Isso, quando o time já tinha saído do sufoco e virado o resultado a seu favor. Leio e me simpatizo. Descubro que ela está convivendo tanto com humanos que está aprendendo a cometer erros.
O fato foi descoberto pelo G1. Algum desavisado na redação, no meio da partida, resolveu perguntar qual seria o próximo jogo do Brasil e ficou sabendo que o time foi eliminado pelo adversário. Pronto! Foi pras capas dos principais veículos de comunicação, que apontaram o dedo dizendo "Google erra o placar contra o Japão".
Li e vi maldade. No fundo, estamos todos torcendo contra a Inteligência Artificial, que chegou sem avisar e nos mostrou o quanto somos ignorantes. Erros como esse são um prato cheio pra provar que ela não é assim tãããããão inteligente. O fato mostra que ainda podemos ter esperanças.
A imprensa vive matando celebridades e sendo obrigada a ressuscitá-los. Pelé, Faustão, Sílvio Santos, Jô Soares e até Alfred Nobel já foram dados como falecidos, com direito a cobertura e descobertura jornalística. Em todos os casos, o desmentido sempre foi uma prova de que nós, humanos, erramos. O escritor Mark Twain, inclusive, criou a famosa frase: “os relatos da minha morte foram muito exagerados”.
Quando a gente erra, a gente erra. Quando é a IA, ela alucina. Jeito legal de minimizar o erro e que, a partir de hoje, vou adotar na minha vida. Portanto, qualquer coisa que eu faça e não seja um acerto, pode apostar, foi culpa das minhas alucinações.
No fundo, Google mostra que quanto mais desenvolvida for a IA, mais humana ela vai ser. Pois como já dizia o ditado: Errar é humano...

Depois que ele se separou da Vênus Platinada, ficou moderninho. Foi pro SBT e começou a fazer comerciais pra tudo quanto é lado. Mas um desses "reclames", como diria Sílvio Santos, me chamou a atenção. Ele aparece ao lado do FariaLimer mais famoso, o Menzinho, falando das maravilhas do VW Sign&Drive.
É muito pra um comercial só. E o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim resolveu se manifestar, me obrigando a entender o que está acontecendo. Acontece que a Volkswagen Financial Services, a VWFS, resolveu tomar pra si as dores de um tipo de venda de carros que, parece, ninguém mais está preocupado: a assinatura.
Vamos esclarecer. Essa é uma nova modalidade para se obter mobilidade. Diria que é a antiga ideia de locação, que faz o sucesso de empresas como Localiza, com uma pitada de longo prazo. Pra quem cresceu, como eu, numa época em que aluguel de carro era caríssimo, parece um mundo novo. E como tudo que é novo, alguém tem que ensinar pro consumidor as suas vantagens.
Teve um boom de empresas de carro por assinatura abrindo e fechando, no mundo todo. Por aqui, a Awto, a ZazCar e até a Porto Seguro Carro Fácil deram as caras, acumularam prejuízo e foram embora. O braço financeiro da montadora alemã, além de ficar, ainda virou professora.
Na ponta do lápis, a assinatura faz muito sentido. Somem despesas como IPVA, Seguro, manutenção, depreciação. Você pega, assina por internet, recebe e é só pagar a mensalidade, como faz com a conta do seu celular. Mas no emocional, muita coisa muda. Você deixa de ser "dono" (nunca foi, enquanto estava pagando o boleto do banco...). E não tem o bem, mesmo valendo menos, pra vender depois. É muita mudança no fundinho do coração, pra trocar de um dia pra outro.
A financeira sabe disso. E já que ninguém quer ensinar, ele resolveu tomar a dianteira. O Galvão é o lado emocional, que traz a confiança que uma pessoa como ele transmite. O Menzinho é o lado racional, que explica por A mais B porque a assinatura vale a pena.
Os concorrentes se esconderam e VWFS resolveu assumir a bandeira e educar o consumidor? Meu Bichinho me diz que a estratégia pode funcionar. Afinal, em terra de cego, quem tem um olho é rei...

