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Tem horas que quem faz a Propaganda de um produto é o próprio concorrente.

05/02/2026
Postado por: Murilo Moreno

A briga entre Anthropic e Chat GPT é exatamente um desses casos.

Ontem, Anthropic colocou no Youtube o comercial que irá veicular no Super Bowl, no próximo domingo. Ele faz uma critica nada sutil ao concorrente que já anunciou que passará a exibir comerciais. Mal divulgou o vídeo, o presidente da Open AI, Sam Altman, publicou um post no X descendo a lenha. Chamou de desonesta a postura da dona da IA Claude, que ele classifica como uma empresa autoritária.

Se era pra causar polêmica e fazer a marca aparecer, a Anthropic alcançou completamente seus objetivos. O comercial em si é engraçadinho, nem dá vontade de assistir duas vezes. Mas com o aval do Sam, vai virar tema de discussão para tuo quanto é lado.

No vídeo, um jovem franzino e baixinho pergunta como fazer para ter uma barriga de tanquinho pra um personal, que age como se fosse um robô. Recebe a resposta que queria, mas seguida de uma propaganda de palmilha, pra ficar mais alto. A frase final é direta: "Anúncios estão chegando à IA. Mas não no Claude."

Esse é um tema quente. Como acreditar numa IA que está sendo paga? Você pergunta qual o melhor sabonete e ele lhe diz o nome do anunciante... Quer saber onde passar as férias e a IA ignora bons destinos pois está sendo paga pra falar de algum lugar menos atraente... Na verdade, não é isso que os influencers sempre fizeram? A questão é que fomos levados a pensar que a IA seria isenta e justa. Estamos sendo colocados frente a frente com a realidade.

Era mais do que previsível que a propaganda chegaria à IA. Foi exatamente assim que aconteceu com o hashtag#Google. Não tinha anúncio, mas a pressão era tão grande que acabou criando um jeito de satisfazer os anunciantes e lucrar com isso. Agora é a vez das inteligências cobrarem para ser mais inteligentes.

Anthropic acertou, em cheio, o calo da OpenAI. Adoro essas brigas, quer dizer, aulas de marketing ao vivo.

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Postado por: Murilo Moreno
Não é coincidência o Mercado Livre começar as vendas de remédios uma semana após a aprovação da Lei que passou a permitir que supermercados comercializem esse tipo de produto.

O projeto da Droga Meli está sendo preparado há algum tempo, esperando a entrada neste mercado que é duas vezes mais lucrativo do que vender arroz e feijão.

A nova lei permite a instalação de farmácias dentro dos supermercados. Já seria uma mudança e tanto. Mas inclui a liberação de vendas por hmarketplace, ou seja, o mero pedido por um site e a entrega pelo motoboy. A minha sensação é de que tudo isso já acontecia. Talvez essa seja uma lei que somente regulariza aquilo que era prática no mercado. E que permite que as grandes redes entrem na briga com a farmácia da esquina.

Supermercados, juntos, faturaram 1 trilhão de reais em 2025. Farmácias, quase um quarto desse valor, R$ 246 bi. Isso significa 10% do PIB brasileiro e explica a guerra de bastidores que ocorreu pra aprovação da lei. Engraçado que vender remédio em supermercado pode, mas vender comida na farmácia não.

Lógico que a lei aprovada limita certos abusos. Não dá pra simplesmente pegar o remédio de venda controlada na gôndola, ao lado da embalagem de Omo. A farmácia do supermercado tem que ter uma área separada. Algo tipo assim a padaria, um cantinho com uma carinha um pouco diferente, que permita dizer que você não está no meio das verduras. Fora isso, um farmacêutico deve estar de plantão o tempo todo. E remédios de tarja devem ser entregues em embalagens lacradas, que só serão abertas no caixa.

Mas o importante aqui não são as restrições, mas as liberações. Os supermercados colocaram o pezinho na piscina das drogarias. Pra pularem de cabeça, agora, é só uma questão de tempo. Devemos ver muitos novos projetos como o do Assai, que prometeu abrir 25 farmácias já neste ano, e do Grupo Mateus, que teve sua joint venture com as Farmácias Toureiro aprovada pelo Cade semana passada.

Março termina com um começo de revolução no jeito como você irá comprar seu Ozempic ou Mounjaro a partir de agora. A emoção está iniciando.

Adoro essas aulas de marketing ao vivo!

