Não é coincidência a Hyundai e a Volkswagen anunciarem seus novos patrocínios, quase ao mesmo tempo, e na mesma área de atuação, o futebol. Os eventos correm atrás de patrocinadores e os anunciantes atrás de oportunidades, como dois jogadores buscam a bola. Apesar das duas montadoras estarem no mesmo universo, e ambas levadas pela CBF, as estratégias de marca são completamente diferentes.
Hyundai é patrocinadora mundial das Copas do Mundo desde 1999. Agora, passa a ter o nome estampado nos estádios dos campeonatos brasileiros de futebol feminino. São três anos de patrocínio, o que vai fazer com que tenha uma boa visibilidade de marca na Copa do Mundo Feminina do ano que vem, a ser jogada em Terra Brasilis.
Volks retoma o casamento com a Seleção Canarinho. Não só a masculina, mas desta vez também a feminina. Foram patrocinadores dos jogadores entre 2009 e 2014, mas a relação com a bola vem de longe, desde 1982, quando lançaram o Gol Copa. Nada como ter um carro com um nome que ajuda, não é mesmo?
O universo é o mesmo, a estratégia é diferente. Hyundai usa o futebol para gerar lembrança de marca. Quer estar presente, sem obrigatoriamente tomar partido. Patrocina o evento, mas não torce por nenhum dos lados. Volkswagen, por outro lado, reforça que é uma montadora brasileira ao assumir sua torcida. É o Brasil, a nossa seleção, que lhe interessa. Na hora em que entra em campo, nem a Alemanha é tão importante. Trabalha a consideração dizendo através do patrocínio que é feita no Brasil para brasileiros.
A grande novidade, nos dois casos, é a entrada das seleções femininas em campo. Existem várias camadas de interpretação a respeito disso: o empoderamento feminino, o reconhecimento da importância das mulheres na compra de automóveis, o aumento expressivo do futebol jogado pelo "sexo frágil". Ajuda que a Copa de 2027 vai ser nos nossos campos. Quem sabe as mulheres não vingam os homens e ganham a Copa no Maracanã?
O que importa perceber é que a mesma solução pode ser adotada para estratégias diferentes. Construção de marca é isso: usar os elementos presentes no mercado pra contar a sua história.

Livres, os antigos amantes partem pra novas conquistas. E encontram a felicidade nos braços de outros. Kibon parece que está passando por esse momento de vida.
Em 2024, Unilever pediu divórcio litigioso. Resolveu passar pra frente a divisão de sorvetes e pediu U$ 18 bilhões. O problema? Era seu braço que menos dava dinheiro. O tempo passou e nada de achar comprador. Aí, resolveu vender fatiando por país. Nada feito. Enquanto isso, ela ia perdendo bons funcionários que, sem saber "? como será o amanhã", saiam para novas aventuras.
Sem interessados, resolveu fazer um spinoff. Em julho de 2025, criou uma nova empresa, a The Magnum Ice Cream Company, e vendeu 80% das ações no mercado. Liberou sua cara metade e isso fez a diferença na vida da novata que já apareceu dona de 21% do mercado de sorvete do mundo.
Seis meses fazem toda a diferença na vida. E a Kibon, que estava moribunda, parece que renasceu. Começou o ano acelerando. Trouxe de novo a promoção Palito Premiado, lançou uma outra com a Narcisa "Ai que Loucura" Tamborindeguy, dando um milhão de reais, e agora lança um picolé de guaraná.
"Mas Murilo, está cheio de picolés de guaraná por ai..." Eu sei, mas esse tem nome e sobrenome. É picolé de Guaraná Antarctica, uma das marcas mais bem construídas da Terra Brasilis. Já existiu uma versão anteriormente, lançada em 2007 e que durou um verão apenas. Agora, volta durante o Carnaval, somente em SP e Salvador, pra depois conquistar o Brasil. Sinal claro que as negociações devem ter durado mais do que se esperava.
Kibon é uma casa de marcas. Aprendeu isso com a Unilever. Poderia ter lançado simplesmente o sabor, dentro da linha Fruttare. Mas é mais forte, e vale o pagamento de royalties, ter o nome da líder de refrigerantes estampado na sua embalagem. Isso é coisa de quem pensa no futuro.
Ambev e Kibon estão tendo um primeiro 'date', pulando e dançando ao som de Veveta. Quem sabe isso não evolua pra um casamento no futuro?
Adoro essas aulas de marketing ao vivo!

