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A dona da Skol comprou a marca de tênis Skechers.

06/05/2025
Postado por: Murilo Moreno

Pode parecer estranho, mas ambas as empresas têm tudo a ver. Como assim?

Claro que estamos falando da 3GCapital, do Jorge Paulo Lemann, do Beto Sucupira e do Marcel Telles. Os donos da Ambev, do Burger King e das Lojas Americanas têm uma fórmula do sucesso. A estratégia sempre é comprar empresas que sejam coadjuvantes, secundárias mesmo, nos seus mercados e dar uma pressão pra que passem a ser importantes.

Só que isso é o que muitos investidores fazem. A 3G tem uma fórmula especial: seus executivos são colocados numa panela de pressão onde os mais agressivos são fartamente recompensados. Quanto mais agressivo e com maiores resultados, maior o bônus anual. Essa fórmula, normalmente, tem dado resultados. Se existe uma exceção à regra, foi a compra da Heinz, em que o sócio Warren Buffett parece não ter gostado muito desse estilo. Os dois se separaram, e seguiram caminhos diferentes.

No caso da Skechers, a empresa é a terceira maior fabricante de tênis do mundo, só perdendo para a Nike e a Adidas. E a diferença de tamanho é enorme. Enquanto a líder fatura 51 bilhões de dólares e a alemã, 27 bilhões, ela mal ultrapassou os 9 bi de faturamento. Se conseguir subir seu preço, talvez já diminua a distância. Enquanto um tênis da Nike custa U$ 160, o da Skechers custa meros 60. Só isso faria a empresa mais do que duplicar o faturamento.

Dessa vez, parece que o modelo de gestão vai ser diferente. O fundador da empresa, Robert Greenberg, vai continuar mandando no dia a dia. Pode ser que os estilo 3G tenha mudado, junto com as novas gerações. As pessoas estão menos workaholic, trabalham por propósito e não aceitam se matar simplesmente por dinheiro. As críticas ao estilo "Ambev de ser" passaram a ser constantes e o caso das inconsistências contábeis das Americanas pode ter ajudado a enterrar o modelo.

Deve ter pesado na decisão de compra o momento pelo qual a Nike passa. O toque de Midas do Phill Knight, fundador da empresa, parece ter acabado. Se antes tudo que a empresa fazia dava certo, agora parece que os executivos estão com dedo podre. Enquanto isso, a Adidas comemora seu crescimento na linha de tênis casual.

Quanto mais confuso o mercado, melhor para um novo desafiante. No final, estratégia é um modelo de negócio, um jeito de pensar. Não podemos negar, o jeito de ser 3G é vencedor. Mas como tudo na vida, parece que chegou o momento de vermos se uma nova fórmula funciona...

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Postado por: Murilo Moreno
Desde o final de maio, já li mais de 450 páginas de trabalhos de conclusão de curso dos meus alunos.

Isso sem contar os anexos. Habitualmente, tenho dormido com o computador aberto, pois o dia tem sido curto pra tanta produção. Nunca tão poucos produziram tanto, em tão pouco tempo. E a razão é fácil de entender. A Inteligência Artificial tem dado uma mãozinha.

É muito claro, num texto, quais partes os alunos se envolveram e quais transferiram a responsabilidade para a IA. O tom, a velocidade, os termos mudam e parece que foram pessoas diferentes, com pensamentos distantes, que fizeram o conteúdo. Lógico que existem trabalhos e trabalhos. Aqueles que merecem uma nota 9 ou 10 continuam sendo brilhantes e se utilizam da IA como apoio e não como decisora.

Cresci num tempo em que as calculadoras entraram na vida dos estudantes. Em que não fazer uma soma de cabeça era um absurdo. Tive aula de como usar uma calculadora científica para fazer cálculos de equações e de trigonometria. E desaprendi muita coisa, porque passei a confiar nessas pequenas máquinas. Mas se o resultado fosse muito absurdo, meu "sentido aranha" saberia.

Posso estar de mau humor, por conta das noites mal dormidas, mas tenho a sensação de que estamos nos acostumando, aos poucos, a delegar as decisões aos Chats GPTs da vida. E isso vai desde saber a qual restaurante ir até como escrever um trabalho que vai definir se você está pronto para o mercado de trabalho ou não.

Em criatividade, 1+1 pode ser qualquer coisa. Em matemática, não. Vai ser sempre dois. O senso crítico precisa ser barreira para saber qual resposta dar. Mesmo que, pra isso, a gente não pareça tão inteligente.

 

05/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Sabe aquele motoqueiro que passa raspando no retrovisor do seu carro, correndo que nem um louco, pra entregar o mais rápido possível alguma encomenda do iFood?

Tá indo pro espaço. Literalmente. A marca acaba de inaugurar a primeira rota de drones em SP.

