Isso mesmo. Cem dólares. R$ 532,00. Tenho raiva do número de vezes que perco uma pechincha, como essa, no mercado. Tivessem me oferecido, eu pagava o dobro.
Apesar da brincadeira, isso mostra onde chegou o problema em que as montadoras se enfiaram ao buscar relevância no mercado de carros eletricos. Saiu todo mundo correndo atrás de garantir sua participação, que nem jogo de futebol de criança, onde todos correm atrás da bola. Agora, estão todos voltando atrás… pelo menos as montadoras tradicionais.
Aqui no NadaShow fica evidente o descaso e falta de interesse no tema. Sumiram as palestras e os estandes que falam ou mostram coisas relacionadas ao assunto. A GM, no seu encontro com a rede, até falou dos elétricos, mas os heróis da noite foram os carros a combustão e os híbridos. Teve palestra onde os sábios de plantão falaram que até 2035 mais de 60% do mercado será eletrificado, com carros híbridos. Não precisa ser muito gênio pra saber isso, não é mesmo?
No caso da Stellantis, foram muitas más notícias no dia de ontem. Venderam a fábrica por cem doletas mesmo. Mas o que não falei antes é que eles deixaram de investir 980 bilhões de dólares pra manter o equilíbrio com a sócia LG, que colocou outros U$ 1,46 bi na agora ex joint venture Next Star Energy. Ou seja, o preço real foi de U$ 980.000.100,00. Eu até consultei meu extrato, mas aí não dava.
Outra bomba, e que fez as ações da dona da Fiat e da Jeep despencarem 25%, foi que eles fizeram uma baixa contábil de 26 bi de dólares ontem e por isso vão ter um prejuízo, no segundo semestre, de uns 19 bilhões de dólares. No mínimo. Todo esse dinheiro, na maioria, eram referentes aos carros elétricos, como garantias para fornecedores que investiram nos sonhos da montadora e agora não vão ter mais cliente.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, as BYD's da vida continuam a todo o vapor a dominar a arte de construir carros elétricos. Fica o problema no ar. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Só mesmo com os impostos criados pelo presidente de cabelo de fogo pras ruas dos Isteites terem ZERO de carros chineses.
Já estou ansioso pelo Nada de 2026, 2027, 2028... E buscando saber quando vai ser o NADA chinês, pra já comprar meu ingresso...

A briga entre Anthropic e Chat GPT é exatamente um desses casos.
Ontem, Anthropic colocou no Youtube o comercial que irá veicular no Super Bowl, no próximo domingo. Ele faz uma critica nada sutil ao concorrente que já anunciou que passará a exibir comerciais. Mal divulgou o vídeo, o presidente da Open AI, Sam Altman, publicou um post no X descendo a lenha. Chamou de desonesta a postura da dona da IA Claude, que ele classifica como uma empresa autoritária.
Se era pra causar polêmica e fazer a marca aparecer, a Anthropic alcançou completamente seus objetivos. O comercial em si é engraçadinho, nem dá vontade de assistir duas vezes. Mas com o aval do Sam, vai virar tema de discussão para tuo quanto é lado.
No vídeo, um jovem franzino e baixinho pergunta como fazer para ter uma barriga de tanquinho pra um personal, que age como se fosse um robô. Recebe a resposta que queria, mas seguida de uma propaganda de palmilha, pra ficar mais alto. A frase final é direta: "Anúncios estão chegando à IA. Mas não no Claude."
Esse é um tema quente. Como acreditar numa IA que está sendo paga? Você pergunta qual o melhor sabonete e ele lhe diz o nome do anunciante... Quer saber onde passar as férias e a IA ignora bons destinos pois está sendo paga pra falar de algum lugar menos atraente... Na verdade, não é isso que os influencers sempre fizeram? A questão é que fomos levados a pensar que a IA seria isenta e justa. Estamos sendo colocados frente a frente com a realidade.
Era mais do que previsível que a propaganda chegaria à IA. Foi exatamente assim que aconteceu com o hashtag#Google. Não tinha anúncio, mas a pressão era tão grande que acabou criando um jeito de satisfazer os anunciantes e lucrar com isso. Agora é a vez das inteligências cobrarem para ser mais inteligentes.
Anthropic acertou, em cheio, o calo da OpenAI. Adoro essas brigas, quer dizer, aulas de marketing ao vivo.
Quer dizer, é muito estranho pra quem nunca viu um, como eu. Ainda mais o Zoox, o modelo da Google, que chegou em setembro do ano passado à cidade. Seis meses? Então deve ser estranho pra eles também.
O carro é gratuito, bastando ter o aplicativo (que não funciona em celulares brasileiros...). E dirige como se fosse uma velhinha de 80 anos dirigindo. Para e anda o tempo todo. Qualquer movimento perto dele faz com que o freio seja acionado.
