Nós, publicitários, estamos sempre à busca de tendências, novidades, para usarmos nas comunicações de nossos clientes. Por isso, me chama muito a atenção dos novos comerciais da Nespresso e da Audi.
Nos dois casos, atores famosos passam o bastão para novas celebridades da GeraçãoZ e Millenial. Morgan Freeman narra e aparece rapidamente no novo comercial do Audi Q3, estrelado por Chase Infinit. George Clooney continua a passar o bastão para a nova embaixadora da hashtag#Nestlé, a cantora Dualipa (CLIQUE AQUI). De comum, as velhas gerações dão o aval a quem está chegando ao mercado de consumo.
Como comecei dizendo, não pode ser coincidência. Mostra muito mais uma preocupação de transferir o aval de uma geração para outra, num momento em que a Inteligência Artificial vai substituindo o boca-a-boca. Perguntar pra um GPT qualquer qual o melhor produto passou a ser comum. Google já sente a pressão das IA's que, além de roubarem audiência nas buscas, ainda entregam uma experiência mais completa.
Só que elas têm um repertório mediano, construído da opinião média. Pergunte qual o café para momentos de descontração, ou o carro para se ter liberdade, e esteja pronto para respostas as mais variadas possíveis, menos Nespresso e Audi. Realmente, as marcas têm muito a ensinar aos GPT's...
De todo modo, o que vemos é que os novos hashtag#consumidores entraram no radar das empresas, que olham pra si e descobrem que precisam se reinventar, sem perder ligação com o passado. O dinheiro está mudando de mãos e as hashtag#marcas sabem disso.
O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou ansioso aos ver essas campanhas internacionais. Como tudo que acontece na vida, se isso realmente for uma tendência, daqui a pouco Nando Reis aparece em comercial ao lado da Luiza Sonza anunciando cartão de crédito. Já estou esperando...
Desde 1959, o Franjinha. Mais de sessenta anos criando planos infalíveis para o Cebolinha. Parece que a paciência se esgotou, considerando o que a MSP Estúdios e a Panini divulgaram. Vem aí o renascimento da Turma da Mônica, com traços mais soltos e histórias mais ousadas. O que isso significa, a gente descobre mês que vem.
As revistas chegam ao número 100 e vão voltar ao começo. Todas ao mesmo tempo. Isso porque desde que mudou da Editora Globo para a Panini, tudo zerou. Mais de uma vez. Então, voltar ao número um não é uma novidade. O tom da comunicação é que muda. Desde que apareceram, já foram mais de 700 gibis. Isso só da Mônica.
Esperei a novidade chegar nas bancas pra comprar e comentar. Ia falar dessa mudança e encontrei nas páginas dos gibis uma coisa muito mais interessante. Os personagens tomaram um chá de Carnal, de Cortela, e passaram a ser filósofos.
Mônica questiona a capacidade de perceber a realidade no dia a dia. Ver não significa enxergar. "...tudo está como sempre foi. Tudo como a gente já se cansou de ver". Cebolinha se pega pensando sobre o poder da criatividade. Ao ouvir a dentuça lhe dizer que "...é mais provável que você esteja amadurecendo", ele se pergunta se a gente deixa de ser criativo só porque cresce. Por fim, Dona Carmem grita com Cascão, um eterno menino desobediente, que o problema da vida são "as pessoas que não seguem as regras".
Considerando que o mundo mudou e que a internet e redes sociais tiraram o brilho das revistinhas em quadrinho, a mudança que acontecerá será muito bem-vinda. Mas me impressiona o nível de questionamento pelo qual os personagens da Mônica estão passando. Como velhos chegando perto do fim, todos começam a se analisar, a rever suas escolhas. Diferentemente da vida real, personagens podem se reinventar desde o zero e se adaptar.
Depois dessa, estou esperando o lançamento do "Mônica Filósofa para crianças". E buscando mais pérolas nos gibis de hoje em dia.

O suficiente para me apaixonar pelo carro. Como disse no meu post anterior, gostar da marca, pra mim, é fácil. Foram quase cinco anos trabalhando para ela, e com um presente especial na minha carreira, os Pôneis Malditos. Mas o novo SUV me pegou por outra coisa.
Entro no carro e o multimídia emparelha sem nenhuma dificuldade. Nâo sei você, mas, hoje, o item mais importante nos meus carros é a tela que substituiu o rádio. E meus dois carros atuais, apesar de relativamente novos, fingem que não sabem disso. Um ainda precisa de cabo pra conectar. O outro, tadinho, parece um velho com Alzeimer e seu bluetooth funciona quando quer, me deixando na mão quase toda semana. Parecem de outro século, comparado com a facilidade que foi ao sentar no Kicks.
Se você me lê sempre, sabe que não gosto de carro. Mas tem coisas que adoro quando me vejo ao volante. E uma delas é o som. Ligo o Spotify e Caetano Veloso começa a cantar "Um Índio" no meu ouvido. Parece que está ali, do meu lado. É que o encosto de cabeça tem autofalantes Bose. Pronto! Não preciso mais nada pra me sentir bem e confortável.
