Até porque, no fundo, sabia que a gente não tinha chances de chegar lá.
Não vou escrever, porque, com um técnico estrangeiro, o que a gente podia esperar?
Não vou, porque era muito claro desde os amistosos que os jogadores não estavam entrosados.
Não, o vexame de ontem não merece nem uma linha!
Vou escrever é sobre como o ser humano é volúvel. Como, em 15 dias, passei de não acreditar no Hexa a ter certeza de que a taça era nossa. Vou falar sobre como, em poucos dias, 10 de cada 10 conversas passaram a girar em torno de cada lance dos estádios."Viu o goleiro Vozinha? Mais de 15 milhões de seguidores em menos de uma semana!" "Ficou sabendo que o Conar proibiu o Cazé TV de anunciar as bets?" "E a comemoração dos noruegueses? Não vão passar pelo nosso créu!" Passaram...
Opa, disse que não ia escrever sobre a Copa...
A gente fica preocupado com a IA, mas ainda não entendemos que o que nos diferencia é a emoção. Não tem como não sentirmos algo quando o único jogador a mostrar garra no último jogo foi Neymar, seja provocando o goleiro da Noruega, na cobrança de pênalti, seja chorando copiosamente após o apito final. O resto da turma, apática, rolava pra lá e pra cá, em campo, como se isso fosse consolar os mais de 200 milhões de torcedores do lado de cá da tela.
2030 tem mais. Com IA embarcada, chip na bola anulando gol, VAR mudando decisões e câmera filmando a visão de juiz. 2030 tem mais...
Nossa! Prometi que não ia escrever sobre a Copa...

O povo da Califórnia acabou de entrar na justiça contra os postos de gasolina de diversas empresas, incluindo Walmart, 7Eleven e CircleK, por estarem aumentando os preços artificialmente. A grande questão é que estão subindo todos, ao mesmo tempo, por causa do uso de uma IA, usado pela empresa Kalibrate, que esses postos contratam.
O funcionamento é simples. Todas as bombas são ligadas a essa IA, que analisa o preço em determinada região e calcula quanto ele pode subir, devido a demanda. Quanto mais postos ligados no Kalibrate, mais o preço sobe na área, pois não existem concorrentes cobrando menos.
A turma da Califórnia alega que isso é um cartel digital. Em vez dos donos sentarem numa sala escura, fumando charutos e bebendo whisky enquanto combinam os novos preços, a IA faz isso sozinha. E, no mínimo, tem aumentado o galão em 6 centavos de dólar. Ou 8 centavos por litro, se fosse aqui no Brasil. Tem casos, onde a maior parte dos postos está ligada no Kalibrate, em que todos ficam R$ 0,40 mais caro, por litro. Parece pouco, mas significa que os moradores da Califórnia estão deixando nos postos, no mínimo, mais R$ 418 milhões.
Estamos todos acostumados com os preços dinâmicos, aqueles que mudam o valor das passagens aéreas ou das corridas de Uber, de acordo com a demanda. A gente aceita, por não ter opção, sabendo que o serviço é o mesmo, mas que o preço cobrado aumentou porque tem muita gente querendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Só que esse formato parte de um outro pressuposto. "Quanto posso subir o preço, considerando os concorrentes na minha região, sem perder vendas nem receita?" Quanto mais postos ligados, mais eu posso, pois o consumidor não vai ter pra onde correr. Se, por acaso, as vendas caírem, o sistema baixa um pouquinho e equilibra de novo.
Tomara que a justiça segure a Kalibrate. Se a moda pega...

