Acho que eles não são donos de uma marca farmacêutica. No fundo, todos são influencers que usam a empresa que o pai havia fundado para criar conteúdo. Só assim para entender o nível de criatividade dessa turma.
A vice presidente Karla Marques Felmanas vai, agora, virar boneca. Desde que começou, em 2021, a expor sua vida nas redes sociais, e principalmente depois que lançou a Carmed, virou uma celebridade para um bando de crianças, que seguem seu perfil. Só no Instagram, são mais de 2,2 milhões de seguidores, de crianças e grandinhos, muito mais do que muita ex-BBB por aí.
A boneca Carla e seu cachorrinho Carmedinho só chegam em abril nas lojas, mas, como uma boa influencer, já virou tema de post e divulgação nas redes sociais. Esse, inclusive, é um ponto que os Felmanas vêm sempre nos ensinando: O importante não é o produto na rua e sim a comunicação de que ele vai chegar. Fizeram isso com Carmed Coca Cola, que já era notícia meses antes de pousar nas farmácias. Ensinam que o fato em si é pouco importante para a construção da marca. O que vale é saber da novidade. Nada mais acertado, em tempos de internet e IA.
No paralelo, seu irmão, João Adibe Marques, o presidente da coisa toda, entra solando e já anuncia a todas as farmácias da região da Zona da Mata de Minas afetadas pelas chuvas "esqueçam seus boletos! A Cimed vai perdoar suas dívidas e vai mandar produtos novos pra vocês se recuperarem..." Ele já havia feito isso na tragédia do Rio Grande do Sul. Fez de novo. E, dessa forma, coloca a empresa dele anos-luz à frente dos concorrentes. Que se fizerem igual, vão só parecer que estão copiando. Difícil competir desse jeito, não é?
Seja boneca, seja tragédia, tudo vira tema nas redes. A família se transformou em personagens de uma novela que acontece na nossa frente, nos meios de comunicação. A lógica foi invertida. Não é a empresa que faz o empresário. É o empresário que faz a empresa. E tal qual um seriado, a gente vai assistindo cada capítulo e, entre uma e outra novidade, comprando um produto da Cimed.
Adoro essas aulas de marketing ao vivo!

Do décimo, para o décimo primeiro. A explicação é linda: não fomos nós que caímos, foi a Rússia que subiu, por causa dos 40% de valorização do rublo. Tanto que o Canadá também foi atropelado.
Ufa! Agora posso respirar mais tranquilo... Fizemos a nossa parte... Pena que daqui a um ano ninguém se lembrará mais desse detalhe. Apenas que o Brasil caiu. É como aquele gol de mão do time adversário que faz o nosso perder o campeonato. Explica, no momento, mas depois cai no esquecimento pra maioria. Só a gente que lembra.
O Brasil sempre está rondando entre o 7º e o 14º lugares, desde o Plano Real, em 1994. É uma variação grande, mas fácil de entender porque, tirando os sete primeiro lugares, os países têm um PIB muito parecido até o 15º. São trilhões de dólares, ainda assim, muito próximos. Qualquer piscadela e você é ultrapassado. TIpo Fórmula Um.
Assusta mais a leitura que a Austin Rating fez dos dados do FMI. Entre 60 países fomos o 39º em crescimento no último trimestre de 2025. Só 0,1%, ou seja, quase nada. E aqui não conta a valorização do dinheiro russo. Somos nós contra nós mesmos.
Enquanto isso, Índia continua a briga contra o Japão para passar a ser a quarta economia do mundo. E a China perde espaço para os Isteites. Os asiáticos fazem muito barulho, mas cresceram menos do que os americanos desde o fim da Covid. Talvez ajudado pelas blindagens que os dois últimos presidentes fizeram contra a invasão vermelha.
O PIB mundial continua concentrado. Os sete mais ricos respondem por 80% da riqueza total. Somos um pouco mais de 2%. E não podemos esquecer que, em 1994, China e Brasil tinham o mesmo peso. Em trinta anos, eles abriram os olhos, nós olhamos pro lado.
Agora é torcer pela desvalorização do dinheiro alheio. Quem sabe assim a gente não sobe mais rápido no ano que vem?

