No Brasil, a maior fabricante chinesa de celulares chegará com o nome de Jovi. Isso tudo porque a palavra original já é o nome da maior operadora de linhas de celulares do país. Não precisa ser especialista pra pensar que a chinesa deve ter tentando qualquer tipo de acordo com a brasileira antes de decidir rebatizar sua marca. E que, sem sucesso, resolveu se lançar criando, no país, uma nova marca.
Anunciado esta semana, os novos modelos deverão ser fabricados em Manaus e chegar ao mercado antes do final de junho. Essa pressa toda é devido às mudanças que o tarifaço do Trump tem causado. Não foi só a Vivo que decidiu vir pra Terra Brasilis. A Apple também quer aumentar a produção local, pra fugir da briga comercial EUAxChina.
De toda forma, ter um nome diferente por aqui vai fazer da vida da empresa um inferno. Vai ter que duplicar tudo. Um material pra todo o mundo, um exclusivo pro nosso país. Mas a principal perda é não contar com os patrocínios internacionais, como a Copa do Mundo, quando a marca Vivo aparece estampada nas placas de campo.
O risco é, no futuro, conseguirem aprovar o nome pra uso local. E passarem pelo mesmo problema que teve o tênis hashtag#Veja. Lançada no Brasil com o nome de hashtag#Vert, a marca francesa resolveu a pendência jurídica que existia contra outra empresa que detinha os direitos do nome, e fez o rebranding pro nome original. O que houve? As pessoas começaram a achar que Veja era uma cópia barata do tênis Vert. E a moda passou. Cadê os Vejas no pé das pessoas?
A história está aí pra ser reescrita. Mas num mercado tão dinâmico quanto o dos smartphones, tudo pode acontecer. E o resultado pode ser diferente.
Agora é pegar a pipoca e assistir, de camarote, os próximos capítulos…

Não foi por causa do Ronaldo Fenômeno, do Neymar ou de qualquer outra referência ao "ótimo futebol" da Seleção. É que sou fã dos filmes da saga "De volta pro futuro" e fiquei encanado com a van do comercial.
A história, em si, é ótima. Um torcedor no centro do Rio de Janeiro vê uma máquina do tempo aparecer, dirigida pelo Ronaldo. Só que no lugar de um DeLorean prateada, aparece a van amarela da Mercado Livre. Os dois partem para o ano de 2002, no final da Copa, com todo o povo comemorando o penta.
Só que a van que sai do presente, uma Renault Master, não é a que pousa em 2002, que se parece com uma daquelas chinesas ou coreanas que rodaram por aqui, em Terra Brasilis. Até a hashtag#marca da empresa retrocedeu ao antigo logotipo. Estranho é que o Ronaldo não remoçou, nem emagreceu. Se isso tivesse acontecido, tínhamos descoberto o segredo da eternidade...
Existe algum problema nisso? Lógico que não. Mas fiquei pensando se o Ronaldo resolvesse voltar pra 1930, primeira Copa no Uruguai. Teriam chegado numa Renault Fourgonnette ou num Ford Delivery. O problema seria depois ter que girar a manivela pra van pegar de novo.
Meli é outra na torcida pelo Hexa. Meli é outra contando a mesma história, só que numa forma diferente. Criatividade é isso: Mesmo briefing, diferentes soluções.
Vai Brasa!
É a realidade das empresas, que precisam estar antenadas no que o consumidor precisa ou deseja. Pra dificultar ainda mais as coisas, estamos vivendo a era da Economia da Atenção, onde são tantos estímulos disputando o interesse das pessoas, que, sem um planejamento consistente, corre-se o risco de sermos ignorados.
Se, no passado, comerciais nos intervalos criavam guerras de marcas como a de Assolam com Bombril, hoje em dia essas iniciativas caem rapidamente no esquecimento e só se sobressaem com consistência e regularidade. O custo da atenção não é somente financeiro. E entender isso é o segredo do sucesso.
São esses os pontos a serem abordados na Masterclass “Pôneis Malditos e campanhas virais", que estarei ministrando no próximo dia 18, na ESPM, a partir das 19:30h. O comercial furou a bolha do excesso de mensagens que cada um de nós vive e tornou-se um dos maiores virais brasileiros que até hoje é considerado um marco da publicidade.
Vamos entender como o resultado foi planejado desde o início e analisar quais as características das comunicações da atualidade que permitem novas iniciativas como a da Nissan Frontier.
Se você se interessou, está na hora de se inscrever. Clique no link (CLIQUE AQUI) e saiba mais. Esta é a última chamada para o masterclass que vai revelar os detalhes por trás de um dos maiores sucessos de marketing dos últimos anos.
Espero você.