Pra uma cidade que é toda artificial, o carro está no lugar certo. Todos os lugares que você olha, tem alguma coisa esquisita. Na verdade, tem duas cidades convivendo por aqui. Uma, do glamour e do dinheiro. Tem um shopping a cada 200 metros, dentro dos hotéis/Cassinos, e as lojas se repetem. E não pense que vai encontrar C&A ou Casas Bahia. É Prada, Louis Vouitton, Chanel... só marca bala.
Do outro lado, existe a cidade do turista americano pobre. Do que anda na Las Vegas Boulevard se espantando com as luzes e os sons (pode me incluir nesse grupo). Você passa por mulheres seminuas anunciando casas de espetáculo à plena luz do dia. Mendigos estão por toda parte. E na única cidade dos Isteites que conheço que é permitido beber nas ruas, a turma exagera nos drinques.
Realmente, os americanos conseguiram fazer uma Disney de adultos. É difícil ver crianças nas ruas. Mas normal passar por bandos de adolescentes, indo pra balada.
O NadaShow começa oficialmente hoje. E, com ele, uma parte da cidade vai parecer mais comum. Automóveis e concessionárias se parecem muito, independente do país. quem sabe assim consigo me sentir mais em casa...

Foram tantas as pessoas pedindo pra eu falar do comercial da Pepsi que aqui estou eu. Antes de mais nada, vale dizer que amei. Criatividade na veia, colocar o símbolo da Coca Cola, construída tão pacientemente, pra trabalhar pra ela. A cara do urso ao descobrir que gostou mais do gosto da Pepsi, durante o teste cego, é impagável. Criatividade 10.
A marca teve sua fase áurea, nos anos de 1980, quando falava pro público, se colocando como a bebida da nova geração. Foi talvez o momento máximo da Pepsi, que, inclusive, chegou a ultrapassar a rival, no mercado americano. Suas armas eram simples. Muito teste cego, comerciais criativos com celebridades e provocação aberta à Coca.
Mas Coca permaneceu no seu caminho, fingindo que nada estava acontecendo. Aliás, na verdade ela sentiu o golpe, lançou a New Coke, imitando o sabor de Pepsi, foi um fracasso de vendas, mas um sucesso, ao fazer a companhia entender que o consumidor queria não era o gosto, mas as lembranças afetivas que o refrigerante trazia.
Pepsi se perdeu no caminho, mais preocupada em ganhar dinheiro com os snacks, tipo Elma Chips e Lays. Agora, de 2023 pra cá, parece que voltou a se achar. Jogou fora um logotipo horroroso e voltou com o clássico, o mesmo dos anos 80. E aproveita o Super Bowl pra voltar a cutucar a dona do Papai Noel.
Está tudo lindo, aula de marketing ao vivo perfeita. Minha única dúvida é se isso é só uma boa ideia que alguém aprovou, ou se a Pepsi realmente voltou pro jogo. Como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão.
De todo jeito, já é meu comercial favorito de 2026...
Pra quem saiu do frio congelante de menos 15, de Nova York, os nove graus que fazem agora, em Las Vegas, dão a sensação de que estou em plena praia de Copacabana, no meio do verão. Já estou pronto para o NADAShow 2026, o congresso anual dos concessionários americanos, que sempre ditou a moda no mercado e que começa amanhã.
Interessante falarmos de clima, pois é assim que vejo o que vem acontecendo com o Nada. Em 2024, foi um evento morno, que mostrava que ninguém tinha certeza de nada. O bicho papão era o carro elétrico, toda montadora queria um pra chamar de seu, o carro autônomo tinha perdido importância e o carro conectado era visto como salvação da lavoura.
Em 2025, foi a vez da nevasca em New Orleans. Além da metade dos inscritos não terem chegado, o mercado automotivo parecia congelado. O elétrico foi deixado de lado, a inteligência artificial não foi quase citada e o grande discurso era "temos que voltar a fazer bem o básico". Nem os chineses apavoravam as pessoas, pois a barreira imposta pelo Governo deixou todo mundo meio cego.
Agora, 2026! A previsão do ano passado do consultor Glenn Mercer parece que se concretizou. Depois de ler todas as palestras que vão ser feitas, digo que o Nada Show vai ser um congresso maduro. Tudo voltado para fazer o básico corretamente. O que não tinha em 2025, a IA, neste ano tem de monte. Só que agora é pra ajudar a operação a dar dinheiro. Não tem sonho não. É mais uma mão de obra pra ajudar a vender mais carro. Híbrido, de preferência.
E pra você que me lê e vai estar no NADA, este ano tem novidade. A Sequoia criou um aplicativo de IA que simplifica a agenda das mais de 160 palestras e dos mais de 600 estandes. Você pergunta "qual a melhor palestra sobre..."e ela lhe fala, resumindo porque é boa pro mercado brasileiro e lhe dizendo onde vai ser.
Interessou? Mande uma mensagem pra mim, que lhe mando o link. É meu presente pra fazer esse mundo mais simples.
