Ou sempre pensamos, parte por parte, mas não entendemos as consequências que uma ação pode fazer em outra. Essa "brisada" me surgiu vendo o vídeo da Unitree Robotics e de seu cachorro com rodas. A flexibilidade e a agilidade dele me fizeram pensar o que podemos enfrentar em poucos anos, com a evolução dos robôs e da Inteligência artificial.
Em tudo a IA e os robôs são superiores ao ser humano. Só lhes falta a imaginação. Ou a gente, vaidosamente, acha que falta. Considerando que nós, humanos, estamos na Terra há alguns milhares de anos, evoluindo o corpo e a mente, e que eles acabaram de nascer (lembre-se que o ChatGPT "veio ao mundo" no final de 2022), dá pra apostar que eles vão estar em melhor forma em 2036 do que a humanidade.
Sempre que penso nisso, me lembro do meu autor predileto, o Isaac Asimov, e suas leis da robótica, que proibiriam um robô de fazer mal a um ser humano. Mas tem sempre um pouco de Exterminador do Futuro, com o ciborgue que voltava ao passado pra matar a mãe do líder dos revolucionários de carne e osso, John Connor. A gente vive numa gangorra entre acreditar que o futuro vai ser lindo ou um horror.
Voltando ao Unitree AS-2, colocaram rodas num cachorro robótico e, com isso, deram velocidade e flexibilidade ao robozinho. Ele consegue fazer movimentos que nenhum humano repetiria. E com um raciocínio de IA, a reação ao mundo ao seu redor seria impossível de ser acompanhada. Lembra dos robôs da EngineAI lutando boxe? Imagine você tentando evitar um soco desses pugilistas, ou uma mordida desse cão...
Meu pavor sempre me faz lembrar que a humanidade já teve medo dos arados, no meio da Idade Média, das colheitadeiras manuais, na Idade Moderna, e das linhas de produção, na Idade Contemporânea. Talvez seja nossa sina, viver preocupados com o futuro, até porque temos medo da morte. E esses cenários apocalípticos são a morte em vida.
Ter medo talvez seja mais humano que a criatividade. Então, se realmente os robôs evoluírem, podemos ficar tranquilos. Medo é o presente que vamos deixar pra eles...
E juro que não é sobre os 50 anos, mas sobre a vida...
Estive no Mineirão, na festa de aniversário da montadora. Eu e mais 40 mil pessoas. Não tinha como não se emocionar, revendo tantos amigos e relembrando vários momentos pelos quais passei. Estavam lá funcionários, imprensa, concessionários, autoridades e até clientes. Quase todos comemorando o tempo da empresa no Brasil. Eu, revendo minha trajetória de vida.
Em 2001, a empresa era outra, muito menor e menos organizada. Pelo menos, assim me lembro dela. Mas havia acabado de se tornar líder, no finalzinho de 2000, e lutava contra a Volkswagen para ser a maior do país durante um ano inteiro. Terminaram tecnicamente empatadas.
A mensagem da campanha dos 25 anos era um claro convite à mudança (CLIQUE AQUI). "Mude, mas comece devagar, porque direção é mais importante que a velocidade..." Outros 25 anos depois, a montadora confessa, na campanha de 50 anos, que é fã do Brasil. E os brasileiros, fãs da marca. Só não conta o tanto que teve que mudar pra continuar no mesmo lugar, na liderança.
Esse é o ponto. Como dizia Heráclito, o filósofo grego, "a única coisa que não muda é a mudança". Quem comprava carro em 2001 tinha outros desejos do que quem compra hoje em dia. Então, pra permanecer no mesmo lugar, Fiat teve que correr muito atrás de se reinventar.
Essa é a nossa vida, um eterno mudar. A gente se vê como seres imutáveis, mesmo quando trocamos o corte do cabelo, o jeito de vestir ou os hábitos alimentícios. No fundo, a gente acredita que pensa sempre do mesmo jeito, que age da mesma forma. Aí assiste um vídeo antigo, lê um pedaço de um "diário" de adolescente, ou ouve os comentários de uma tia e se assusta com as mudanças pelas quais passamos.
Ainda bem que mudamos. Rever meus amigos nos 50 anos de Fiat foi mais do que uma comemoração da história de uma empresa. Foi entender que o que vale na vida é a aventura, é o caminho. Como diz o comercial de 2001: "Sem o qual, a vida não vale a pena".
Auguri Fiat!
Agora que passou um mês que as duas fabricantes de esmalte lançaram suas linhas de produtos inspirados em chocolate, podemos especular sobre essa "coincidência". Risqué, da francesa Coty, lançou uma linha com a KitKat, da suíça Nestlé. Impala, da brasileira Mundial S.A. Oficial, com a também brazuca Cacau Show. Multinacional com multinacional, empresa local com empresa local. Realmente, os animais se reunem entre iguais...
