar o carro na loja é a última chance de converter o consumidor. Será que uma miniatura, uma caneca ou uma bola faz efeito nos resultados? Pela repetição, parece que sim.

Enquanto a líder trabalha no aumento de vendas de aluguel, Movida e Unidas buscam o um ticket-médio mais gordo de quem já foi convertido. Não tem forma mais clara de entender a estratégia de cada uma delas, não é mesmo?

Mas interessante mesmo é perceber que quem manda mesmo na decisão são os filhos. O banco de trás continua dando as ordens...

 

20/10/2026
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Postado por: Murilo Moreno
A guerra dos sorvetes vem aí

Como cantava Marina, "Vem chegando o verão... "e o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim fica agitado. Sou viciado em sorvete e final do ano é tempo de novidades e mais novidades nesse mercado. Agora, de uma vez só, Froneri e The Magnum Ice Cream Company, as maiores fabricantes de gela-goela do mundo, anunciam seus novos sabores.

Froneri usa a #Lacta como base pra colocar no mercado mais um picolé baseado em chocolates da #Mondelez. Dessa vez, o Bis virá Biscolé (trocadilho de quem já tem o Morumbis no curriculum). E a Magnum coloca o panetone Bauducco no palito, junto com sua marca local, a #Kibon. De comum, só a questão de que os picolés ainda não chegaram no mercado. E que vão ter "sabor de".

Não vou discutir os sabores, vou prová-los todos, quando estiverem nos freezers. Mas vale um olhar para essa guerra que está parecendo que vem por aí. Kibon estava morta nas mãos da Unilever. Prioridades de investimento faziam da empresa o patinho feio da multinacional. Então foi separada numa nova empresa e isso deu a liberdade de fazer o que a Froneri já tinha conseguido, quando deixou de ser Nestlé. São processos e histórias diferentes, mas o resultado é parecido. As duas ganharam liberdade para serem o que são.

Mas sorvete não sobrevive nas gôndolas. Precisa de refrigeração. O que significa que o gargalo para o crescimento esbarra no freezer, no ponto de vendas. Não precisa ser muito observador pra perceber que as geladeiras da Kibon sumiram do mercado. Quer dizer, sumiram, considerando que, antigamente, cada esquina tinha uma, pelo menos. Então, só tem um jeito de crescer: colocar os vendedores pra convencer donos de padaria, lojas de conveniência e outros lugares a aceitar um freezer em comodato. E comprar carrinhos novos pra invadir as praias brasileiras durante os próximos meses.

Diria que este verão ainda vai ser um teaser do que vem por aí. Uma quer crescer, a outra não vai querer perder espaço. E entre elas, um tanto de outras marcas abriram espaço nos pontos de vendas, o que deixa a guerra mais doce.

O Bichinho está feliz porque vai ter muita água pra passar debaixo da ponte. Só não me peça pra subir na balança nos próximos meses...

 

19/10/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Estou sempre perdendo as boas oportunidades do mercado

Estou sempre perdendo as boas oportunidades do mercado... devia ter comprado um petroleiro usado ano passado, guardado na garagem e colocado pra vender este ano. Ia ganhar uma grana preta. Um desses navios, com dez anos de uso, está custando mais caro do que o zero quilômetro tirado da concessionária... quer dizer... do estaleiro.

Tudo por culpa da Guerra no Irã. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, o número de navios passando na região caiu de 85 para pouco mais de quatro, por dia. O petróleo da região não sai de lá e obriga todo mundo a comprar o ouro negro em outros locais. Muda o fornecedor e todo o trânsito. O desvio acaba levando a novas rotas e as mais longas passam pelo sul da África, lá no Cabo da Boa Esperança. Ou seja, é como a Marginal engarrafada e você tentando achar um caminho novo pra não chegar atrasado no emprego.

Como as viagens aumentam de duração, podendo ficar quinze dias mais longas, o número de fretes cai. Só isso já causaria a falta de navios. Mas vai explicar isso lá no Posto Ipiranga, na hora de falar que a gasolina subiu de novo! O número de novas encomendas explodiu. E, nos primeiros seis meses desse ano, os estaleiros receberam 177 novos pedidos. Recorde total. Última vez que se vendeu tanto foi em 2006. Tem navio que só vai ser entregue em 2030.

Aí os preços enlouqueceram. Um usado de dez anos custa 190 milhões de dólares. 60 milhões a mais que o zero de fábrica. Mesmo com a pintura queimada e o GPS antigo. Só que ele começa a fazer dinheiro hoje. Por isso, os armadores estão pagando ágio pelo seminovo, pois os fretes subiram junto com a demanda. Só que não tem mágica. Os analistas já preveem um excesso de navios em 2029 e a queda dos preços.

Vou ver se um desses estaleiros que vendem usados aceita meu carro como parte do pagamento de um petroleiro pouco rodado. Se eu der sorte, nem vou ter pago a primeira parcela e consigo vender o navio, ganhando um trocadinho...

 

18/10/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Pringles transforma a latinha em urna funerária

Halloween, para os americanos, é um assunto sério. Aquela coisa das crianças sairem de casa em casa pedindo balas e gritando "Doces ou travessuras" tem em tudo quanto é filme de terror e está chegando em Terra Brasilis aos poucos. Tem #marca já se aventurando no universo das mortes e cemitérios, como minha amada #Fanta, mas somos amadores, comparado com o que as pessoas e empresas fazem nos Isteites.

Ontem, Pringles lançou a promoção definitiva, pra quem ama a batata redonda. Você se inscreve e concorre a uma urna funerária pra seus familiares guardarem suas cinzas, quando for cremado. Estão reproduzindo o que o criador da latinha das batatas fez, quando foi enterrado dentro de uma delas (lógico que ele foi cremado antes, né... dahn...). E pra você não ir para o além com fome, ainda ganha um suprimento do produto pra duzentos anos de vida. Você e as próximas gerações de filhos, netos e bisnetos.

Amei a promoção, o comercial e a mudança no logotipo da Pringle’s. Os executivos não tiveram dúvida de substituir os olhos por dois X, reforçando a ideia da morte. Como disse o executivo da Mars, os jovens da Geração Z tem um humor para esse tipo de absurdo de fazer inveja. O mais legal é ver os detalhes da produção. Tem um computador com tela de tubo e um telefone fixo vermelho na mesa do dono da funerária. Quer objetos mais mortos do que esses?

A promoção só vai ver a luz do dia por pouco mais do que uma semana e só vale nos EUA. Parece que brincar com a morte pode, mas brincar demais pode ser um sinal de má sorte…

16/10/2026
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