Foi o ultra-bem-pago executivo David Zaslav. Ele é o atual rei da polêmica no mundo do entretenimento, mas com o resultado da venda deve virar o queridinho de dez entre dez investidores americanos.
Acontece que ele foi o cérebro por trás da compra da Warner pela Discovery, em 2022. Ele fez a transação com as ações valendo 25 dólares. Como o Edward Mãos de Tesoura, Zaslav saiu cortando tudo quanto é tipo de custo, lançou filme no cinema ao mesmo tempo que no streaming, o que deixou Hollywood fula da vida, matou a marca HBO, ressuscitou a marca HBO, colocou nas ruas filme de sucesso, como Barbie, flopou com outros, e conseguiu o feito de jogar as ações no fundo do poço, valendo somente 13 dólares.
Mas como diz a filósofa Adriane Galisteu, "não se preocupe, pois no fundo do poço do elevador tem uma mola". E Zaslav parece concordar, pois além de recuperar o valor das ações, a negociação que ele fez com a Paramount, dos U$ 108 bilhões, significa levar a ação para o patamar de 31 dólares. Por todo ângulo que você olhe, o resultado final é super positivo.
Nessa história toda, o que mais me impressiona é a força da marca Warner. Esse estúdio de cinema, que foi fundado em 1923, já teve todos os motivos pra morrer. Só que é gato de sete vidas. Já foi da hTime, foi da America OnLine, da ATT, e estava nas mãos da Discovery. Onde encosta, as empresas perdem dinheiro. Mas ela continua forte. Estou esperando o anuncio oficial do nome da nova empresa, pra saber se finalmente Warner vai ser só uma divisão, ou se a Paramount vai ganhar sobrenome.
No final, Netflix perdeu a luta e sai com o prêmio de consolação de U$ 2,8 bilhões, que vai receber da Warner pela quebra de contrato. O negócio estava fechado em dezembro, quando a Paramount colocou água no acordo. O dinheiro da multa sai da conta da compradora direto pra perdedora. Só não deve ser PIX...
Só uma coisa tenho certeza. Ganhador, ganhador mesmo, que sai feliz de toda essa bagunça, é o agora ainda mais rico David Zaslav.

Foi só o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim bater os olhos nessa notícia para ele ficar completamente indócil. "Como assim, Omo não é mais líder de mercado? Só pode ser fake news..."
A campanha traz um novo slogan, "Boas histórias com você" e um novo hashtag#posicionamento, "A melhor performance de lavagem de roupas é aquela que permite a minha melhor performance na vida.” É um pouco na linha do sabão que ajuda sua vida a ser mais fácil. Quase um "Se sujar faz bem", que a concorrente usa há mais de 20 anos, e que evoluiu ano passado para "Bota sua roupa pra jogo porque se sujar faz bem".
Omo é a marca Top of Top desde que a Folha começou a fazer a pesquisa Top of Mind. 33 anos como a mais lembrada pelos brasileiros. É muita coisa. A sensação que se tem, vendo os movimentos de mercado, é que Unilever tirou o pé do sabão em pó e passou a focar o sabão líquido, que dá mais dinheiro e que cresce mais rapidamente do que a versão antiga. Isso porque quase todas as últimas campanhas mostram sempre somente as embalagens plásticas, como a que o Bel Marques fez no carnaval.
Por outro lado, Ypê sempre focou na dupla preço-benefício, um jeito simpático de dizer que um produto é mais barato. Numa rápida olhada no e-commerce, a diferença chega a ser de 25%, com Omo custando R$ 16,00 contra R$ 12,00 de Tixan. Mas não credite a liderança somente ao preço. A empresa tem feito um bom trabalho de construção de imagem e Ypê é reconhecida, também no Top of Mind, como líder em sustentabilidade. Fora que, preço por preço, Unilever poderia combater a concorrente, colocando na briga marcas como Brilhante, Surf ou Ala. Tá levando um baile porque quer...
De todo modo, é muito interessante ver uma empresa 100% brasileira fazendo frente a uma multinacional tão poderosa. O ano mal começou e Tixan tem ainda muitos rounds à frente pra se consolidar no alto do pódio. Pra quem entrou no mercado há apenas 24 anos, passar a eterna líder é um feito e tanto.

Nasce mais uma: Bradsaúde. Fundem-se duas empresas que, na teoria, são complementares. O braço de saúde do hashtag#Bradesco e a antiga líder de planos odontológicos. Mesmo com todos os autoelogios a respeito do movimento, olho e não vejo vantagens para o consumidor neste momento.
Explico melhor: o banco Bradesco resolveu colocar todas os ovos da área de saúde que tem numa cesta só. Na sexta, anunciou que a Odontoprev irá assimilar a Bradesco Saúde e todas as demais participações que possui na área. No pacote vem a Mediservice, a Atlântica Hospitais e Participações, a Orizon e a rede de clínicas Meu Doutor Novamed. Tudo junto, passa a ter um novo nome, mas o futuro presidente é o do Bradesco Saúde, mostrando quem manda de verdade.
A nova empresa começa grande. 28% dos planos odontológicos da Terra Brasilis, 12% do mercado de planos de saúde, 3.600 leitos de hospital e 35 clínicas. Isso pra atender 13 milhões de brasileiros, e expectativa de faturar R$ 52 bilhões por ano. Pra um mercado avaliado em quase R$ 450 bilhões de reais, já aparece como um dos gigantes do setor.
Pra empresa é fácil de ver os ganhos. O que vai ter de telefone tocando agora oferecendo plano odontológico pra clientes da antiga Bradesco Saúde não está no gibi. No caminho contrário, os antigos donos de plano da Odontoprev devem ser abordados por ofertas de planos de saúde. Esse é o primeiro passo, claríssimo, da fusão.
Nos bastidores, a nova empresa ganha mais musculatura nas negociações com fornecedores, hospitais e médicos. Difícil não querer fechar negócios com ela.
O consumidor, tadinho, vai assistir tudo de longe. Deve ganhar uma empresa melhor? Talvez... Eu, como cliente do Bradesco Saúde, não tenho o que reclamar. Mas não vi, em nenhuma declaração, a menção do que muda pra quem, no final, paga a conta.
O ano só está iniciando, mas promete. Pelo menos, na saúde, as novidades começaram cedo...
