Pra comemorar, um brinde com garrafinhas de cerveja... da Heineken. Foto publicada no Instagram, de uma hora pra outra, os comentários começaram a aparecer. "Ei, Bruna, você não é embaixadora da Corona?" O ator até apagou a foto, mas o estrago já havia sido feito.
Pra colocar mais lenha na fogueira, Heineken cria uma embalagem falsa e publica o "Anti-Paparazzi Pack", com garrafas verdes sem rótulo. Tipo assim, você compra, bebe e não corre o risco de ser fotografada com a marca da concorrente.
Vira a bebida da Ambev e retruca com um vídeo nas redes, mostrando a atriz tomando uma Corona Cero e perguntando: "O que foi? Você achou que ia ser o quê?" Copo de água no incêndio. Bem provável que daqui a um tempo a atriz perca o contrato, que a empresa diga que não o renovou porque os objetivos já foram alcançado e a foto de um ano de namoro seja com copos de champanhe, ou gin. Cerveja nunca mais.
Esse é o risco de se trabalhar com pessoas de carne e osso. Elas vivem. Se fosse pra não correr esse risco, melhor criar uma embaixadora virtual, como a Lú, do Magalu. A vantagem é que ela trabalha todos os dias, todo o tempo, sem reclamar, e não faz nada de errado. A desvantagem é que é difícil acreditar que bebeu uma gota qualquer na sua vida.
O que me impressiona no uso de celebridades, de embaixadores das marcas, é que, mesmo sabendo que eles não consomem o que anunciam, a gente passa a ter predisposição de comprar os seus produtos. Quanto mais fã, maior a possibilidade de adotar uma marca por conta desse patrocínio. Mas daí a acreditar que Luciano Huck roda de Dolphin por aí a distância é grande...
No fundo o que eu estou curioso de saber é se os pombinhos tiveram ou não sua primeira crise conjugal, com a atriz brigando porque o "Shawn não tinha o direito de fazer isso com ela" e ele, de joelhos e chorando, falando "desculpa, meu anjinho..." Isso sim é que é vida.

Mais uma vez, numa padaria, eu peço pro meu café vir depois do misto quente, o atendente balança a cabeça dizendo que sim, mas me entrega a xícara antes e o líquido fica esfriando. Faço um Cliente Oculto e o vendedor de carro me pergunta se eu tenho um usado pra entrar na troca, ignorando minha pergunta de quais as versões ele tem pra vender.
O que essas duas experiências têm em comum? A falta de entendimento da necessidade do #consumidor. Estranho, né? Os vendedores querem vender, apesar do consumidor. Acho que somos nós que os atrapalhamos nos processos, com nossas perguntas o pedidos inadequados.
O que percebo é que no geral somos um povo que atende mal seus clientes. Gravei mais um vídeo para o meu canal de YouTube. Uma xícara de café e um papo com vendedor de carros. Não importa o preço nem a complexidade, o atendente sempre parece não entender que a sua função é satisfazer quem está pagando a conta.
Lógico que meu Mal Humorado de Plantão vive me chamando atenção. Devo ser eu o errado, já que ninguém me compreende. Mas existem "Oásis de qualidade" em todo tipo de empresa, em todo tipo de segmento. Aquela que é líder, que cobra mais caro, que atende melhor. Não sei dizer se a exceção confirma a regra, mas esses atendimentos me mostram que não é um sonho meu impossível de ser realizado. Só depende de educação.
Não a formal, que o governo providencia, mas a empresarial, que o dono cuida para que aconteça. A grande questão do treinamento é que você treina, vem o concorrente e rouba seus melhores funcionários.
Ainda assim, essa opção é melhor do que a outra, que é manter um time de atendimento ruim, prejudicando seu negócio...
Clique, veja o vídeo, e me diga. Não treino e fico com um funcionário ruim? Ou treino e corro o risco de perdê-lo pro concorrente?
Parece que a nova moda é fazer rebranding e não mudar nada na marca. Pode até trocar tudo, mas no logo e no símbolo principal ninguém coloca a mão. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim está feliz com a novidade. Ou com a falta dela, já que consistência é o principal elemento de uma boa comunicação.
Vale lembrar o que está rolando. O Clube de Regatas do Flamengo resolveu pegar sua boa fase e investir para virar um grande time, não só em Terra Brasilis, mas no mundo. Hoje, é o 15º maior time, em seguidores, mas curte uma posição pior quando se fala de faturamento. Só é o 18º, mesmo faturando mais por torcedor. Segundo o instituto de pesquisa CIES, são 488 milhões de seguidores para o líder Real Madrid, contra 71 milhões do time do Zico. No dinheiro, a diferença diminui, mas o time espanhol é 3,5 maior que o brasileiro.
Então, toca de organizar a casa e partir pra internacionalizar. O rebranding acabou com a bagunça. Só de sites, o Flamengo tinha 20. De submarcas, 24. Uma verdadeira várzea. Agora serão três verticais, aquele nome bonito pra dizer que são áreas da "empresa". Primeiro, os esportes, óbvio. Segundo, o entretenimento, com parcerias, licenciamento e relação com os torcedores. E, por último, o legado, onde ficam o museu e os patrimônios.
