Seria vizinha da sua co-irmã Hyundai, em Piracicaba, e encerraria a antiga disputa com o Governo Federal, que cobra, desde os anos de 1990, a dívida que a Asia deixou pra trás.
Acontece que esta última era filial da Kia e as duas entraram em crise, em 1997, pouco antes da Hyundai salvá-las de simplesmente desaparecerem do mapa. Salvou, mas o problema permaneceu. E a justiça brasileira considerou que, independente da marca Asia ter sumido do mapa, a dívida continuava existindo.
Parece que vem um final feliz por aí. A construção dessa nova planta seria a contrapartida da coreana para que o povo de Brasília perdoe o calote. Pensando como governo, o dinheiro retorna, com juros e correção, pois gera novos empregos e impostos. "Todo mundo" ganha... menos a concorrência.
Hyundai chegou no Brasil pelas mãos do Carlos Alberto de Oliveira, o Dr. Caoa. Kia, pelas do José Luiz Gandini. Nunca existiu uma história tão diferente. A primeira cresceu, montou fábrica no país, virou disputa entre o importador e a montadora e, no final do ano retrasado, voltou pras mãos da dona. A outra nunca pôde decolar, com a âncora da dívida. Agora vai poder.
O que parece ser um perdão de dívida, na verdade é uma confirmação da saúde do mercado brasileiro. Se a turma da Hyundai tivesse medo dos chineses e dos seus carros, dificilmente estariam decidindo colocar uma nova fábrica em Terra Brasilis. Parece que, depois do primeiro susto, os leões chineses são somente um gatinho a mais. Só tem medo quem se sente um rato.
Lógico que estou simplificando, e muito, todas as disputas que estão ocorrendo na indústria automotiva. Mas esse anúncio, se confirmado, vai significar mais uma marca disputando a atenção do consumidor brasileiro. No final, parece que o perdão da dívida vai ser até barato.

Coca Cola fez um novo rebranding de sua marca. Novo rebranding parece redundante, mas é como devemos encarar a mudança. A fabricante do refrigerante mais icônico do mundo, de tempos em tempos, muda um pequeno detalhe aqui, outro acolá, sempre atualizando o design de suas embalagens e materiais publicitários.
Acontece que ela está em mais de 200 países e isso acaba fazendo com que as latas, garrafas e assinaturas passem a ter pequenas diferenças entre si. Aí, só resta fazer um "freio de arrumação", pra alinhar tudo e todos. Alguém, lá em Atlanta, meteu o pé no freio. Com vontade.
A onda branca, criada em 1969, volta com toda força, bem como o quadrado vermelho que a contém, logo abaixo do nome do refri. Ficou na dúvida? Olha a imagem do post. Tá lá, na parte de baixo. É bem provável que o nome isolado, em preto ou vermelho, desapareça dos materiais promocionais por um tempo, até o próximo rebranding.
Coca não é o que é por acaso. São mais de 140 anos se transformando pra ficar no mesmo lugar. Pro Bichinho de Marketing que vive dentro de mim, o melhor exemplo de consistência de marca.
Mas o mais importante é ver como o açúcar está perdendo relevância no mundo atual (sorry, Mr Trump!). A lata da Coca Original e da versão Zero estão cada vez mais próximas. A versão sem açúcar já foi totalmente preta, voltou a ser vermelha, com o nome na cor preta e, recentemente, ficou quase idêntica à versão açucarada, só que com uma tarja preta na parte superior. É como se a diferença entre as duas versões estivesse acabando.
Um mero detalhe irá separá-las, a partir de agora. Uma tampinha preta na garrafa, uma onda da mesma cor, na lata, o texto "Zero Açúcar" debaixo do nome e voilá! Vai aumentar ainda mais quem compra gato por lebre, no ponto de venda. O que não é um problema, pois o gosto já é quase o mesmo.
Pra isso tudo acontecer é sinal de que o hashtag#consumidor está migrando fortemente para o refrigerante sem açúcar, no mundo inteiro. De todo jeito, Coca muda, pra não mudar.
Não tem aula de marketing melhor pra gente assistir. Voltou uma onda, mas no fundo foi uma revolução.
De tudo o que acontece na Copa, talvez o mais inexplicável seja a foto do argentino Messi dando banho naquele que se tornaria o maior jogador da atualidade da Seleção Espanhola. Antes que você pense no Cristiano Ronaldo e o Lionel, juntos, debaixo de um chuveiro, deixe-me explicar que estou falando do bebê Lamine Yamal, numa foto que já tem 19 anos. Yamal cresceu e se tornou um craque revelação no Barcelona, time onde o Messi começou sua carreira internacional.
A foto gerou uma discussão enorme, pois reúne duas revelações do Barcelona para o mundo. As conversas giram mais em torno de que o encontro seria um sinal do que aconteceria no futuro com Yamal, algo como "Messi batizou Lamine", do que a capacidade do time espanhol em identificar e desenvolver craques.
Engraçado o ser humano. Nós procuramos explicações divinas nos acontecimentos e sempre nos dividimos entre os que acreditam em destino e os que apontam para as coincidências. Entre os dois extremos sempre vai existir o psicólogo Jung, que criou o termo Sincronicidade, o famoso alinhamento dos astros que fazem as coisas acontecerem (me desculpem os estudiosos, pela simplificação).
