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Bella resolve fazer uma sobremesa pro almoço de domingo e lá vou eu de supermercado em supermercado tentar achar uma caixa de biscoito champagne.

22/06/2025
Postado por: Murilo Moreno

Depois da terceira tentativa, ligo pra ela e digo pra buscar nos aplicativos. Ela me diz que já olhou e que não tem no Rappi Turbo, nem no iFood. A solução é fazer outro doce.

O bichinho de marketing que existe dentro de mim fica indignado. Como assim? Ninguém vende mais biscoito champagne? E os fãs desse tipo de 'bolacha'?

Fico na dúvida se estou à frente com um problema de Quebra de Estoque. Ou se, simplesmente, o biscoito deixou de ser consumido aos poucos e, finalmente, decretaram sua morte.

No Pão de Açucar, quando perguntei para um atendente, ele se prontificou a ir procurar no estoque e voltou dizendo que "me falaram que acabou porque fizemos uma promoção e vendeu tudo". Se for isso, é quebra. E nos demais locais que ninguém explicou nada? Todos se juntaram contra o indefeso biscoito?

A quebra, no varejo, é um dos piores efeitos do excesso de itens necessários num supermercado. Imagine você administrar 12 mil itens diferentes, quantidade presente num supermercado de tamanho médio para grande. Sempre vai ter produto faltando. O que significa perda de faturamento. Só que o contrário também é nocivo. Excesso de produto nas gôndolas significa dinheiro parado. Fora os prazos de validade...

Voltei pra casa com a certeza que não é um problema de planejamento, de logística ou de falta de controle de estoque, mas sim que as pessoas não consomem mais biscoitos champagne. E outra dúvida me surgiu: que outros produtos sumiram das gôndolas porque o consumidor mudou?

Não é a toa que adoro #varejo. Se você não presta atenção aos detalhes, seu cliente vai no concorrente, sem pensar duas vezes...

 

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Postado por: Murilo Moreno
A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe

A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe: o BYD Dolphin Mini foi o carro mais vendido nas concessionárias em todo o país, neste último mês de fevereiro. A montadora chinesa, rápida como um coelho, já colocou campanha no ar, espalhando a novidade nos quatro cantos. Só que nem ela entendeu direito o que tudo isso significa.

O Dolphin Mini é, ao mesmo tempo, o primeiro carro elétrico a chegar na liderança de vendas, e, principalmente, a primeira vez que um modelo chinês chega ao topo do ranking em Terra Brasilis. É bom lembrar que essa posição é relativa.

Quando somamos as vendas nas lojas com as vendas diretas, o Dolphin cai para o décimo lugar. Considerando que muitas vendas diretas são realizadas no show-room, é bem provável que o Volkswagen Tera continue sendo o carro mais vendido para o consumidor final. Mas até explicar que focinho de porco não é tomada, já deu tempo de comemorar esse gol de impedimento. E no mercado automotivo não existe VAR.

Se a luz de alerta das montadoras tradicionais estava no amarelo, a partir de agora está mais do que vermelha, está roxa. A BYD, em três anos, saiu de uma ilustre desconhecida para ser uma marca presente em todos os cantos. A velocidade com que construiu sua rede de 270 lojas é impressionante, e o preço do Dolphin Mini, R$107.000, é de carro popular. E olha que eles ainda nem fabricam direito do Brasil.

BYD é uma empresa não ortodoxa. Tudo que faz é fora do comum. Boris Feldman, um dos maiores jornalistas automotivos do Brasil, está sendo processado pela montadora porque afirmou que a empresa está mentindo quando diz que fabrica no Brasil. Como diz um presidente brasileiro, nunca na história desse país um jornalista foi processado por uma montadora. A questão é que a BYD matou a cobra, mas não mostrou o pau.

Em janeiro de 1995, o Fiat Tipo foi o carro mais vendido em nosso país. Era 100% importado, numa época que os impostos eram baixos. A liderança não durou nem dois meses, mas ajudou a montadora mineira (ou seria italiana?) a começar seu caminho para a liderança total do mercado. A chinesa lembra a mineira (ou seria italiana?) na sua velocidade de reação no mercado. Parecem tubarões à busca de empresas... sentem o cheiro de sangue de longe. Talvez seja essa a briga que vamos ver nos próximos meses. A tradicional Fiat versus a inovadora BYD.

De todo modo, essa liderança light do Dolphin Mini indica que o consumidor não tem mais medo do carro chinês, muito menos do carro elétrico. Pra quem é do mercado automotivo, 2026 promete mais emoções nos próximos meses. Seguuuuuuura coração!

 

05/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Saiu o ranking de PIB mundial, feito pelo FMI e, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil caiu novamente.

Do décimo, para o décimo primeiro. A explicação é linda: não fomos nós que caímos, foi a Rússia que subiu, por causa dos 40% de valorização do rublo. Tanto que o Canadá também foi atropelado.

Ufa! Agora posso respirar mais tranquilo... Fizemos a nossa parte... Pena que daqui a um ano ninguém se lembrará mais desse detalhe. Apenas que o Brasil caiu. É como aquele gol de mão do time adversário que faz o nosso perder o campeonato. Explica, no momento, mas depois cai no esquecimento pra maioria. Só a gente que lembra.

O Brasil sempre está rondando entre o 7º e o 14º lugares, desde o Plano Real, em 1994. É uma variação grande, mas fácil de entender porque, tirando os sete primeiro lugares, os países têm um PIB muito parecido até o 15º. São trilhões de dólares, ainda assim, muito próximos. Qualquer piscadela e você é ultrapassado. TIpo Fórmula Um.