O voo ainda demora e aproveito pra trabalhar um pouco mais. Abro o laptop pra descobrir que a bateria não vai aguentar o tempo necessário e resolvo já sentar em algum canto que tenha energia. Saio olhando as paredes, mesas e cadeiras, em busca de alguma tomada. É o Terminal 3 e nem cadeiras são fáceis de achar.
Pareço louco, andando de canto em canto, olhando atrás dos móveis. Fico imaginando um segurança, naquelas salas cheias de telas de TV, me vigiando e chamando no rádio, gritando "possível suspeito com mochila nas costas". Vejo duas tomadas, ambas ocupadas por homens em seus computadores, que me olham como leões dominando territórios.
Atravesso pro Terminal 2 e começo a me desesperar. Sumiram as tomadas, ou perdi a capacidade de enxergar? Apelo e subo pro segundo andar. Ufa! Uma tomada... quebrada. Finalmente encontro um canto, com poucas cadeiras, vários funcionários do próprio aeroporto descansando e uma torre de energia. Descobri algum lugar mágico que só os iniciados conhecem.
Mais aliviado, lembro da padaria próxima à ESPM, que deixei de frequentar quando precisei ligar meu MacBook à eletricidade e a atendente disse que ali não tinha como. Sai pisando firme, como se aquilo fosse uma obrigação, parte fundamental do pão francês. Quando foi mesmo que ficamos tão dependentes e não percebemos? Todo mundo fica preocupado com o sinal do celular ou o Wi-fi, mas a verdadeira cocaína é a energia elétrica.
Lógico que a questão tem dois lados, pois lembro da Starbucks da Alameda Santos, que ficava lotada o dia inteiro de gente nos seus computadores, sem consumir o café, mas ocupando as mesas e as tomadas. Coitada, fechou...
Essa é uma realidade que veio pra ficar e vai ter um dia em que não precisaremos mais nos preocupar com ela, pois os aparelhos se recarregarão por indução, ou as baterias terão duração quase eterna. Enquanto isso, vamos vivendo de power banks e coleção de carregadores.
De repente, meu celular desliga. Acabou a bateria. Acho que está na hora de ir pegar a Bella...

Enquanto eu estava pensando no prato, ela estava pensando no ciclo de vida financeiro de um carro. Claramente, estávamos na mesma mesa, mas em mundos diferentes.
Quanto mais ela falava, mais me lembrava de um professor que tive no colégio. Não que eles se parecessem, mas porque nunca vi pensamentos tão opostos.
Ele falava que o "E se..." não existe, com aquela certeza de professor que acha que está entregando uma verdade definitiva, enquanto a gente só queria saber o que ia cair na prova. O pior é que acho que nunca aprendi uma coisa tão errada na vida. Lógico que entendi a perspectiva dele, que dizia que a gente não pode perder tempo na vida pensando no que poderia ter acontecido. Mas, com isso, ele acabava nos ensinando a não ver o mundo com outros olhos. E é essa capacidade que faz o sucesso das pessoas e das empresas.
O que quero dizer? Diferentes perspectivas é tudo na vida. E é a nossa capacidade de olhar pro mesmo e ver algo novo que nos leva pra frente. A Simone me mostrava como esse olhar faz toda a diferença.
Toda fabricante de carro tem um banco pra chamar de seu, por uma razão muito simples. A maior parte dos veículos é vendidos a prazo e não dá pra ficar à mercê dos bancos tradicionais. Que podem, de uma hora para outra, direcionar o dinheiro para outros tipos de financiamento. Esses "bancos de montadora" são chamados de cativos, porque são ligados, como unha e carne, ao negócio principal, que é a fabricação e venda de carros zero. Parecem chatos até alguém explicar que, no fundo, são a diferença entre a concessionária respirar aliviada ou ficar roxa por conta dos juros do estoque.
Aí vem o Banco Volkswagen e usa o "E se..." pra mudar o olhar sobre a realidade. "E se, ao invés de facilitar a venda do zero, a gente não acompanhasse os vários ciclos financeiros de um automóvel?" Juro que eu demorei a entender o que Simone me perguntava, mas depois que compreendi, deu pra captar porque 94% dos financiamentos de carros zero na rede VW são feito por eles.
O foco da financeira não está no financiamento, pura e simples. Está em fazer o fluxo das vendas ser contínuo, como se fosse uma linha de produção. Os "E se..." se acumulam. E se a gente financiasse o usado que vai entrar na troca? E se financiasse quem for comprar esse usado? E se gerássemos um estoque de usados para os concessionários? E se fóssemos uma fábrica de oportunidades financeiras?
A Volkswagen Financial Services chama isso de Plataforma de Mobilidade Integrada. Eu chamo de mudança de perspectiva de negócio. Banco de montadora parece assunto chato de almoço. Até deixar R$ 1 bilhão de lucro na mesa.