Só que se existe um lugar pra essa foto ser feita, esse lugar é o Barcelona. Messi foi descoberto pelo time, aos 13 anos, que o levou pra ser treinado no seu time de base. Ele tinha problemas de crescimento, e o tratamento foi custeado pelo Barça. Dos 26 anos de sua carreira, 21 foram defendendo o clube que o revelou.
Yamal também foi descoberto pelo Barcelona, só que aos seis anos de idade. E desde então, está na folha de pagamentos. Já são 13 anos! No meio de toda sua história, se tornou o mais novo jogador a entrar em campo pelo time profissional.
Messi foi eleito 8 vezes o melhor jogador do mundo. Yamal ainda tem muito tempo pela frente pra alcançar e superar sua babá. Mas, o mais importante é entender porque o Barcelona é o segundo mais valioso time do mundo. Ele investe no futuro para que essas coincidências aconteçam.
Creio que o mais importante é olhar pras nossas próprias empresas e pensar se estamos criando condições dos nossos futuros craques se encontrarem com os atuais. Ou se a gente vai passar a vida chamando de coincidência o que o vizinho teve paciência de construir...
Num certo momento, a cabeça de um deles sai do pescoço e, mesmo assim, ele continua lutando como se nada tivesse acontecido. É uma prova da superioridade desses seres de ferro e aço? Ou um aviso de que o mundo está perdendo o juízo?
Conceitualmente, a luta é um formato válido de desenvolvimento de tecnologia. A empresa chinesa EngineAI criou o primeiro campeonato de luta em que robôs substituem humanos. 32 instituições, como as Universidades de Berkeley e Stanford, usaram o mesmo hardware e instalaram seus softwares de controle nos seres artificiais. Atos como se equilibrar depois de um chute, dar um soco, levantar rapidamente do chão e até provocar o adversário são, na verdade, desafios tecnológicos que o campeonato quer desenvolver.
Só que, em mim, o robô descabeçado me fez lembrar as histórias de como o boxe começou. No século 19, os lutadores não protegiam as mãos com luvas e lutavam até que um deles desistisse ou fosse a nocaute. Não era incomum um deles morrer no ringue. E, pelo visto, isso ajudava na bilheteria.
Assim caminha a humanidade. Os romanos tinham o Coliseu e suas lutas que terminavam em sangue, a Europa teve sua fase de cortar as cabeças dos bandidos e de quem fosse inimigo do rei, a morte por enforcamento em praça pública já foi diversão de adultos e crianças. Parece que, no fundo, adoramos ver o sofrimento e sacrifício dos outros.
No caso dos robôs, passamos a ter uma desculpa para voltar à agressividade pura: eles são apenas máquinas artificiais. Mas o que vai acontecer quando começarem a colocar rostos, olhos e cabelo artificial nos lutadores? Será que ficaremos imunes? Vamos continuar nos sentindo confortáveis, ou vai ser criada uma Sociedade dos Direitos Humanos dos robôs?
Sempre lembro do momento mágico do primeiro filme Blade Runner, quando o principal robô mostra que os humanos colocaram sua espécie pra fazer os trabalhos sujos sem se preocupar com seus sentimentos. Para, no final, antes de morrer, perguntar pro seu criador qual o sentido da vida...
O novo esporte já surgiu. Racionalmente, fácil de explicar. Emocionalmente, resta a pergunta: pra quê?

São aqueles estudantes que, por alguma razão, acabam se aproximando e viram amigos. Pois foi com um deles, o Paulo Fernando Thomazatti de Oliveira Filho, que tive um longo papo sobre o que toda empresa, no fundo, vende: a confiança.
Lembrei-me disso quando vi o novo comercial da Ypê.
A Química Amparo Ltda. foi obrigada, pela ANVISA, a parar sua produção, por problemas de contaminação em alguns de seus produtos. Desde novembro do ano passado, o órgão vem falando do tema com a empresa e, em maio, veio a ordem que a deixou fora do mercado, já que, entre as coisas que aconteceram, os pontos de vendas suspenderam as vendas dos estoques que tinham. Problema contornado, conseguiram voltar ao mercado com o que foi produzido neste ano. E vida que segue...
Segue mais ou menos, pois fica a cicatriz da ferida recém curada. E, se no mundo racional dos produtos a solução é simples, no emocional da construção de imagem de marca, o problema é mais complexo. Não adianta simplesmente colocar novamente a linha nas gôndolas do supermercado. Imagino alguém parando, pegando o frasco, lembrando da notícia e devolvendo. Não por certeza. Por dúvida. E dúvida, na gôndola, pesa mais que promoção.
A gente compra produtos e serviços e confia. Coloca gasolina no carro e confia que não vai estar adulterada. Come sanduíche e confia que a carne não está estragada. Senta no cabeleireiro e confia que ele vai saber cortar direito. Esse é o único sentimento que realmente nos faz comprar o que compramos, de quem compramos. Diria, inclusive, que uma parte do preço é para pagar o grau de confiança que uma hashtag#marca construiu nas nossas mentes.
Ypê começa, com o novo comercial, a tentar reconstruir a confiança, falando de transparência e qualidade. Não vai ser fácil, pois o principal ponto é não deixar acontecer outra escorregada. Agora, toda atenção é pouca. Mas quem realmente quer e se importa com o consumidor nunca para de tentar. Aí que vale acompanhar o esforço que a Amparo está fazendo.
Adoro essas aulas de marketing ao vivo!