A ideia é crescer na vida do flamenguista e vem estampado no slogan: Flamengo todo dia. Mas o problema não é falar com o fanático, que já vive 24 horas o time, não é mesmo? É crescer o número daqueles que gostam mas não se envolvem muito, fazendo com que eles aumentem um pouco o tempo (e o dinheiro) dedicado ao time. E que sejam, de preferência, de fora do Rio e do Brasil. Aí seria, realmente, renda nova.
O maior problema é realmente se internacionalizar. Pra isso, não pode sair do avião, viajando pra torneios mundiais. Mas antes, tem que ganhar tudo aqui no Brasil. Dá pra crescer sem sair das quatro linhas do nosso território? Dá. Mas aí, vai sempre ser lanterninha no campeonato mundial de grandes clubes.

Num certo momento, sempre existe um trato secreto entre mães e filhos, e a gente passa a ser acusado de tudo de errado. Fora que aquela última mordida no sanduíche ou no sorvete dos filhos pequenos tem endereço certo: o estômago dos pais. A gente trabalha, trabalha e, no final, a imagem que fica é que somos ausentes. Sei que estou sendo muito cruel e que talvez esse seja somente o Murilo-pai. Mas o que pensar, depois de ver o novo comercial da Coca Cola?
Estreia, hoje, em Terra Brasilis, e já vai virar sucesso. A fórmula é simples: Imagens de um dia a dia de família, onde o pai sempre está atrasado para os jantares, por causa do trabalho. Até que ele se vê desenhado pelo filho como alguém atrás de um laptop, pedindo "um segundinho...", com o dedo erguido.
Bum! Sentimento de culpa na veia. Os filhos crescem, enquanto estamos em mais uma daquelas reuniões intermináveis. Tempo de largar tudo e ir curtir um jantar em família. Torcendo para que os filhos não estejam no celular enquanto comem, é lógico.
Coca usa de jogo baixo pra falar a respeito de suas embalagens de dois litros retornáveis. Tô me sentindo mal pelos vários copos do refrigerante que não tomei com meus filhos. Mas, mesmo assim, adorando a campanha, que ainda tem uma versão "filha grande que trabalha muito e não tem tempo para uma pizza com o pai". (Eu entendi, Coca, que você bateu e assoprou. Mas continua doendo, viu?)
O comercial já mostra o novo logo da marca (mudou?), inserido no meio do slogan da campanha "O mundo pode esperar". Que, no original em inglês é "O mundo vai esperar". E aqui cabe um comentário. Enquanto o americano é afirmativo, algo tipo "que se dane o mundo, vai lá e jante com seus filhos", o brasileiro é mais latino, assim como "olha... veja bem... não faz mal você dar uma pausa e ir comer com sua família... seu chefe não vai ficar PÊ da vida... ele também deve ter filhos..." Até o tom de cada cultura a empresa acertou.
Amei... mais um para série de grandes comerciais da Coca. Só faltava isso pra desejar feliz dia dos pais pra você...
Não sei se é por ser um mineiro desconfiado ou se foi meu Mal Humorado de Plantão que se agitou, mas não me cairam bem todas as notícias sobre a liberação, pela ANVISA, da venda de remédios pela Shopee. Nada contra o órgão nem contra a empresa, mas tudo contra a imprensa. Quase todas as notas que li sobre o tema falam da liberação. Poucas analisam o fato. Parece torcida organizada comemorando gol do time do coração. "Foi de mão? Não importa... só não me chama o VAR..."
Entendendo o tema. Em 2022, a Anvisa acabou com a festa do caqui da Shopee de vender remédio a torto e a direito, sem ser uma farmácia. Remédio não é parafuso e tem toda uma regulamentação a ser cumprida. Aí, começo deste ano, o presidente em exercício assina uma lei permitindo venda de produtos farmacêuticos em supermercados e marketplaces. Se o resto pode, e o Mercado Livre já está se movimentando, então não faz sentido a proibição. Corretamente, a restrição caiu.
Mas, um dia depois da liberação, começa um festival de notícias sobre o assunto. E, coincidentemente, a empresa é citada nas notas como celebrando a decisão. O Mal Humorado me disse: "Tá com cheiro que a Shopee andou telefonando pros caras e incentivando o tema". Tendo a concordar.
O mercado farmacêutico brasileiro é enorme, R$ 246 bilhões. Estava nas mãos das drogarias e farmácias, sendo que as grandes redes representam metade desse dinheiro. Agora tudo muda, os pequenos ficam grandes, pois os marketplaces podem levá-los pro Brasil inteiro. Só tem dois problemas. Os grandes vão continuar comprando da indústria por preços menores. E o lucro das pequenas vai todo virar comissão pros canais digitais. No final, o equilíbrio volta, mas com ganhadores e perdedores.
No fundo, o mundo continua no seu ritmo de sempre mudar. Mas me impressiona a imprensa continuar a mesma. Press releases e pequenas notas viram temas de matérias sem muita análise. As empresas aprenderam a controlar as narrativas e parte dos meios de comunicação viraram palanque de divulgação.
É bom, pra Shopee e pro consumidor, essa liberação. É médio, pras farmácias. Mas é ruim, pra imprensa. Meu Mal Humorado voltou pra cama. Quem sabe ao acordar, isso tudo não tenha sido um sonho...