Tinha certeza de que os problemas haviam terminado. Tanto que a empresa, depois do rombo de mais de R$ 40 bilhões, havia pedido pra sair da recuperação judicial. Quer prova melhor de que o mundo voltou a sorrir?
Parece que a nova ação da PF é voltada a investigar o quanto o grupo de controladores e os altos executivos dos bancos sabiam do problema e olharam para o lado, em vez de resolvê-lo. Mas não é isso que me assustou.
Fiquei pensando que, de 2022 para cá, pelo menos dois tsunamis financeiros atingiram Terra Brasilis. Além das Americanas, o escândalo do #BancoMaster bateu na cara de cada um de nós como um sinal do desprezo de certas pessoas pelo trabalho honesto. Sabe aquele ato heroico de se levantar todo dia e ir se esforçar pra ganhar seu pobre dinheirinho? Tenho impressão de que isso está fora de moda, aqui em nosso país.
Não pode ser coincidência que, além desses dois casos, a gente veja um aumento vertiginoso de recuperações judiciais e de grandes empresas anunciando seus fins. Colocar a culpa nas mudanças que a internet vem fazendo é fingir que o vilão é algo misterioso e que ninguém controla. Enquanto isso, milhares de pequenas empresas e investidores pagam o pato, pois ajudam a financiar esses escândalos. Pior, sem terem sido consultados.
Creio que a verdadeira crise que estamos passando é a de honestidade. Estamos nos tornando a sociedade do jeitinho, do fora da lei porque nada de mal vai acontecer. Isso me entristece. Pois o risco é acharmos normal esses "pequenos problemas contábeis" e esquecermos do que aconteceu ontem pelo novo recorde de hoje.
E como ninguém aguenta pensar nisso por muito tempo, a gente faz o que sempre faz: muda de assunto e espera a Seleção salvar a semana. Quem sabe não viremos a primeira seleção com seis taças nas costas? Vai, Brasa!

Antes que me crucifiquem (os contra) ou me endeusem (os a favor), vale explicar que o foco vai ser a educação e uma ação que realmente me deixou maravilhado.
Tinha passado despercebido, por mim, o lançamento do MECLivros. Talvez você também não saiba o que é, então vale explicar.
Em abril, o Ministério da Educação, o conhecido MEC, lançou uma biblioteca digital. Com mais de 25 mil títulos, qualquer brasileiro pode entrar e "pegar emprestado" um livro pra ler. Tem de tudo, em termos de ficção. Até livros como os best-sellers 'Torto Arado' e o 'A cabeça do Santo'. Só nesses dois, você teria economizado mais de cem reais.
Mas a questão não é a sua economia, mas a possibilidade dada a milhões de brasileiros que não têm esse dinheiro pra gastar em literatura. Sei o que estou falando, pois cresci visitando diariamente a biblioteca pública de BH. Não sei quem eu seria sem essa ajuda. Os livros e bibliotecários foram meus companheiros por anos, sem que precisasse colocar um real. Real, aliás, que meus pais não tinham.
Indo atrás de informação sobre o MEC Livros, me impressionaram duas coisas: Primeiro, o número de pessoas que já está acessando a plataforma: ultrapassou os 850 mil, dos quais quase metade pegou um livro pra ler. São 3.400 livros emprestados por dia. Segundo, o quão pouco a imprensa falou do assunto. Não achei nenhum grande texto falando dessa biblioteca virtual nos grandes veículos de comunicação. É como se fosse um assunto pouco importante.
Hoje, tenho minha biblioteca particular. Mas continuo frequentando as públicas em todos os lugares que vou. O MEC Livros é um bom uso do meu dinheiro de impostos. Não sei se isso resolve o Brasil. Mas desconfio que o futuro de um país sem livro é um pouco mais pedregoso...

Ela ficou ali, quietinha, fazendo o básico, "de boa", sem muito barulho. Enquanto isso, a concorrente argentina inventava patrocínio de estádio de futebol, comprava farmácia de tijolo e concreto, patrocinava BBB. Até a Shopee tava fazendo mais bagunça do que a empresa de Jeff Bezos.
Com a chegada da Amazon Basics no Brasil, penso que começo a entender a estratégia da americana. Ela está na corrida pelo melhor lucro por venda, não pelo volume total. Quer dizer... já que ficou muito pra trás, o jeito é melhorar o resultado por venda, pra fortalecer a empresa.
Meli é, hoje, pouco mais de três vezes maior do que Amazon. Virou a única potência que realmente pode brigar de igual por igual. Foram R$ 138 bilhões versus R$ 39 bilhões, de faturamento, em 2024. Isso faz muita diferença. Mas Amazon é Amazon, não é mesmo? Quinta maior empresa do mundo, com um faturamento de quase R$ 4 trilhões. Terra Brasilis é menos de 1% de tudo que ela vende. Então, não somos prioridade pra ela.
Aí que entra a linha de marca própria, a Amazon Basics. Você realmente se importa com a marca do envelope que vai comprar? Ou dos cabides de roupa? Ou do suporte de guitarra? Pois é. Tudo isso está no catálogo de oferta. E como toda marca própria, a promessa é alta qualidade por um menor preço do que a líder de mercado. Garantido pela Amazon. Compro de olhos fechados.
E como eu, 34% dos lares brasileiros têm algum produto de marca própria, principalmente dos supermercados brasileiros. A gente já descobriu esse tipo de oferta, mas ainda não nos apaixonamos. Enquanto, na Europa, marcas próprias já chegam perto de 40% das vendas em alguns varejos, no nosso país esse número ainda está na casa dos 15%. Tem muito chão ainda pela frente.
Conhecendo a cabeça de executivo, diria que estamos a um passo de ver surgir a Meli Basics. Pode apostar. Não vira o ano sem a grande concorrente colocar a versão dela no mercado. Aí, talvez, a diferença imaginada pela Amazon não seja assim tããããão diferente.
