Voltar

Adoro dizer que uma marca não pertence às empresas, mas aos consumidores.

27/05/2026
Postado por: Murilo Moreno

São eles que fazem o sucesso de cada uma delas, ao gostar e se envolver emocionalmente. Ferrari é uma que vive dessa relação. O engraçado é que pouca gente tem um carro do Cavalinho Rompante, mas muitos vivem de expressar sua paixão por essa “macchina”…

Só isso pra explicar o tanto que o lançamento da Ferrari Luce gerou de polêmica. É o primeiro modelo totalmente elétrico feito em Maranello. Vai custar R$ 3,2 milhões, sem considerar impostos. Tem quatro portas, cinco lugares e espaço pra malas. Quer mais alguma coisa pra ter certeza que a marca está rompendo com o passado? As cores de lançamento estão longe de ser somente vermelho ferrari...

O mercado reagiu com a queda das ações. 8% somente na terça, depois de ter levado um tombo de 14% em outubro do ano passado, com o anúncio dos resultados e planos para o futuro. Isso em Milão. O herdeiro dos Agnelli nem deve ter ficado preocupado. Afinal, o que são 15 bilhões de dólares de perda? Dinheiro de pinga, não é mesmo?

O importante aqui é perceber duas coisas: Todas as empresas de automóvel parecem que perderam o GPS. Cada uma está tateando procurando a saída do buraco negro que virou a indústria automotiva. Jaguar tentou ser um carro hype e só conseguiu uma crise. Porsche pisou no freio do elétrico depois de perder bilhões de dólares. Outras tantas estão indo e voltando nos planos de eletrificação. Enquanto isso, sobram carros elétricos chineses, pra quem quiser.

Segundo, que quanto maior o sucesso, mais difícil romper com o passado. A marca virou refém de tudo que fez até o momento. Fazer diferente custa caro. No mínimo, em milhares de comentários questionando o que vem pela frente. Até que o carro vai direto pro ferro velho andaram escrevendo. Imagina!

Se virar um fenômeno de vendas, vai tapar a boca de muita gente. Se não tiver encomendas, é só não fabricar. Ferrari é feito a mão mesmo, sob encomenda. Difícil vai ser quando a gente passar na frente de uma das suas lojas e ver um cartaz colado dizendo: "Promoção! Aproveite! Ferrari Luce sem entrada, em 12 vezes no cartão, sem juros!" Aí sim, vamos poder começar a rezar...

 

Leia também
Ler artigo
Postado por: Murilo Moreno
No sexto ano que faço essa comparação, esta é a primeira vez que o preço do carro mais barato do Brasil cai.

E mais do que isso, o título muda de mãos. Deixa a dupla Mobi x Kwid e vai pro Citroen C3.

O modelo sai por R$ 76.990,00 dois mil reais a menos do que custava o Fiat no ano passado e que está por R$ 83.490,00 no site da montadora. Considerando-se que os dois são da Stellantis, eles estão ensanduichando o Renault, que é vendido por R$ 82.790,00. Como estratégia é interessante, mas é difícil de entender como o francês, carro lançado em 2022, está mais barato que o italiano, que chegou no mercado em 2016.

Mas por que afirmo que o preço despencou? Porque meus dois parâmetros me mostram isso. Vamos começar com o salário mínimo. Quem comprar o C3 hoje vai ter que trabalhar quase meio ano a menos pra pagar o possante. De 52 para 47 meses. Mas vai valer a pena não ter dinheiro pra mais nada... Ainda assim, quatro anos. Além de economizar no combustível, pois comendo menos BigMac, vai pesar menos ao volante.

Só pra lembrar, o Big Mac Index foi criado pela revista The Economist para comparar o poder de compra em diferentes países e entre diversos anos, já que o sanduba do McDonalds sempre é feito com os mesmos ingredientes, em todo lugar do mundo. Este ano, com o preço do sanduíche, o dono do C3 iria passar fome. São "só" 2.961 versus os 3.292 do ano passado. Apenas 8 por dia do ano. Nem Ozempic consegue diminuir tanto assim o apetite dos compradores do novo líder de preço baixo!

