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Até agora estou sem acreditar que a imagem do canarinho de três patas foi feita e aprovada pela Nike e CBF.

26/03/2026
Postado por: Murilo Moreno

Pior que ainda tem um vídeo, um gif animado, que, a esta altura do campeonato, não aparece em lugar nenhum (CLIQUE AQUI). Ou deletaram, ou é fake news...

Tudo, no lançamento da nova coleção de camisas da Seleção Brasileira, tem gerado polêmica. Desde o segundo uniforme, o azul, que tem a marca o AirJordan, até o novo grito que vamos ter que aprender a usar, o "Vai, Brasa!". Vejo, leio, escuto a reação das pessoas e fico sem saber se é tudo planejado ou a comunicação saiu fora de controle do que a empresa esperava.

Nâo sou muito fã de futebol pra saber se o que a designer da Nike falou é verdade. Ela afirmou, na coletiva de imprensa, que Vai, Brasa "...a gente escuta nos estádios, a gente escuta nas ruas". Na dúvida, já marquei uma consulta com um otorrino, pra cuidar da minha surdez.

A explicação é muito racional. A CBF está procurando atrair as novas gerações e, por conta disso, concordou com estampar, nos uniformes, o novo bordão. A pergunta é se a confederação terá dinheiro suficiente pra transformá-lo num grito de guerra. Precisaria despejar grana em todas as emissoras, tradicionais e online, que irão transmitir os jogos, para que os locutores passassem a usá-lo. Aí, talvez, tivesse sucesso.

E talvez economizar dinheiro seja a explicação para uma imagem tão tosca quanto a do canarinho. Repare que, além de ter três patas, os arames da gaiola terminam no ar, no meio do rosto do passarinho. Sem contar que o cadeado não tranca nada, pois só está preso à portinhola. É IA da pior qualidade possível. Quer dizer, não é culpa da IA. É de quem aprovou. Que, na pressa de entregar o trabalho, deve ter pensado: ninguém vai ver...

Sempre falo nas minhas palestras que se a gente não controlar cada detalhe da comunicação das nossas empresas, se deixarmos passar algo que parece irrelevante, não teremos jeito de saber o que poderá acontecer. De repente, ponto vira i. Ou, duas patas viram três. E a nossa mensagem fica toda distorcida.

Começou quente a busca do Hexa. Tomara que a taça venha, pra fazermos esquecer toda essa polêmica...

 

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Postado por: Murilo Moreno
A pergunta que mais me fazem quando o assunto é Top Voice é o que fiz para me tornar um deles.

Minha resposta é curta e grossa: não sei. O pior é que isso é verdade. Comecei a escrever porque queria publicar um livro, passei a me relacionar com meus leitores, porque escrever é conversar, e quando vi, o LinkedIn me disse "você é um Top Voice".

Se A Essência da Influência (by MeetIn) já tivesse sido publicado, talvez minha vida tivesse sido mais fácil. O livro, que vai ser lançado no dia dois de abril, às 19hs, na Drummond Livraria, traz 29 coautores contando suas trajetórias para se tornarem influencers no mundo dos negócios. Como não podia deixar de ser, estarei entre eles, tentando colocar sentido nos passos que dei.

É chover no molhado falar que a comunicação mudou, se fragmentou, e que a influência passou a ter um papel fundamental na vida de todos nós. Ela sempre existiu, seja através do boca a boca, quando você direcionava suas ações pela opinião dos amigos, seja nas propagandas, que usavam e abusavam das celebridades para vender seus produtos.

Só que, agora, essa influência foi amplificada pelas Redes Sociais. Cada um de nós passou a ser um potencial influencer e isso vem mudando a cara da publicidade mundial, com as verbas migrando da mídia tradicional (e até mesmo dos meios digitais) para as mãos de pessoas comuns.

Dia 02, espero você na Drummond, para um papo ou até mesmo um autógrafo. Eu já reservei meu exemplar. Quem sabe aprendo um pouco mais sobre esse rolo compressor que passou sobre a minha cabeça.

 

25/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Depois do final de ano polêmico e de umas férias forçadas pra não colocar mais gasolina no fogo, Havaianas estreia um novo comercial na TV e redes sociais.

De uma vez só pegou o cantor João Gomes e a atriz Bruna Marquezine e os colocou comprando um par de suas sandálias num quiosque montado no meio de uma praia.

Como comercial é bom e segue a linha sempre humorada de misturar artistas e situações que permitam uma piadinha que nos faz sorrir com o canto da boca. Repete a mesma fórmula que tem lhe trazido sucesso desde os anos de 1990.

Só que o vídeo veio acompanhado de um manifesto veiculado no Shorts do Youtube (CLIQUE AQUI) que diz muito sobre o efeito que o comercial com a Fernanda Torres teve na empresa. Não existe mais a ideia de esquecer o pé direito no novo ano, nem de falar do pé esquerdo. Agora a marca introduz um novo conceito, o "Pares Originais do Brasil".

Nele, o cantor nordestino fala dos pares. "Um completa o outro, caminham juntos... Não é a toa que Havaianas vem em pares." Tem jeito mais fofinho de falar pra todo mundo que protestou que Havaianas é democrática? Só faltou dizer "desculpa".

