Agora é a vez da FCBBrasil e da MullenLowe sumirem e darem espaço para o aparecimento da Drum. Nem tem um mês que a LewLara e a DM9 foram substituídas pela Lola.
Já falei aqui sobre isso ser uma consequência da mega fusão entre a IPG e a Omnicom. Mega fusão não... na verdade, a compra da primeira pela segunda. A nova líder mundial do mercado publicitário saiu simplificando as marcas e matando agências, principalmente as da adquirida.
Teoricamente, esse não é um problema. O que faz o sucesso de uma agência é o capital humano, as pessoas. Que, como dizia Thomas Watson Jr, fundador da IBM, vão embora todos os dias para casa e precisam de um incentivo pra voltar no outro dia. A gente viu o que a falta dessa motivação faz... Os funcionários da DM9 saíram num dia pra nunca mais voltar. Foram montar uma nova agência. Mudaram o prédio, os computadores, as mesas, mas ficaram as pessoas e os clientes. Num novo endereço.
Significa que o que fez o sucesso das duas agências que acabam de morrer continua lá, intacto, a serviço dos seus clientes. Mas isso não deixa o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim mais satisfeito. Pelo contrário.
O que tenho sentido é que nós, publicitários, podemos ser definidos pelo ditado "Faça o que eu digo, não o que eu faço". Como discurso, estamos sempre dizendo que a coisa mais importante nas empresas é a marca. Que ela não se constrói de um dia para o outro. Que consistência é importante. E blá-blá-blá. Ai, de um dia pra outro, matamos marcas centenárias e lançamos novos nomes que serão a 'mudança', a 'inovação', a 'solução' para os problemas dos clientes.
Caíram Ogilvy, Thompson, Young&Rubicon, JW Thompson, Leo Burnett... todas foram substituídas por novas versões delas mesmas. Não sou saudosista. Só queria entender...

Quem é das quatro rodas conhece o canal criado pelo Ricardo Bacellar, MSc, MBA que, durante mais de 20 anos, comandou a área dirigida ao mercado automotivo na consultoria KPMG. Foi só colocar no ar e o programa virou um sucesso de audiência e engajamento.
O Papo reúne, quinzenalmente, um grupo de executivos para analisar todos os aspectos que fazem essa indústria ser responsável por mais de 20% do PIB Industrial brasileiro. Desde o que está acontecendo com as vendas de carros zero e usados, até o mercado de peças e de locação. No meio de feras como o Milad Kalume Neto, da Klume Consultoria, a Ana Renata Paes Barreto, da Cox Automotive, o Paulo Miguel Jr, da ABLA, o Marcelo Cyrino, da Fenabrave, e o Enilson Espínola Sales, da Fenauto, meu papel será comentar a respeito dos comportamentos do hashtag#consumidor quando o tema é automóvel.
Como amo dizer, de racional o ser humano não tem nada. E quando se trata de decifrar os motivos que alguém escolhe o modelo A ou B, é quase impossível entender o que move as pessoas. Mas a gente tenta... e você vai ser parte fundamental nessa tentativa, comentando, curtindo e participando de Papo.
Papo de Garagem estreia sua terceira temporada nesta quinta, às 18:00h. Novos quadros, novos conteúdos.
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Outback está apostando que pode ser a opção ideal pra quem já se cansou de pão na chapa na padaria da esquina. Achou estranho? Também acho. E por isso pode ser um sucesso.
Explico melhor. A rede de restaurantes começou no último sábado a fornecer aquelas refeições matinais americanas, com muita panqueca, bacon e omelete. Não faltam café com marshmellow e caldas doces, a la Isteites. Vai dar pra matar a saudades de lugares como o IHop e o Dennys e se sentir num filme americano, daqueles em que o vilão entra dando tiro em todo mundo que está bebendo calmamente seu café.
Por enquanto é só um teste de três meses...em dois endereços apenas. Um na Barra, no Rio, outro na Vila Madalena, em São Paulo. Ambos de rua e só nos finais de semana e feriados. Pra quem tem 187 restaurantes em 21 estados, parece muito pouco. Mas pra fazer uma experiência, é mais do que o suficiente.
Desde que a matriz americana passou por uma crise e precisou vender a filial brasileira, adquirida pela Vinci Partners - Fundos de Investimento, Outback parecia quieta, como se estivesse tentando simplesmente viver. Ou sobreviver. Agora deu pra entender o que os novos donos querem: Fazer mais dinheiro com o menor investimento possível. Entrar num novo mercado, oferecendo um novo tipo de refeição, é uma boa forma de ganhar mais com pouco investimento. O restaurante está lá, os equipamentos já existem. Só falta aumentar o horário de funcionamento e rearranjar a escala de trabalho dos funcionários.
Se der tudo certo, não é difícil imaginar essa onda se espalhando lentamente por Terra Brasilis e até sendo copiada por padarias e outras franquias de restaurantes. Se der errado, o teste morre sem muito barulho.
O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim já colocou na agenda de irmos experimentar a novidade. É um jeito barato de se sentir em Miami...

