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Se você gosta de jogar no cassino...

22/02/2025
Postado por: Murilo Moreno

Se você gosta de jogar no cassino, mas não tem tempo de viajar para um país em que isso seja legalizado, sugiro que entre no mercado de comercialização de energia elétrica. As emoções são muito parecidas, pois os riscos de perdas e ganhos são enormes.

Nesta semana, a Gold, uma empresa que compra e vende eletricidade, seguiu os mesmos passos do supermercado St. Marche e entrou com medida cautelar pra não ter que pagar suas dívidas enquanto negocia com os credores. O próximo passo a gente já conhece: depois da Recuperação Extrajudicial, virá a fórmula mágica preferida por 10 entre 10 empresas enroladas com pagamentos, a recuperação judicial.

A Gold trabalha num dos mercados mais complexos que conheço. Depois dos apagões dos anos 1990, na era FHC, a lei do setor mudou, criando três entidades diferentes. A primeira produz energia, ou seja, é dona das usinas, desde hidroelétricas até aqueles imensos cataventos eólicos. A segunda, transporta a energia, das usinas até as cidades. São aquelas torres e cabos que vemos por todos os lados, nas estradas. E a terceira distribuiu para as casas e empresas, as donas dos postes e que a gente xinga quando acaba a luz.

A nova lei permite que empresas, grandes consumidoras, comprem a energia de uma usina do Pará, mesmo que o consumo seja feito em Pernambuco ou em Santa Catarina. Como forma de evitar que a eletricidade fique atravessando o país todo, todos que comercializam fazem compensação entre si. "Olha, tenho um cliente aí em Porto Alegre e você tem um aqui em Fortaleza. Você entrega ai pro meu cliente, eu entrego aqui pro seu e depois a gente compensa a diferença, ok?"

Não satisfeito, ainda existem empresas que compram e vendem o excesso diário de energia. São intermediárias que ganham se compram barato e têm clientes que pagam mais caro. Aqui entra a Gold. Elas negociam diariamente com quem produz. Só que o preço varia, também, todos os dias. A empresa vende, hoje, por um, pois o preço no mercado está 0,95, e quando vai entregar, o preço subiu pra 1,05. De ganhar muito dinheiro, se endivida toda, já que tem a obrigação de entregar.

No final do ano passado, as comercializadoras apostaram na queda do preço. Erraram e compraram mal, pois faltou chuva e os preços subiram. Depois, apostaram que o preço continuaria alto, erraram de novo. Vieram as chuvas e os preços despencaram. Em poucos meses, a Gold acumulou R$ 189 milhões em dívidas. Agora, só pedindo um tempo, que nem criança faz em brincadeira de pega-pega, pra evitar ficar sem dinheiro nem pra pagar o cafezinho.

Recuperação Judicial está ficando mais comum do que bala perdida no Rio. O problema é que, se por um lado é uma nova chance pra empresa se reorganizar, por outro gera um custo a mais pro consumidor. Ou você pensa que esses descontos nas dívidas são pagos por outra pessoa que não seja você?

 

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Postado por: Murilo Moreno
Roubaram o iPhone da minha esposa.

Numa esquina de SP, motoqueiro levou o aparelho. Simples assim. Em pleno sol do dia, num cruzamento movimentado, o ladrão fugiu, escondido pelo capacete.

Passado o susto, hora de ligar pros bancos e bloquear as contas. Sobrou pra mim ligar para a operadora do celular, já que o plano é corporativo. Disco o número da empresa e caio numa URA, aqueles atendimentos robóticos de opções longas e que já foram proibido por lei. Disco CNPJ, clico o nove e me atende um ser que, depois de ouvir meu caso, me diz "Aqui é só atendimento de pessoa física. O telefone de linhas corporativas é outro." Pergunto porque então disquei o CNPJ da empresa, se isso não direciona pro lugar certo. Ele me deixa no ar, simplesmente desligando na minha cara.

Ligo pro "número certo". Depois de lidar novamente com uma loooooonga URA, a atendente me explica que aquele número é para pendências financeiras e me manda ligar novamente pro telefone inicial. Nervoso com esse vai e vem, faço mais uma ligação pro número inicial. Nova espera na linha, depois de uma loooooooooooooonga URA, e outra vez, mais um atendente fala que estou no lugar errado. "Eu só atendo pessoa física, vou lhe transferir para a área de pessoa jurídica."

Pergunto porque estou sendo transferido de telefone pra telefone, de atendente para atendente. A única coisa que recebo de resposta é uma musiquinha de espera, no meio da minha frase. Enquanto isso, só consigo pensar no ladrão entrando nas contas da Bella e tirando o dinheiro. A operadora parece ajudar o amigo do alheio, me enrolando e demorando a resolver meu problema.