Só que peguei o carro para testar o motor 1.0. Pra acabar de vez com meu preconceito, como disse o diretor de comunicação da montadora. É turbo. E anda. Vale ressaltar uma coisa: não sou de correr, pareço uma velhinha ao volante, sendo constantemente ultrapassado por motoristas buzinando enfurecidamente.
O motor me convence e posso falar que perdi o medo do 1.0 Turbo, depois dessa segunda experiência. Primeiro o VW Tera, agora o Nissan Kicks. Achei até que, por ser maior, sentiria o peso nas arrancadas. Só no modo Ecológico de dirigir, ele demora a embalar. Mas ai também, né, vamos combinar. É a posição pra economizar combustível, não para sair costurando no trânsito.
No meio dessa chinesada toda que se parecem uns com os outros, o Kicks, quadradão, chama muito a atenção. Todo mundo vem perguntar que carro que é. Amo isso, parecer diferente. Não sou Boris Feldman, nem João Anacleto. Eles sabem avaliar um carro, tim-tim por tim-tim. Eu gosto ou não gosto. Na minha escala de importância, o carro passou de ano e tirou dez.
Agora é voltar pro meu velhinho com Alzeimer, rezando pra ele emparelhar de primeira.

Já comprei várias vezes, sempre pelo design, não pelo fabricante. Quer dizer, se fosse Nadir Figueiredo eu preferia, sem saber o porquê. Tradição? Facilidade de encontrar? Inovação? Não sei.
Por isso mesmo me chamou a atenção a notícia de que Nadir está passando por um Rebranding. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou todo agitado com a informação. "Como assim uma empresa que faz copos precisa de propaganda?" Pergunta estranha a que ele me fez. Até cemitério anuncia...
Nadir tem 114 anos. É uma multinacional, tendo sido adquirida por um fundo estrangeiro. Mas que produz em Terra Brasilis e exporta pra mais de 100 países. Não apareceu fazendo produtos de vidro, mas seu sucesso começou quando lançou o Copo Americano, em 1947. Esse é aquele da cerveja bebida no boteco da esquina.
O rebranding não mudou a marca, que havia sido renovada em 2022. Mas mudou o posicionamento. Que era difícil de entender, já que cada comercial tinha uma assinatura, sempre no mundo da facilidade e variedade. Agora, entra no universo da presença, com "Onde tem Nadir, tem presença". E não está falando da presença física, mas da emocional.
A frase final diz tudo: "E você? O que faz para estar mais presente?" A empresa quer discutir o mundo moderno, em que estamos "comendo em pé, respondendo mensagem na hora do almoço, olhando pro celular no meio da conversa..." Não quer falar de embalagens, nem copos, de vidro. Já passou dessa fase, pois todo mundo a conhece. Agora quer a intimidade de quem pode aconselhar você a viver com mais presença.
Gostei do que vi. E fiquei curioso, se vai ser um soluço da empresa, ou se esse caminho vai ser seguido com fé. Presença é seu forte, mesmo que seja invisível. Agora, colocaram luz na marca... Espero que reflita e não somente atravesse o vidro.
E não era a publicidade que dizia isso. Essa sempre foi a minha opinião, desde o dia em que cheguei a São Paulo, até quando ela foi vendida para um grupo de investidores e começaram a otimizar seus serviços.
Em plena quinta estava lotada. Lotada, mas sem a fila de espera tradicional. As mesas ocupadas por empresários, executivos e celebridades, sem espaço para casais ou famílias com crianças. O garçon vem e pergunta dos acompanhamentos. Pedimos arroz biro-biro, fritas e salada de ovos...
- Algo mais? insiste...
A gente diz que não, mas recebe um prato de onion ring "pra experimentarmos", que fica abandonado na mesa. Os espetos vão passando, enquanto a gente ainda está comendo os frios, mesmo com uma rodela na mesa vermelha dizer "Não, obrigado". Pedimos pela segunda vez o arroz. Terceira. Quarta. Quinta. Parece marcha de carro. Finalmente o arroz vem, depois de falarmos com o maitre.
Sai de lá triste com o que vi. De um lado, acho que estou querendo reviver uma churrascaria que não existe mais, há muito tempo. Do outro, pensando como as estratégias fazem a diferença. Os antigos donos primavam por um atendimento exemplar. Agora, um simples arroz precisa ser pedido mais de uma vez.
Sempre lembro da Marlene Bregman me falando sobre Emotional Bond. Esse nome esquisito quer dizer a ligação emocional que temos com as marcas. Difícil de ser construído, mais ainda de ser mantido. Quando ele se rompe, não existe cola que conserte.
No final, saí com a certeza de que eu não sou mais o público-alvo dessa churrascaria. Os resultados financeiros devem estar melhores do que nunca. Mas a experiência que existia foi diluída a cada "melhoria" que os novos donos foram fazendo.
