Ela ficou ali, quietinha, fazendo o básico, "de boa", sem muito barulho. Enquanto isso, a concorrente argentina inventava patrocínio de estádio de futebol, comprava farmácia de tijolo e concreto, patrocinava BBB. Até a Shopee tava fazendo mais bagunça do que a empresa de Jeff Bezos.
Com a chegada da Amazon Basics no Brasil, penso que começo a entender a estratégia da americana. Ela está na corrida pelo melhor lucro por venda, não pelo volume total. Quer dizer... já que ficou muito pra trás, o jeito é melhorar o resultado por venda, pra fortalecer a empresa.
Meli é, hoje, pouco mais de três vezes maior do que Amazon. Virou a única potência que realmente pode brigar de igual por igual. Foram R$ 138 bilhões versus R$ 39 bilhões, de faturamento, em 2024. Isso faz muita diferença. Mas Amazon é Amazon, não é mesmo? Quinta maior empresa do mundo, com um faturamento de quase R$ 4 trilhões. Terra Brasilis é menos de 1% de tudo que ela vende. Então, não somos prioridade pra ela.
Aí que entra a linha de marca própria, a Amazon Basics. Você realmente se importa com a marca do envelope que vai comprar? Ou dos cabides de roupa? Ou do suporte de guitarra? Pois é. Tudo isso está no catálogo de oferta. E como toda marca própria, a promessa é alta qualidade por um menor preço do que a líder de mercado. Garantido pela Amazon. Compro de olhos fechados.
E como eu, 34% dos lares brasileiros têm algum produto de marca própria, principalmente dos supermercados brasileiros. A gente já descobriu esse tipo de oferta, mas ainda não nos apaixonamos. Enquanto, na Europa, marcas próprias já chegam perto de 40% das vendas em alguns varejos, no nosso país esse número ainda está na casa dos 15%. Tem muito chão ainda pela frente.
Conhecendo a cabeça de executivo, diria que estamos a um passo de ver surgir a Meli Basics. Pode apostar. Não vira o ano sem a grande concorrente colocar a versão dela no mercado. Aí, talvez, a diferença imaginada pela Amazon não seja assim tããããão diferente.

Menos Emil Anners Lappen. Eu vi aquela cena, o estádio se movendo junto, como se fosse um, e aquele cara lá…parado…emburrecido. O mundo comemorando e ele… imóvel. Não tem como não ficar afetado pelas duas coisas.
Noruega não participa da Copa faz 28 anos. É um feito. E já se classificou pra próxima fase. Ou seja, vem mais remada aí. O gesto apareceu numa torcida organizada, virou o símbolo do país e até os senadores noruegueses o repetiram depois da classificação. Dá uma sensação de união, gera um espírito de equipe.
Mas o que significa o ato solitário do Emil? Depende do ângulo que você olha.
Primeiro, pode parecer teimosia, falta de companheirismo, o cara que nunca aceita a opinião dos outros, que não se rende ao coletivo. Aquele funcionário que sempre reclama, que nunca tá satisfeito.
Segundo, exatamente o oposto. A visão daquele que vê o mundo com outros olhos e traz a novidade, o diferente. Que precisa lutar contra tudo e contra todos pra mudar o mundo.
No fundo, você está pensando: mas é somente uma remada. Mas é de remadas que são feitas as empresas, as amizades, os casamentos. A questão nunca é remar. É seu olhar sobre o que ela representa.