Finalmente bloqueio a linha , 28 minutos depois da primeira tentativa. Uma hora depois, meu whatsapp chama e é da operadora. A mensagem me diz que preciso fazer alguns ajustes, pra que minhas linhas funcionem adequadamente. Chamo a atendente, que me diz que tem uma mega oferta pra mim, pra eu renovar o "contrato de fidelidade". Pergunto se ela vai resolver meu problema de roubo. Ela nem se dá ao luxo de tentar entender meu problema. "Sou da área de vendas, isso é em outro telefone..."

Engraçado. Quando chega o boleto pra pagar, não recebo mais de um, separados por áreas. Talvez seja a hora de eu trocar de empresa...

 

17/04/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Sempre falo pros meus alunos da ESPM que eles precisam conhecer o cliente pra quem estão trabalhando.

Não a empresa, mas a pessoa, pois quando se muda um diretor de marketing, muda-se também o estilo de aprovação de novos comerciais. Diria que foi isso que aconteceu no Itaú.

Meio do ano passado, Juliana Cury assumiu a cadeira mais poderosa da propaganda brasileira, substituindo o eterno Eduardo Tracanella. Todo novo xerife demora um tempo pra colocar seu estilo. Mas coloca. A campanha da Copa do Mundo, que estreiou esta semana, com direito a Ronaldinho, Alcaraz, Rebeca Andrade e a menininha da "Ispelansa", traz um novo jeitão.

Sai o tom institucional, do banco sério e competente, entra o humor, alegre e leve. Mas não se engane. Não é comédia. É bom humor. A ponto dos torcedores cantarem o antigo hino da Copa do Itaú (mostra tua força Brasil...) e o motorista comentar: "Essa é melhor não, ein?". Quase um "Sai pra lá Urucubaca!"

Talvez seja esse tom que o maior banco privado brasileiro, em receita, precise pra enfrentar o maior banco privado brasileiro, em correntistas, o Nubank. Itaú passou por uma cirurgia plástica na publicidade e parece mais jovem. Precisa dessa mudança urgentemente, pra continuar atraindo novos, e polpudos, consumidores.

Lógico que uma andorinha só não faz verão e precisamos esperar os próximos comerciais pra entender se a linha de comunicação mudou ou se foi apenas um comercial de ocasião. Mas que chegou nova xerife na área, ah! isso chegou...

 

16/04/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Que tal você testar o novo Kicks e acabar de uma vez por todas com esse seu preconceito contra motores 1.0?

O convite partiu do Rogério Louro, diretor de comunicação da Nissan, depois dele ler minha avaliação do VW Tera. Mais do que depressa, topei.

Falar da japonesa pra mim é difícil, pois trabalhei por lá durante quase cinco anos, quando, meus colegas e eu, levamos a montadora do 12º para o 6º lugar em vendas. Bastou uma canetada nas leis para ela despencar, pressionada pelos novos impostos, criados para parar marcas como Jac e Nissan.

O engraçado é que o mundo automotivo parece ser cíclico e estamos vendo, agora, novas discussões sobre como segurar a invasão chinesa. Na semana passada, quase que ao mesmo tempo, BYD e Stellantis colocaram mais lenha na fogueira dessa discussão. O VP da chinesa, Alexandre Baldy, chamou a atenção para a tomada da liderança por sua empresa, quando se consideram somente as vendas no show room. À frente da VW e da Fiat.

Coincidentemente, Antonio Filosa, CEO mundial da Stellantis, falou pra imprensa sobre a necessidade de se criar "mecanismos de equalização" frente às chinesas, para se manter a competitividade das montadoras tradicionais. Convocou o Governo brasileiro para o baile, quando cita que o sucesso vermelho é resultado de um planejamento "Governo + Montadoras", feito há 20 anos.

Chineses pra todo lado, tradicionais brigando pra manter mercado... e eu, rodando de Kicks pelas ruas de São Paulo.

Lógico que vou falar do motor daqui a alguns dias, mas já deu pra perceber que a tecnologia vai acabar me convencendo. Só digo o seguinte: Todo mundo que olha, se espanta com a beleza do carro. Com seu desenho quadradão, parece ser maior e mais imponente do que é. E diversas pessoas me pararam pra perguntar que carro era. No meio de tanta marca e modelo novo na rua, Nissan tem que fazer um esforço monstruoso pra ser notada.

O mercado está em ebulição e eu testando o Kicks. Nada poderia deixar mais feliz o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim..

 

13/04/2026
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