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Outro dia, fiquei incomodado com um comentário num dos meus posts em que eu falava do lado natureza do ser humano.

09/07/2026
Postado por: Murilo Moreno

A pessoa escreveu algo sobre "não fazermos parte do mundo animal". Seríamos algo superior. Pensei nas várias aulas em que os professores tentaram me convencer que somos parecidos com todos os mamíferos. Só pude chegar à conclusão de que deve ser somente uma coincidência. A ciência deve estar toda errada.

Isso me veio à mente quando vi, aqui no Palace Hotel Poços de Caldas, um garçom recolhendo dezenas e dezenas de xícaras e pires sujos, no final do café da manhã. Nada a ver com sermos mamíferos, mas o cuidado com que ele busca o equilíbrio para ter menos trabalho de ir e vir me chamou a atenção para como nosso ego nos engana. Basta um passo em falso e todo o equilíbrio vai por chão.

A gente "se acha". Passamos a vida inteira à busca de duas ilusões: Equilíbrio e controle. Nenhum deles nos pertence. O que não significa que vivamos em desequilíbrio e descontrole e sim que estamos sempre andando numa corda bamba e qualquer coisa pode nos fazer cair.

A vida é assim. As empresas são assim. Só que nosso ego nos faz pensar o contrário e, por isso, sofremos quando algo que nos tira do equilíbrio acontece. O que a gente chama de problema é na verdade um desses momentos. O concorrente baixou o preço? Lançou produto novo? Desequilíbrio. Funcionário pediu demissão? Desequilíbrio. Tudo o que fazemos é reagir para voltar ao estado anterior, para termos novamente o controle em nossas mãos.

O engraçado é que uma das primeiras coisas que nossos pais nos ensinam é buscar o desequilíbrio. Você só consegue andar se joga seu corpo pra frente e move seu pé pra buscar um novo equilíbrio. Criança só aprende caindo. Aí a experiência começa a nos fazer acreditar que a gente está no controle. É só colocar um pouco de água no caminho e o tombo mostra quem manda.

O garçom? Conseguiu chegar na cozinha sem nenhum desastre. Sinal de que alguém aprendeu a controlar o descontrole...

 

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Postado por: Murilo Moreno
Dia 21, a Fiat faz 50 anos de Brasil.

 

Nesse dia, qualquer festa que a empresa fizer não vai conseguir refletir o que a vinda da montadora italiana acabou significando para o mercado mundial de automóveis. A Stellantis não existiria se não fosse esse fato. Mas pouca gente vai dar valor a isso.

Eu estava lá, pra ser testemunha da história. Nos anos de 1999 e 2000, a Fiat italiana estava em crise e a brasileira vendia quase o mesmo número de carros. Só que, enquanto na Europa a empresa perdia dinheiro, em Terra Brasilis, a marca conseguia fazer um pouco de grana, por conta do sucesso do Palio e do Uno. O suficiente pra mandar dividendos pra Itália e, com isso, mantê-la viva.

A Fiat se reergueu, ganhou de bandeja a Chrysler, durante a crise de 2009, quando virou FCA, conseguiu fazer da Jeep e da RAM duas marcas de sucesso e deu mais um passo em direção à consolidação, quando se fundiu com a PSA pra criar a Stellantis. Hoje é o quinto maior grupo mundial, entre trancos e barrancos que o mundo elétrico tem causado no universo automotivo.

Pra marcar a data, lançou um comercial onde lembra o caminho enorme de inovações que trouxe pro mercado brasileiro, pra deixar de ser uma marca pouco confiável e se tornar a líder de mercado. Dos 50 anos, em 19 ela ergueu a taça de primeiro lugar. Talvez, mais do que inovação, o segredo dela seja a rapidez em entender o que o consumidor local quer e se adaptar às mudanças.

Não escondo que sou filho da Fiat. E, como filho, sinto um baita orgulho desse aniversário.