 

02/04/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Devo confessar que, atualmente, tenho gostado mais da linha de comunicação do Bradesco do que do Itaú.

Isso me surpreende, porque sempre achei que o melhor anunciante do Brasil fosse o banco laranja e azul. Tanto que, em sala de aula, coloco um slide somente com essas duas cores e os alunos reconhecem qual é a marca.

Agora, o bancão anuncia Ivete Sangalo como sua nova Cliente Propaganda. Como disse Selton Melo, um ano atrás, no primeiro comercial dessa série, "Garoto propaganda não! Cliente Propaganda, outro patamar..."

Veveta já fala, de cara, que tem relacionamento com o Bradesco há mais de 30 anos, num vídeo mal feito, gravado na vertical, como se estivesse conversando com seus fãs de dentro do camarim. E essa é outra coisa que gosto nessa campanha. A cara de que é tudo feito no improviso.

Bradesco vai patrocinar a nova turnê da cantora. Um negócio desse não se fecha de um dia para a noite. Então, teve tempo de ter comercial bem feito (que deve estrear ainda), mas anunciar a novidade, via Instagram, traz pra mais perto a informação. Ultrapassa o campo de influencer, pois não é só Ivete falando "Abra uma conta". É dizendo "Sou feliz com esse banco há muito tempo".

Único ponto a ser esclarecido é qual o público-alvo que Bradesco está perseguindo. Todos os movimentos que o vejo fazendo me fazem pensar que está se distanciando da imagem popular que sempre teve. A criação do Bradesco Principal, por exemplo, é uma tentativa de ganhar as ruas com uma divisão mais elitista, classuda, que o Prime. É querer encostar no Itaú Personnalité. As declarações do presidente, Marcelo Noronha, é outro ponto que reforça esse novo posicionamento. Só que Ivete Sangalo hoje é a maior figura popular do país. Povão mesmo. Pura pipoca.

Talvez seja a tática de uma no ferro, outra na ferradura. De todo jeito, estou aqui ansioso para a aula de marketing ao vivo que o Itaú deve dar, respondendo aos novos movimentos do seu concorrente. O Bichinho do Marketing que vive dentro de mim agradece.

01/04/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Prepara o bolso, porque vem nova moda aí pra comer seu rico dinheirinho.

Chega oficialmente, em maio, a minigeladeira da Zuru, uma empresa da Nova Zelândia especializada em diminuir o mundo, mas continuar cobrando como se nada tivesse acontecido.

A Mini Brands Fill the Fridge mal foi lançada, no meio do ano passado, e virou febre nos Isteites. A geladeirinha, em si, não é tãããããão cara assim. Deve ser lançada, pela Candide, por R$ 400,00. Não é um brinquedo barato, mas custa menos do que a verdadeira, que você acha, em qualquer marketplace, a partir de R$ 1.300,00. O caro mesmo é encher as prateleiras.

Não que você compre como faz num supermercado. As miniaturas de refrigerantes, pizzas, queijos, ovos e tantas outras coisas vêm em bolas surpresas. Lembra do Kinder Ovo? Da L.O.L.? Você compra pela emoção de descobrir o que tirou... e descobre que já tinha. Tipo coleção de figurinhas. Pois é... O problema é que cada bola, que vem com oito "produtos", vai custar quase 300 pilas. Só essa geladeira aí na foto, pra encher, custaria próximo dos dois mil reais. Isso, sem contar as repetições, e os itens raros, como os ovos. A Gracyanne Barbosa já deve estar pensando em lançar o Mini Gracyovo...

Interessante é entender que a febre não atingiu só as crianças. Os adultos são um dos principais consumidores do Fill the Fridge, nessa tendência chamada Kidults. O corpo cresce, mas a vontade de ter brinquedos permanece. Tem até nome essa coisa de comprar pequenos objetos, de se dar pequenos prazeres: Small pleasures economy.

No fim, o que a gente percebe é que o jeito de se criar essas tendências segue um padrão muito claro. A empresa cria, produz, distribui o produto e gera o desejo através de três ou quatro grandes influenciadores. Joga um caminhão de dinheiro na mão deles e deixa que as Redes Sociais façam o resto do trabalho.

Labubu deu certo assim. A Mini Brands segue o mesmo padrão. Isso tudo deve servir pra gente aprender alguma coisa... Nem que seja que os preços dessas novidades nos faz descobrir que ganhamos minisalários.

 

31/03/2026
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