Não veio pro Brasil, ainda, mas é um movimento que ensina pra gente a coisa mais importante a respeito daquela montadora. Ela não é voltada para o mercado de automóveis, mas para satisfazer o consumidor.
Por que digo isso? Porque a principal vantagem não é ter carros especializados para quem dirige o dia inteiro. É que o comprador de carros comum não vai ver um modelo igual ao seu rodando como meio de transporte. Pode ser sutil, mas ajuda na melhoria da imagem da marca.
De um lado, ela cria a ideia de ser uma empresa que se preocupa com cada tipo de usuário. Os táxis, que começam a ser feitos a partir de carros da marca-mãe, podem aos poucos ganhar itens exclusivos voltados para o conforto de quem roda o dia inteiro atrás do volante. Quem sabe evoluem até virar táxis londrinos?
Do outro lado, quem compra o carro para uso particular não verá seu modelo por todos os lados, com adesivos e pinturas de carros de aluguel. Nem todo mundo se incomoda, mas tem modelos que ficam com fama de serem carros de taxistas e, com isso, se desvalorizam.
Resta saber se essa nova marca vai ter concessionárias exclusivas para vender os novos modelos. Se estiverem expostos ao lado dos tradicionais BYDs, então serão apenas um nome diferente de um produto igual. Trocar o nome é fácil. Criar um meio ambiente exclusivo é que são elas.
De toda forma, BYD sabe se manter na onda, gerando notícia todos os momentos. Talvez por isso já seja maior que a Tesla. Venda de carros é um mercado que adora novidades.
Pela rapidez dos chineses, antes do final do ano, a Linghui chega no Brasil. É sentar e esperar.

TV Globo inaugurou a nova linha de programas com o No Limite, mas logo depois veio a briga entre ela e o SBT pela posse do modelo "Casa dos Brothers".
Diz a lenda que SBT negociou o programa com a hashtag#Endemol, mas os Marinhos foram lá e cobriram a oferta. Sílvio, esperto como era, lançou um programa "Wannabe" (ou seja, um genérico) com celebridades e deu o nome de Casa dos Artistas. Virou briga na justiça e alta audiência, devido à polêmica.
No meio dessa guerra toda, acabei conseguindo lançar o Fiat Dobló no último episódio da Casa, com direito a audiência recorde e um impulso de vendas tão grande que o carro virou líder de vendas do segmento no seu primeiro mês de vida e o patrocínio foi considerado a Ação do Ano.
Globo não gostou. Só não sabia que a Fiat ia entrar no programa dela também. E, no final, a montadora acabou patrocinando a briga entre as duas emissoras.
Essa é a história que conto neste vídeo, que é uma das centenas que você encontra no meu canal no Youtube. Clique, assista, comente. Depois se inscreva. Vai ser um prazer encontrar você por lá, também.
São 40 minutos de espera, com o piloto pedindo calma, até que a escada chegue. Na esteira ,mais de uma hora aguardando pelas malas. As 8:21, a minha aparece, quebrada. Tento ir na fila pra reclamar. Imensa. Deixo pra lá. Fica na conta da Latam.
No meio da bagunça, uma coisa me chama a atenção. Na ansiedade de ver a mala na esteira, as pessoas vão se descuidando de seus pertences de mão. Lugar fácil para os amigos do alheio. Fácil, não, pois pra entrar no desembarque do Terminal 3 tem que comprar passagem internacional. Muito trampo pra correr o risco de ser preso pela Polícia Federal.
Consigo passar na alfândega às 8:50. Onze horas de voo e mais de duas horas de perrengue. São Paulo merecia um aeroporto melhor. Aqui, nada parece funcionar. Aliás, as únicas coisas que funcionam são a Imigração, rapidíssima pra quem já tem o Passaporte Eletrônico, e a Alfândega, que consegue lidar com o enorme fluxo que chega. É o governo batendo a iniciativa privada. Aliás, o GRU Airport - Aeroporto Internacional de São Paulo tem sido multado pela ANAC nos últimos dois anos por mal atendimento. E parece não aprender.
Talvez esse seja o ponto que mais me impressiona. Como processos que são repetidos igualmente todos os dias podem ser tão mal feitos? Faltar escada é um gargalo fácil de resolver. Pode até ser caro, mas é fácil. A demora nas esteiras significa estrutura estrangulada. Pouca gente, pouco equipamento, parece que tudo falta, num tipo de serviço em que o fornecedor sabe de antemão o que o cliente precisa. No caso do meu voo, tiveram 11 horas pra fazer tudo certo. Ainda assim, não fizeram. Tá certa a ANAC...
No final, entre o avião tocar o chão e eu abrir a porta da minha casa foram mais de cinco horas. Fiz 29 Km na metade do tempo de vir de Los Angeles a São Paulo. Como diria o senhor Spock, de Jornada nas Estrelas, Fascinante!