Parece pouco, mas é mais uma mudança enorme que entra nas nossas vidas bem silenciosamente. Até porque, num primeiro momento, a gente nem vai sentir. O drone não vai parar na nossa porta. Ele vem até um ponto onde uma pessoa pega a encomenda e corre pra sua casa pra entregar.

Engraçado é que a tecnologia ainda não é 100% independente do ser humano. Começa no shopping. O robozinho do Ifood, carinhosamente chamado de ADA, para no restaurante e espera alguém colocar a encomenda dentro dele. Aí leva no aeroporto dos drones (seria droneroporto?), onde outro alguém transfere o pedido pro helicóptero de pobre. O aparelhinho decola e voa até o ponto final, onde mais uma pessoa agurda pra fazer os últimos metros. Onde tinha um motoqueiro impaciente na porta do restaurante e depois desesperado, costurando no trânsito, agora serão três pessoas ansiosas pra que tudo funcione bem.

A novidade começa em Alphaville, em SP. Sai do Shopping Iguatemi e vai pra um condomínio perto. A principal vantagem é passar por cima da portaria sem ter que ser reconhecido e, depois, ser entregue por alguém que já está lá dentro. Aquela fila longa na recepção... chama no interfone... espera mais um pouco... acaba. É pá-pum.

Nessa disputa de deliveries, onde Ifood está sendo atacado por todos os lados por 99Food e Keeta, esse é um diferencial que pode ajudar a líder a continuar em primeiro lugar. Mas o principal é notar como a tecnologia invade nosso dia a dia e muda a percepção das coisas. De uma curiosidade, um zumbido no céu, dentro de pouco tempo estaremos acostumados com o balé de drones no ar.

Aí, como diz o ditado, é ficar com um olho no peixe, outro no gato. De um lado, o motoqueiro que te corta o caminho, do outro, o drone que despenca do alto.

O mundo, lá fora, está cada vez mais perigoso...

 

04/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Andar por uma grande cidade, como São Paulo, tem disso.

Você, de repente, encontra com uma faixa como esta: “Pare de Sofrer”. A promessa é forte, pois temos todos a tendência a querer o prazer e a fugir da dor.

O Bichinho do Marketing que vive dentro de mim e que estava com insônia de uma noite mal dormida, por conta do preço da gasolina, ficou agitadíssimo com as frases seguintes: “Solução para o impossível. Amor, família e negócios”. Com promessas que não se cumprem, você conquista o cliente, mas não a fidelidade.

Fiquei imaginando uma senhora pensativa, de turbante (turbantes são sempre misteriosos), olhando pro próprio negócio e receitando para si mesma colocar uma faixa numa avenida qualquer de São Paulo, pra trazer os melhores clientes pra si mesma. No mínimo, é esperta, pois não mexe com política. Se não, a faixa poderia estar em Brasília e a fila de políticos talvez fosse enorme. Aliás, faltou somente ela na vida do Vorcaro, pra evitar todo o incômodo que o banqueiro está passando.

Pode parece brincadeira, mas nem tanto. Quando fiquei viúvo, lembro-me de ter visto um anúncio, no Rio de Janeiro, dizendo que a profissional carioca em resolver coisas impossíveis (será que isso é uma franquia?) trazia o amor de volta. Sem furo. E, caso não funcionasse, devolveria o dinheiro. Frágil como eu estava, contratei o trabalho da vidente, que não conseguiu reviver minha esposa. Tem coisas impossíveis que são realmente impossíveis.

Pedi meu dinheiro de volta, mas estou esperando até hoje. Parando, agora, pra pensar, conheci a Bella logo depois da consulta. Apaixonei-me e acabei casando com ela. Ou seja, o amor realmente voltou.

Pensando bem, acho que vou ligar para cartomante da faixa…

 

03/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Quase meia noite, voltando da escola, combustível acabando, paro no primeiro posto que encontro perto de casa.

É, meu carro ainda não é elétrico…

- Completa, por favor…

- O litro é nove reais e tralalá…

Não sei nem quantos são os centavos, a única coisa que fica se repetindo na minha cabeça são os nove reais.

- Como assim? Eu vi seis e pouco…

- Esse é o preço do etanol, responde o frentista, apontando pra placa que insiste em piscar acima da bomba.

- Não... foi em outro posto, no caminho pra cá…

- É, aqui é mais caro, sempre…

- Mas por quê?

- Não sei… Sempre foi…

A franqueza despertou o Bichinho do Marketing que vive dentro de mim. Ele acordou rabugento, mas entendendo porque o frentista foi tão direto. Deve estar cansado das brigas ao lado da bomba, de clientes que se sentem enganados. O nobre dono do posto não está testando elasticidade de preços, mas sim a paciência do consumidor.

Agradeço e entro no meu carro. Não ando nem 200 metros e vejo um preço anunciado a R$6,99. Acho que encontrei a gasolina mais barata do mundo. Ainda bem que a concorrência ainda existe...

 

02/06/2026
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