De táxi, peço ao motorista que pare, pois o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim quer tirar uma foto da fachada da agência do Bradesco. "É nova? Nunca vi que tinha um Bradesco nesta esquina".
Restaurante América, Danilo e eu jantando, falo que vou escrever sobre o banco, por causa da fachada.
- Naquela esquina? É agência nova! Passo ali todo dia e não tem Bradesco... com certeza que é nova, me afirma categoricamente, jurando de pés juntos.
Pergunto pro oráculo quando foi inaugurada. O GPT não sabe me responder. Como as IA's adoram alucinar, pesquiso em várias delas, ninguém sabe. Pra mim, sempre esteve ali. Fiz minha última pesquisa, Google Maps. Achei! Não sei a abertura, mas em fevereiro de 2024 tava lá. Com a antiga fachada, branca e vermelha.
E essa é a razão pela qual o Bichinho tanto me incomodou até que eu fizesse as fotos. A mudança foi nada mais, nda menos, do que usar tinta para eliminar o branco, que aparecia mais do que tudo, e dar vida à agência, acabando com um erro histórico cometido pela empresa de design inglesa, a Landor, em 1997.
Bradesco era o maior banco privado do país naquela época. Tinha uma fachada onde enormes letras vermelhas eram reconhecidas à distância, principalmente pelos correntistas analfabetos. Alguém teve a ideia de fazer um rebranding, que criou a árvore símbolo e trocou o fundo todo por branco. Dizem as más línguas que o fluxo nas agências caiu, porque ninguém achava mais as agências num mundo de placas e mais placas. Landor retrabalha, cria um fundo vermelho com uma onda à la Coca e salva o trabalho original.
Passam-se os anos, o banco perde a liderança, sofre, sofre, e resolve renascer nas mãos da nova diretoria. Entre as mudanças, a volta do vermelho na fachada. Não sei você, mas adorei. Se todo mundo começar a enxergar as agências, antes invisíveis, quem sabe o banco não volte a sonhar em disputar a liderança...
É impressionante a diferença que uma cor faz na vida de uma marca!

Sonho de 10 em cada 10 ricos de Terra Brasilis, é a marca de tênis que mostrava que você havia feito uma viagem ao exterior. O produto sempre entrou contrabandeado nos pés de quem chegava de fora e carimbava o seu dono como alguém que sabia de tudo.
Desde 2019, já não era assim tão difícil de comprar, pois a empresa passou a distribuir nuns 200 pontos de vendas, mantendo sempre o ar de exclusividade. É bom lembrar que o tenista Roger Federer é sócio e que suas vitórias em quadra ajudaram a fazer da On uma marca desejada.
Num mundo polarizado entre Nike e adidas, ainda mais em tempos de Copa, é interessante ver os movimentos do mundo dos calçados esportivos. Em janeiro, tinha sido a vez da americana Skechers abrir sua primeira loja própria em território nacional, no meio de uma briga judicial com seu importador oficial. Quase que uma mensagem para todos de que "o problema não sou eu". Só que começou por um Outlet. Parece que quer reforçar que está em liquidação...
Talvez esse seja o ponto mais interessante nesses movimentos. Cada ação que você toma, reforça, ou não, seu posicionamento. On abrir num shopping de classe alta, o JK Iguatemi, passa a imagem oposta da Skechers estrear no Só Marcas Outlet. Tem mercado pros dois? Tem. Mas é muito interessante ver as empresas construindo suas imagens de marca tijolo por tijolo. Um On básico vale, mediamente, dois ou três Sketchers. A americana faturou duas a três vezes mais do que a suíça, em 2025. Ou seja, cada estratégia tem seus altos e baixos. Nenhuma é errada, só é uma escolha.
No fundo, são as pequenas decisões que fazem o sucesso ou o fracasso das empresas.
Adoro essas aulas de marketing ao vivo!

Isso, quando o time já tinha saído do sufoco e virado o resultado a seu favor. Leio e me simpatizo. Descubro que ela está convivendo tanto com humanos que está aprendendo a cometer erros.
O fato foi descoberto pelo G1. Algum desavisado na redação, no meio da partida, resolveu perguntar qual seria o próximo jogo do Brasil e ficou sabendo que o time foi eliminado pelo adversário. Pronto! Foi pras capas dos principais veículos de comunicação, que apontaram o dedo dizendo "Google erra o placar contra o Japão".
Li e vi maldade. No fundo, estamos todos torcendo contra a Inteligência Artificial, que chegou sem avisar e nos mostrou o quanto somos ignorantes. Erros como esse são um prato cheio pra provar que ela não é assim tãããããão inteligente. O fato mostra que ainda podemos ter esperanças.
A imprensa vive matando celebridades e sendo obrigada a ressuscitá-los. Pelé, Faustão, Sílvio Santos, Jô Soares e até Alfred Nobel já foram dados como falecidos, com direito a cobertura e descobertura jornalística. Em todos os casos, o desmentido sempre foi uma prova de que nós, humanos, erramos. O escritor Mark Twain, inclusive, criou a famosa frase: “os relatos da minha morte foram muito exagerados”.
Quando a gente erra, a gente erra. Quando é a IA, ela alucina. Jeito legal de minimizar o erro e que, a partir de hoje, vou adotar na minha vida. Portanto, qualquer coisa que eu faça e não seja um acerto, pode apostar, foi culpa das minhas alucinações.
No fundo, Google mostra que quanto mais desenvolvida for a IA, mais humana ela vai ser. Pois como já dizia o ditado: Errar é humano...