Foram quatro meses sem lançar nenhum comercial, no período que talvez a hashtag#marca venda mais. Por mais que tenha gente que diga que foi de propósito, só vejo a interpretação política de uma mensagem de ano novo até bem elaborada. Fiquei na dúvida se o mesmo comercial, gravado pelo Zezé di Camargo, causaria tanto barulho.

De toda forma, Havaianas está de volta. E pelo jeito, com um pé pra trás. Só não sei se é o direito ou o esquerdo...

 

24/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Lendo sobre os movimentos da inglesa Unilever nestes últimos dias...

Lendo sobre os movimentos da inglesa Unilever nestes últimos dias, foi impossível não pensar que ela está buscando um par pra casar uma de suas filhas, no caso, sua divisão de alimentos. No mesmo dia, saíram as notícias de que sua fusão com a americana Kraft Heinz não deu certo e de que a Mc Cormick está arrastando as asas pro seu lado. Em tudo me lembra novela mexicana, em que todos os amores são exagerados.

Primeiro, Heinz desiste de se separar da Kraft. As duas se fundiram sob as bençãos do Warren Buffett e do trio de ouro dos brasileiros liderados por Jorge Paulo Lemann, em 2015. Pouco mais de 10 anos, virou briga entre os ex-sócios, com uma separação nada amigável. E como sempre os filhos é que sofrem, os pais decidiram que a união não deu certo e tudo precisaria volta a ser como antes. A separação das marcas não chegou a acontecer, pois um novo presidente assumiu e resolveu tentar mais uma vez. Coisa de terapia de casais.

Ai, a KraftHeinz olha pro lado e vê a Unilever brigando com sua filha, a divisão dona de Hellmanns e Knorr. Não existe momento melhor para um galanteio. E entre um envio de flores e uma caixinha de bombons, tentaram um casamento. A americana vale U$ 25 bilhões, a inglesa, U$ 33 bi. Uma união de quase iguais. Poderia dar certo...

Mas aí aparece a rival, a McCormick, e no meio das trocas de juras de amor, declara sua paixão pelas marcas que a Unilever quer vender. A mãe, preocupada com o futuro da filha, desmancha o antigo namoro sem muita explicação, e começa a falar de como os netos podem ser bonitos, se os dois se juntarem.

Porém é um casamento onde as classes sociais são muito diferentes. A divisão de alimentos da Unilever tem o dobro do tamanho da McCormick. Lembra? São os mesmos 33 versus 15 bilhões de dólares da nova candidata. Vai ser muito custoso pra quem compra manter o apetite por investimento da divisão que vai ser comprada.

A novela está chegando ao final? Não sei... Só sei que, depois dos sorvetes, agora é a vez da Unilever pensar em se livrar dos alimentos. Mas como toda novela que se preza, tudo pode mudar, de um capítulo para o outro.

A gente fica aqui, dando audiência pra essa história e torcendo pela mocinha...

 

23/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Vou começar falando do mercado em geral pra entender o fenômeno nas vendas de automóveis em Terra Brasilis

A moda agora é colocar as chinesas em choque com as tradicionais, como se fossem blocos que agem em conjunto. Uma espécie de papo binário. Somos nós contra eles.

Nada mais mentiroso. Mesmo com todo barulho dos elétricos, híbridos e preços inacreditáveis dos novos entrantes, em 2025 a VW conseguiu crescer. 1,2% de market share. Não é um crescimento pequeno. No mesmo período, Fiat e Jeep mantiveram seus mercados, Honda ganhou 0,4% e todas as demais no grupo das dez maiores despencaram, lideradas pela Chevrolet. Pra entender melhor, é só lembrar que o crescimento da VW é quase igual ao da BYD...

Por outro lado, não existe um bloco chinês. As mais antigas em nosso país, Chery, BYD e GWM, têm participação que as fazem ser consideradas nos rankings. Omoda começa a aparecer. As demais, como GAC, Zeeker, MG e outras tantas, ainda estão maturando e pode ser que em 2027 cheguem a sair do quase zero de MS. O grande problema é que começam a brigar entre si e isso pode virar uma autofagia, chinesa devorando chinesa.

No meio disso tudo, o mês de março traz um retrato novo e estranho no ranking de carros mais vendidos nas concessionárias. Ou seja, aqueles somente para quem entra na loja, sem os comercializados diretamente pelas fábricas. É parcial, mas assustador.

Pela primeira vez, não existe nenhuma marca tradicional entre os três mais vendidos. Dolphin Mini assume a liderança pelo segundo mês consecutivo, seguido pelo Creta e pelo Tiggo 5x. BYD, Hyundai e Chery. A mais velha entre as três chegou no Brasil em 1999. Importada. As três já têm fábrica no país e planos de crescer.

Então, apesar das chinesas todas somadas representarem menos de 13% das vendas, realmente o mercado está se transformando. E se olharmos mais a fundo, vamos ver que somente um dos três mais vendidos é realmente eletrificado.

O mês não acabou e sempre tem surpresas nos últimos dias. De toda forma, dá pra usar aquela velha máxima: o futuro não será como era antigamente.

 

22/03/2026
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