Mas será que um dia os profissionais dessas esmaltarias acordaram e pensaram "Nossa! Como seria legal uma collab com uma fabricante de chocolates!". Acho difícil... Pensando no que acontece no mercado automotivo, apostaria que um fabricante de essências inventou um jeito dos esmaltes cheirarem a chocolate e saiu visitando as empresas e oferecendo sua criação. "Olha que legal... quando o esmalte seca, você passa a sentir o cheiro... Dava até pra fazer uma linha especial com uma fábrica de chocolates..."
E entre os primeiros papos e estar nas gôndolas, o famoso 'time to market', as empresas chegaram no mercado quase que ao mesmo tempo. Pelo menos na divulgação. Se você pesquisar, vai ver que a distribuição ainda não é muito ampla. Impala já está a todo vapor nas lojas. Risqué ainda difícil de achar. Mas os preços são muito parecidos, com a francesa custando meros nove centavos a mais. Menos de um por cento.
Considerando a pesquisa que a Criteo acabou de divulgar, a Health & Beauty Pulse 2026, essas novidades são importantes para manter as marcas na crista da onda. De acordo com o estudo, 53% das compradoras de produtos de beleza testam novas marcas a cada compra. É uma infidelidade muito grande, impulsionada por avaliações e reviews (46%) e
recomendações de amigos (37%). A IA já influencia a escolha em 15% das vezes. Pra quem tem menos de três anos de existência, está fazendo a diferença.
Talvez porque tenha chegado dias antes no mercado, talvez porque entenda melhor como surfar a IA, Impala e Cacau Show estão dando um banho na Risqué KitKat. Pesquisei três GPTs e todos eles, depois de falar que "nenhum é melhor do que nenhum", fofocaram que nas redes sociais só se fala das brasileiras.
No final, vai ter gente lambendo os dedos, não porque comeu chocolate, mas por causa do cheirinho do esmalte.
Adoro essas aulas de marketing ao vivo!

Ainda assim, vou meter a colher onde não fui chamado. Ambev lançou sua primeira cerveja proteica, no mundo. Quer dizer, a empresa anunciou que daqui a quase dois meses vai lançar o novo produto. Isso me cheira a pesquisa de boca de urna e o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou todo agitado.
Não é uma novidade assim tãããããããão grande. Já tiveram outras tentativas e todas saíram de produção. Menos a Beer Protein, que está desbravando esse segmento desde meados de 2024. Candidata clara a ser comprada pela Ambev, não é mesmo?
Pois a Spaten Pro é tudo, menos uma decisão óbvia. Lembre-se que essa é a cerveja do Spaten Fight Night, aquele da briga entre o Popó e o Wanderlei Silva, que acabou em barraco. Ou seja, "cerveja de macho", se você me permite ser preconceituoso. E que sempre reforçou esse ponto, como no seu último comercial. Agora vem na versão zero, sem calorias e com colágeno e Whey Protein. Talvez pra disfarçar o sabor, talvez para não correr o risco com um dos seus carros-chefe.
Pouca coisa saiu a respeito, lógico. Só se sabe que chega em setembro, apenas em SP e RJ, e que o sabor ainda pode evoluir. Na foto original, inclusive, quem segura o caneco é um homem. Seria implicância minha perguntar por que não é uma mulher, ou elas não gostam de cerveja? Puro teste de mercado misturado com inovação que cria imagem de marca. A Sproten (trocadilho ruim) é um risco pequeno, pra uma empresa que adora a aposta.
Esse é, com certeza, o ponto mais importante do lançamento. Ambev não é líder porque é grande e compra tudo. É porque aceita o risco como natural do negócio e quebra a cara diversas vezes. Mas quando acerta, o resultado compensa.
A Spaten Pro é mais uma dessas apostas, depois de cinco anos de pesquisa. Se der certo, vamos ver diversas "novidades" chegando ao mercado nos próximos anos. Se não, alguém na cervejeira vai fazer um X nesse segmento. Ou decidir comprar alguém que já deu certo...
Na gravação dos novos vídeos para o meu canal de YouTube, e talvez estimulado pelo aniversário de 50 anos da líder Fiat, Danilo A. me perguntou “na lata”:
- Murilo, como diria o presidente JK, os chineses vão fazer 50 anos em 5? Vamos ter uma montadora da China líder de mercado até 2031?
Minha resposta, sem nem pensar? Dê U, du, Vê I, vi, Dê Ó, dó. Duvido.
Quer saber por que? Assista o vídeo. E não se esqueça de deixar aqui a sua opinião. Depois dê uma passadinha no canal (ACESSAR) e veja mais análises sobre marketing e comportamento do consumidor, nos mais de mil e quatrocentos vídeos que já foram ao ar nesses últimos cinco anos.