De todo jeito, estamos sentindo o Efeito China nos preços das marcas tradicionais. Tem BYD Dolphin Mini sendo ofertado abaixo da linha mágica de cem mil reais. Se as antigas donas do mercado não apertarem os cintos, daqui a um ano vai ter chinês no posto de mais barato do país, no "Índice Murilo". É esperar pra ver.

E pensar que, em 2020, quando fiz a primeira comparação, um Hyundai Creta top custava R$ 105 mil...

 

 

 

25/05/2026
Ler artigo
Postado por: Murilo Moreno
Se você for como eu, reparou muito mais na mudança da personagem do que nos traços do logotipo.

De propósito, coloquei a Mônica de 1970, a recém aposentada Mônica, que deixa de existir a partir deste mês, e a novata Mônica, que estreou na última revistinha em quadrinhos lançada.

Veja que os traços dão saltos enormes. A primeira tem personalidade, mas parece artesanal. A segunda tem um quê de Disney, fofinha e toda certinha. A mal-humorada de 2026 rompe com o traço bonitinho e ganha expressões mais claras. Num mundo de Galinhas Pintadinhas e influencers fazendo Unboxing, chamar a atenção da criançada ficou mais difícil.

Mas a grande mudança que se esconde na nova Revista da Mônica nº 1, que a MSP Estúdios colocou nas bancas, é a mudança da marca. Desde a primeira revistinha, em 1970 (peraí que me perdi... a primeira é em 1970 ou em 2026? Que bagunça é essa, Maurício?)... voltando... desde aquela primeira "primeira de verdade", o jeito de desenhar o nome da personagem não muda. 56 anos sempre igual. Letras com cantos retos, quase um desenho, uma a uma. Agora, tudo arredondado, e com cara de comportadinha. A anterior era mais divertida. Mas 56 anos são 56 anos. Talvez pesem.

De toda forma, foi uma evolução sutil, que as boas marcas fazem. Consistente. Agora, resta ver como a Mônica vai lidar com suas emoções, nesta nova fase da vida. Ainda mais que, em tempos de TikTok, só bater nos meninos talvez não seja o suficiente pra garantir as vendas...

 

24/05/2026
Ler artigo
Postado por: Murilo Moreno
Saio do elevador num prédio comercial e dou de cara com um daqueles mercadinhos em que você pega, paga e vai embora.

Deu calafrio, pois sou traumatizado desde que um desses "grab and go" ficou com meu dinheiro e não devolveu, mesmo reclamando. A ironia é que a empresa cresceu, cresceu e... quebrou. Minha mandinga funcionou, mas meus 13 reais não voltaram.

Só que desta vez um pequeno detalhe me chamou a atenção. A empresa se chama Ernesto, o Honesto. E fiquei olhando, num misto de admiração e incredulidade. Tem que ser muito corajosa pra dizer que é honesta, pois esse é um conceito que varia de pessoa a pessoa, de país a país. E, teoricamente, não deveria ser um diferencial.

Mas estou em São Paulo e resolvo pousar, vindo dos meus pensamentos. Realmente, esse é o tipo de negócio em que o roubo faz parte do custo. Vivo vendo brigas entre condomínios e empresas.

Numa, vi os pais tirando o corpo fora e dizendo que não pagariam os chocolates e refrigerantes furtados por seus filhos adolescentes, pois eles não eram responsáveis por vigiar o que os meninos faziam. Fiquei preocupado pelo futuro do país, não por causa dos filhos, mas pela visão dos pais. Noutra, tinha um cartaz no elevador falando que iriam suspender a venda de Coca Cola, pois os rótulos estavam sendo arrancados, pra se roubar as figurinhas da Copa. Isso, antes do Neymar ser convocado!

Neste caso, a lembrança de que furtar é crime não está somente insinuada no nome, mas na tela da maquininha de pagamento, que chega a citar o código penal.

Mas pau que dá em Chico, dá em Francisco, e o meu pensamento foi: então, se o Ernesto é realmente honesto, os preços precisam ser baratos. E resolvi testar, comprando um Sneakers, que sei de cor e salteado quanto pago. R$ 5,99. Olha, não está caro, pois vivo achando por sete, oito reais em padarias que deveriam ser mais baratas do que o Ernesto. Aprovado!

Fui embora com minha barra de chocolate e a certeza de que honestidade virou artigo de luxo...

23/05/2026
Desenvolvido por A9 Comunicação.