Depois que ele se separou da Vênus Platinada, ficou moderninho. Foi pro SBT e começou a fazer comerciais pra tudo quanto é lado. Mas um desses "reclames", como diria Sílvio Santos, me chamou a atenção. Ele aparece ao lado do FariaLimer mais famoso, o Menzinho, falando das maravilhas do VW Sign&Drive.
É muito pra um comercial só. E o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim resolveu se manifestar, me obrigando a entender o que está acontecendo. Acontece que a Volkswagen Financial Services, a VWFS, resolveu tomar pra si as dores de um tipo de venda de carros que, parece, ninguém mais está preocupado: a assinatura.
Vamos esclarecer. Essa é uma nova modalidade para se obter mobilidade. Diria que é a antiga ideia de locação, que faz o sucesso de empresas como Localiza, com uma pitada de longo prazo. Pra quem cresceu, como eu, numa época em que aluguel de carro era caríssimo, parece um mundo novo. E como tudo que é novo, alguém tem que ensinar pro consumidor as suas vantagens.
Teve um boom de empresas de carro por assinatura abrindo e fechando, no mundo todo. Por aqui, a Awto, a ZazCar e até a Porto Seguro Carro Fácil deram as caras, acumularam prejuízo e foram embora. O braço financeiro da montadora alemã, além de ficar, ainda virou professora.
Na ponta do lápis, a assinatura faz muito sentido. Somem despesas como IPVA, Seguro, manutenção, depreciação. Você pega, assina por internet, recebe e é só pagar a mensalidade, como faz com a conta do seu celular. Mas no emocional, muita coisa muda. Você deixa de ser "dono" (nunca foi, enquanto estava pagando o boleto do banco...). E não tem o bem, mesmo valendo menos, pra vender depois. É muita mudança no fundinho do coração, pra trocar de um dia pra outro.
A financeira sabe disso. E já que ninguém quer ensinar, ele resolveu tomar a dianteira. O Galvão é o lado emocional, que traz a confiança que uma pessoa como ele transmite. O Menzinho é o lado racional, que explica por A mais B porque a assinatura vale a pena.
Os concorrentes se esconderam e VWFS resolveu assumir a bandeira e educar o consumidor? Meu Bichinho me diz que a estratégia pode funcionar. Afinal, em terra de cego, quem tem um olho é rei...

Tinha certeza de que os problemas haviam terminado. Tanto que a empresa, depois do rombo de mais de R$ 40 bilhões, havia pedido pra sair da recuperação judicial. Quer prova melhor de que o mundo voltou a sorrir?
Parece que a nova ação da PF é voltada a investigar o quanto o grupo de controladores e os altos executivos dos bancos sabiam do problema e olharam para o lado, em vez de resolvê-lo. Mas não é isso que me assustou.
Fiquei pensando que, de 2022 para cá, pelo menos dois tsunamis financeiros atingiram Terra Brasilis. Além das Americanas, o escândalo do #BancoMaster bateu na cara de cada um de nós como um sinal do desprezo de certas pessoas pelo trabalho honesto. Sabe aquele ato heroico de se levantar todo dia e ir se esforçar pra ganhar seu pobre dinheirinho? Tenho impressão de que isso está fora de moda, aqui em nosso país.
Não pode ser coincidência que, além desses dois casos, a gente veja um aumento vertiginoso de recuperações judiciais e de grandes empresas anunciando seus fins. Colocar a culpa nas mudanças que a internet vem fazendo é fingir que o vilão é algo misterioso e que ninguém controla. Enquanto isso, milhares de pequenas empresas e investidores pagam o pato, pois ajudam a financiar esses escândalos. Pior, sem terem sido consultados.
Creio que a verdadeira crise que estamos passando é a de honestidade. Estamos nos tornando a sociedade do jeitinho, do fora da lei porque nada de mal vai acontecer. Isso me entristece. Pois o risco é acharmos normal esses "pequenos problemas contábeis" e esquecermos do que aconteceu ontem pelo novo recorde de hoje.
E como ninguém aguenta pensar nisso por muito tempo, a gente faz o que sempre faz: muda de assunto e espera a Seleção salvar a semana. Quem sabe não viremos a primeira seleção com seis taças nas costas? Vai, Brasa!