Tipo Instagram, ou Tiktok. Em vez de você passar seu número, vai poder falar: chama no @mamaetonaglobo. Parece legal, mas o meu Mau Humorado de Plantão fica todo impaciente dentro de mim. O que isso, no fundo, significa?
"É para garantir sua privacidade", a Meta explica, "Assim, ninguém que você não queira vai lhe ligar". Vou falar isso pros golpistas que insistem em me encontrar por todos os meios possíveis. "Usa um nome que só seus conhecidos vão saber..." Nove dígitos fazem isso muito bem. "Empresas vão ser encontradas com mais facilidade, é só digitar o nome". Depende, pois imagina procurar seu banco pelo nome e cair entre as três mil variações com ponto, underline, brasil, atendimento, suporte e até aquele "oficial" no final que já deixa você desconfiado que é golpe. Acho que alguém vai ganhar dinheiro vendendo perfil verificado...
Lógico que estou sendo chato, de propósito. Whatsapp divulgou a possibilidade de reservar o nome para quando a aplicação chegar. E todo mundo tem que correr, pois são 3 bilhões de pessoas e empresas querendo registrar ao mesmo tempo. "IloveNY" já tem dono. "Jesusemeupastor" também. "Vivo" tem disputa. O que deve acontecer é a criação de um mercado paralelo de venda de nomes.
Lembra do início dos sites, que tudo que você pensava já estava registrado? O bom é que aprendemos e ficamos inventivos em criar nomes. Com 35 caracteres pra brincar, que é o máximo que o Whats vai aceitar, dá pra ser criativo pra burro! (ainda dá pra usar essa expressão? Ou é politicamente incorreta?)
Já tentei registrar o meu. Só pra me frustrar e saber que algum outro murilomoreno já havia chegado antes de mim. Ainda bem que existe o ponto e acabei registrando murilo.moreno. Pronto! Agora não existem mais barreiras pra falar comigo. Opa! Existe sim... o serviço ainda não foi lançado.
No final, quando fui pensar em como ilustrar este post, descobri uma coisa interessante. O símbolo do Whatsapp está ultrapassado. Isso porque, no meio do balãozinho de conversa existe um desenho de um telefone fixo. Tem anos que eu não pego num aparelho naquele formato. Só faltou usar o disco central de um aparelho fixo. Se eu, que cresci usando aquele tipo de aparelho, já acho velho, imagine alguém que nasceu na época dos celulares.
Ainda bem que mudou... agora o símbolo pode virar uma arroba...

De táxi, peço ao motorista que pare, pois o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim quer tirar uma foto da fachada da agência do Bradesco. "É nova? Nunca vi que tinha um Bradesco nesta esquina".
Restaurante América, Danilo e eu jantando, falo que vou escrever sobre o banco, por causa da fachada.
- Naquela esquina? É agência nova! Passo ali todo dia e não tem Bradesco... com certeza que é nova, me afirma categoricamente, jurando de pés juntos.
Pergunto pro oráculo quando foi inaugurada. O GPT não sabe me responder. Como as IA's adoram alucinar, pesquiso em várias delas, ninguém sabe. Pra mim, sempre esteve ali. Fiz minha última pesquisa, Google Maps. Achei! Não sei a abertura, mas em fevereiro de 2024 tava lá. Com a antiga fachada, branca e vermelha.
E essa é a razão pela qual o Bichinho tanto me incomodou até que eu fizesse as fotos. A mudança foi nada mais, nda menos, do que usar tinta para eliminar o branco, que aparecia mais do que tudo, e dar vida à agência, acabando com um erro histórico cometido pela empresa de design inglesa, a Landor, em 1997.
Bradesco era o maior banco privado do país naquela época. Tinha uma fachada onde enormes letras vermelhas eram reconhecidas à distância, principalmente pelos correntistas analfabetos. Alguém teve a ideia de fazer um rebranding, que criou a árvore símbolo e trocou o fundo todo por branco. Dizem as más línguas que o fluxo nas agências caiu, porque ninguém achava mais as agências num mundo de placas e mais placas. Landor retrabalha, cria um fundo vermelho com uma onda à la Coca e salva o trabalho original.
Passam-se os anos, o banco perde a liderança, sofre, sofre, e resolve renascer nas mãos da nova diretoria. Entre as mudanças, a volta do vermelho na fachada. Não sei você, mas adorei. Se todo mundo começar a enxergar as agências, antes invisíveis, quem sabe o banco não volte a sonhar em disputar a liderança...
É impressionante a diferença que uma cor faz na vida de uma marca!