Sempre que considero isso, acabo desanimando porque me lembro que teria que aprovar a instalação de um carregador na garagem do meu prédio. Minhas poucas experiências testando modelos que necessitam de uma tomada pra se reabastecer geraram, no mínimo, imensas brigas internas. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim adorou, mas o meu Mal Humorado de Plantão reclamou o tempo todo.
Acontece que o silêncio e a tecnologia do elétrico são de apaixonar. Mas viver ansioso por achar um ponto de recarga livre, em shoppings e prédios comerciais, é um sentimento que tira qualquer um do sério.
Agora, o Governo de São Paulo dá um passo em favor de facilitar a vida dos donos dos eletrificados do estado. Semana passada, foi aprovada uma lei que garante a qualquer um, morador de prédio, instalar um carregador pra chamar de seu, sem que o condomínio possa dizer que não é permitido. Lógico que o interessado tem que cumprir todas as leis, como regras dos bombeiros, ser instalado por eletricista autorizado, arcar com todos os custos...
Mesmo assim, a vida ficou mais fácil, pois a assembleia do prédio não pode simplesmente proibir. Na prática, o veto pode continuar acontecendo, mas o interessado entra na justiça com a lei a seu favor. Teoricamente, fica tudo mais fácil.
São Paulo, que tem a maior frota eletrificada de Terra Brasilis, dá um passo em direção de organizar a bagunça. Já, inclusive, definiu como deverão se comportar os novos prédios a serem construídos. Bem provável que seja seguido por todo o resto do país.
Neste momento em que os elétricos perdem força nos Isteites, pois o presidente do cabelo de fogo cortou os subsídios, que os Europeus tentam barrar os chineses, exigindo alto índice de nacionalização, essa facilitação deve aumentar o apetite dos orientais em ganhar mercado no Brasil. Se já estamos sendo invadidos pelos eletrificados das novas montadoras, o risco é esse movimento ficar ainda mais forte.
A lei é nova demais para sabermos o que vai acontecer. Mas meu Bichinho correu prá falar comigo, tentando me convencer que a hora é agora. Considerando as leis, no Brasil, daqui a pouco muda tudo e ai já viu, né...

Agora tenho certeza. Pelo menos na Europa, as empresas resolveram colocar, nas suas presidências, executivos sem papas na língua. Entram atirando e revirando tudo. Primeiro foi a Unilever, onde Fernando Fernandez anunciou que iria trocar 25% dos 200 altos executivos da empresa, por conta de "bolsões de mediocridade". Depois veio a hashtag#Nestlé, com Philipp Navratil anunciando a demissão de 16 mil colaboradores e dizendo que quem não tiver bom desempenho vai ter que buscar outro lugar pra chamar de seu.
Agora, a Diageo repete a mesma fórmula. Contratou Sir Dave Lewis (é... o cara tem o título nobre...) para tirar a empresa do marasmo. Já chegou dizendo que vai acabar com a “cultura acomodada e complacente” de uma empresa que mal cresceu nos últimos três anos, mesmo tendo Johnnie Walker e Tanqueray entre suas marcas. Dave ainda não fez nada a não ser rosnar, mas espera-se que ele corte parte dos 29 mil funcionários, diminuindo, principalmente, os níveis hierárquicos, para aumentar a velocidade de decisão no dia a dia. Fama ele tem, pois tirou a rede de supermercados hashtag#Tesco do buraco, vendendo ou fechando lojas que não dava resultado, sem dó.
No fundo, creio que esses heróis do turnaround, aqueles que viram empresas de cabeça pra baixo, sempre existiram. A grande mudança está que antes não havia redes sociais. Elas geraram dois efeitos interessantes: primeiro, amplificam qualquer mensagem interna. Não existe mais forma de evitar o vazamento de mensagens para o público em geral. E isso ocorre direto do computador ou celular de quem se sente atingido. Segundo, tornaram-se um ótimo lugar pra mandar mensagens para o time interno e para os investidores. Os novos presidentes entendem isso e usam Instagram e X para enviar poderosos recados a todos.
No fundo, parece que temos um time de executivos anti mimimi. Quase toscos nas suas falas, eles querem lembrar qual o principal motivo pelo qual as empresas existem. A gente já teve uma geração paz e amor tocando grandes corporações. Talvez agora seja o momento dos ogros.