Assusta mais a leitura que a Austin Rating fez dos dados do FMI. Entre 60 países fomos o 39º em crescimento no último trimestre de 2025. Só 0,1%, ou seja, quase nada. E aqui não conta a valorização do dinheiro russo. Somos nós contra nós mesmos.

Enquanto isso, Índia continua a briga contra o Japão para passar a ser a quarta economia do mundo. E a China perde espaço para os Isteites. Os asiáticos fazem muito barulho, mas cresceram menos do que os americanos desde o fim da Covid. Talvez ajudado pelas blindagens que os dois últimos presidentes fizeram contra a invasão vermelha.

O PIB mundial continua concentrado. Os sete mais ricos respondem por 80% da riqueza total. Somos um pouco mais de 2%. E não podemos esquecer que, em 1994, China e Brasil tinham o mesmo peso. Em trinta anos, eles abriram os olhos, nós olhamos pro lado.

Agora é torcer pela desvalorização do dinheiro alheio. Quem sabe assim a gente não sobe mais rápido no ano que vem?

 

04/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
No final de toda a negociação para a compra da Warner, o grande vencedor não foi a Paramount.

Foi o ultra-bem-pago executivo David Zaslav. Ele é o atual rei da polêmica no mundo do entretenimento, mas com o resultado da venda deve virar o queridinho de dez entre dez investidores americanos.

Acontece que ele foi o cérebro por trás da compra da Warner pela Discovery, em 2022. Ele fez a transação com as ações valendo 25 dólares. Como o Edward Mãos de Tesoura, Zaslav saiu cortando tudo quanto é tipo de custo, lançou filme no cinema ao mesmo tempo que no streaming, o que deixou Hollywood fula da vida, matou a marca HBO, ressuscitou a marca HBO, colocou nas ruas filme de sucesso, como Barbie, flopou com outros, e conseguiu o feito de jogar as ações no fundo do poço, valendo somente 13 dólares.

Mas como diz a filósofa Adriane Galisteu, "não se preocupe, pois no fundo do poço do elevador tem uma mola". E Zaslav parece concordar, pois além de recuperar o valor das ações, a negociação que ele fez com a Paramount, dos U$ 108 bilhões, significa levar a ação para o patamar de 31 dólares. Por todo ângulo que você olhe, o resultado final é super positivo.

Nessa história toda, o que mais me impressiona é a força da marca Warner. Esse estúdio de cinema, que foi fundado em 1923, já teve todos os motivos pra morrer. Só que é gato de sete vidas. Já foi da hTime, foi da America OnLine, da ATT, e estava nas mãos da Discovery. Onde encosta, as empresas perdem dinheiro. Mas ela continua forte. Estou esperando o anuncio oficial do nome da nova empresa, pra saber se finalmente Warner vai ser só uma divisão, ou se a Paramount vai ganhar sobrenome.

No final, Netflix perdeu a luta e sai com o prêmio de consolação de U$ 2,8 bilhões, que vai receber da Warner pela quebra de contrato. O negócio estava fechado em dezembro, quando a Paramount colocou água no acordo. O dinheiro da multa sai da conta da compradora direto pra perdedora. Só não deve ser PIX...

Só uma coisa tenho certeza. Ganhador, ganhador mesmo, que sai feliz de toda essa bagunça, é o agora ainda mais rico David Zaslav.

 

03/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Agora que fechou o ano de 2025 e que os resultados se consolidaram, Ypê lança uma campanha do seu sabão em pó Tixan para comemorar sua liderança de mercado.

Foi só o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim bater os olhos nessa notícia para ele ficar completamente indócil. "Como assim, Omo não é mais líder de mercado? Só pode ser fake news..."

A campanha traz um novo slogan, "Boas histórias com você" e um novo hashtag#posicionamento, "A melhor performance de lavagem de roupas é aquela que permite a minha melhor performance na vida.” É um pouco na linha do sabão que ajuda sua vida a ser mais fácil. Quase um "Se sujar faz bem", que a concorrente usa há mais de 20 anos, e que evoluiu ano passado para "Bota sua roupa pra jogo porque se sujar faz bem".

Omo é a marca Top of Top desde que a Folha começou a fazer a pesquisa Top of Mind. 33 anos como a mais lembrada pelos brasileiros. É muita coisa. A sensação que se tem, vendo os movimentos de mercado, é que Unilever tirou o pé do sabão em pó e passou a focar o sabão líquido, que dá mais dinheiro e que cresce mais rapidamente do que a versão antiga. Isso porque quase todas as últimas campanhas mostram sempre somente as embalagens plásticas, como a que o Bel Marques fez no carnaval.

Por outro lado, Ypê sempre focou na dupla preço-benefício, um jeito simpático de dizer que um produto é mais barato. Numa rápida olhada no e-commerce, a diferença chega a ser de 25%, com Omo custando R$ 16,00 contra R$ 12,00 de Tixan. Mas não credite a liderança somente ao preço. A empresa tem feito um bom trabalho de construção de imagem e Ypê é reconhecida, também no Top of Mind, como líder em sustentabilidade. Fora que, preço por preço, Unilever poderia combater a concorrente, colocando na briga marcas como Brilhante, Surf ou Ala. Tá levando um baile porque quer...

De todo modo, é muito interessante ver uma empresa 100% brasileira fazendo frente a uma multinacional tão poderosa. O ano mal começou e Tixan tem ainda muitos rounds à frente pra se consolidar no alto do pódio. Pra quem entrou no mercado há apenas 24 anos, passar a eterna líder é um feito e tanto.

 

02/03/2026
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