No Brasil e nos Isteites. O interessante é saber que as quatro primeiros versões do desenho animado sempre tiveram mais público do que as anteriores. Normalmente, as sequências vão perdendo a graça e o público. Neste caso, já estamos quase gerando duas trilogias e os resultados só melhoram. Mas qual é o segredo deste sucesso?
Com certeza não é porque quem assistiu o primeiro queira assistir os demais. Entre a primeira versão e esta, passaram-se 31 anos. Uma média de um filme a cada sete anos. Dá pra ver que a Disney está sempre mirando novas gerações. Que acabam indo ao cinema, levados pelas gerações anteriores.
A criança que viu o primeiro Toy Story já virou pai ou mãe, hoje em dia. E manter a franquia em foco ajuda a vender produtos, seja nos parques da Disney, seja nos produtos franqueados. Assista a análise que faço no meu vídeo.
Aí descubro que ele vale R$ 358 milhões. Jogador de algum time europeu, está na Copa pela Seleção Espanhola e, cada vez que encosta na bola, alguns milhares de dólares entram na sua conta bancária. Por outro lado, o goleiro Vozinha, que virou um fenômeno nas Redes Sociais por conta da CazéTV, também era um completo desconhecido pra mim. Mas esse é baratinho. Vale o mesmo que um Toyota Corollla Cross zero quilômetro. Até dá pra comprar.
Precisei ver as matérias sobre a Copa do Mundo e o preço dos jogadores pra entender que somos mercadorias. Nós, os seres humanos. Tudo, no final, vira dinheiro. E o valor do passe dos jogadores me lembra essa terrível verdade.
Com um espanhol você compra três Vini Júniors, o jogador brasileiro mais valioso. E ainda sobra um troco pra levar uma dezena de Vozinhas pra casa. Ou leva direto mais de 1.500 goleiros do Cabo Verde pro seu plantel. Aliás, se a gente colocar um Yamal jogando contra esses goleiros todos, será que ainda assim ele consegue fazer um gol?
Chego a conclusão se somos carne, algumas vezes de primeira, outras não. As nossas angústias, frustrações, emoções e alegrias viram valor de mercado, o tempo todo. O salário que recebemos, no fundo, também é um jeito de sermos valorizados e comparados. O presidente de uma empresa vale dez, vinte, cem vezes um funcionário de chão de fábrica. Só que a gente se acostumou a pensar nisso como uma troca pelo nosso trabalho e não como etiqueta de preço.
O que me conforta é ver que nossos valores variam de acordo com o lugar onde estamos. O Yamal pode valer muito. Só que, nas figurinhas da Copa, o grande campeão é o Vini Jr. O grande problema é que, nem no álbum, o Vozinha parece ter o valor que merece…

Era uma placa. Uma placa! A CB* chamou na chincha e botou uma notificação extrajudicial. Pegou também no pé da 99, dizendo que o aplicativo de entregas não pode falar a respeito dos seus jogadores. Virou dona do nome Endrik. Aproveitou e botou no mesmo rolo a BYD, que iluminou um número no chão.
Não satisfeita, a C*F foi atrás também do Bradesco, por conta do comercial com a música da Ivete, e do Nubank, que só mostrou sinais de sorte por todos os lados (CLIQUE AQUI). Pura implicância. Não entendi por que a *BF está se preocupando com campanhas tão inocentes...
Foi dada a largada para o concurso do melhor Marketing de Emboscada da Copa do Mundo 2026! Todo mundo tentando tirar uma lasquinha do maior campeonato futebolístico mundial (inclusive eu...). O comportamento da CB* e da Fifa de notificarem todos os não-patrocinadores, de que estão se aproveitando de um evento a que eles não têm direito, é legal. Mas não é "legal".
É legal, porque é defensável por lei. Essas empresas não pagaram pra estar ali. Isso é fácil de entender. Mas não é "legal", porque diminui a Copa ao longo do tempo. Pagou? A empresa fala. Não pagou? Justiça nela. E, aos poucos, vai fazendo o tema ficar menor, restrito aos poucos que botaram dinheiro.
A Copa é o carnaval do Futebol. Está na boca de todos e mexe com a emoção. Mas para isso, precisa ser popular. As conversas paralelas botam lenha na fogueira. *BF está usando um extintor pra controlar o fogo.
Mas tem um ponto positivo no que ela tem feito. Quanto mais proíbe, mais criativas ficam as formas de falar da Copa, sem falar da Copa. No final, está ajudando a voltar ao tempo das grandes campanhas.
Parabéns, C*F!