Buon Compleanno, Fiat!

10/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Minha primeira reação ao saber que a Jequiti Cosméticos tinha lançado um perfume

Minha primeira reação ao saber que a Jequiti Cosméticos tinha lançado um perfume com o nome e imagem do Cascão foi pensar no fedor que ele deve ter. Aí entendi que, além do cheiro amadeirado, o produto promete eliminar aquele cheirinho podre que sobe de todo mundo que não tem muita intimidade com o chuveiro e o sabonete.

Fui teletransportado para a sala de reunião da Fiat, em 1996, quando todos nós, executivos, esperávamos um colega se sentar na mesa de reunião, pra depois tentar ficar o mais longe dele. O cheiro denunciava o seu parentesco com o personagem do Mauricio de Souza.

Aliás, esse é um tema bem cultural. Dizem que herdamos dos índios o hábito de banhos diários. Não sei dizer. Só sei que entendo os europeus não tomarem banho durante o inverno. E como lavar roupa numa estação em que as roupas não secam? O meio ambiente cria os hábitos. E os hábitos criam o meio ambiente.

Jequiti me parece uma empresa corajosa. Fico pensando você, num primeiro encontro com uma garota ouvir dela: "Nooooossa! Que perfume gostoso! É Dior?" Sua resposta? "Não...é o perfume do Cascão mesmo..." É fim de namoro, na certa.

Brincadeiras à parte, a nova fragrância é uma tentativa de reeditar o sucesso do perfume do Cebolinha, que já vendeu mais de 3 milhões de unidades, esse sim com um cheiro de cebola que todo dono de restaurante adora (não resisti...). Jequiti achou um filão para explorar, junto com a MSP Estúdios. Elas entenderam uma coisa: personagem não precisa combinar perfeitamente com categoria. Às vezes, a contradição é o próprio produto. Só queria conhecer o perfil de quem compra esses perfumes divertidos por natureza.

Se vai ser um sucesso, não sei. Mas que é um bom presente pra certos amigos, ah... isso é...

 

07/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Não vou escrever sobre a derrota do Brasil na Copa, pois estou muito pê da vida.

Até porque, no fundo, sabia que a gente não tinha chances de chegar lá.

Não vou escrever, porque, com um técnico estrangeiro, o que a gente podia esperar?

Não vou, porque era muito claro desde os amistosos que os jogadores não estavam entrosados.

Não, o vexame de ontem não merece nem uma linha!

Vou escrever é sobre como o ser humano é volúvel. Como, em 15 dias, passei de não acreditar no Hexa a ter certeza de que a taça era nossa. Vou falar sobre como, em poucos dias, 10 de cada 10 conversas passaram a girar em torno de cada lance dos estádios."Viu o goleiro Vozinha? Mais de 15 milhões de seguidores em menos de uma semana!" "Ficou sabendo que o Conar proibiu o Cazé TV de anunciar as bets?" "E a comemoração dos noruegueses? Não vão passar pelo nosso créu!" Passaram...

Opa, disse que não ia escrever sobre a Copa...

A gente fica preocupado com a IA, mas ainda não entendemos que o que nos diferencia é a emoção. Não tem como não sentirmos algo quando o único jogador a mostrar garra no último jogo foi Neymar, seja provocando o goleiro da Noruega, na cobrança de pênalti, seja chorando copiosamente após o apito final. O resto da turma, apática, rolava pra lá e pra cá, em campo, como se isso fosse consolar os mais de 200 milhões de torcedores do lado de cá da tela.

2030 tem mais. Com IA embarcada, chip na bola anulando gol, VAR mudando decisões e câmera filmando a visão de juiz. 2030 tem mais...

Nossa! Prometi que não ia escrever sobre a Copa...

 

06/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Estou em Poços de Caldas.

Vim ver minha filha jogar no NBA. Sub-15. Vai ser aniversário dela e, por isso, Bella e eu partimos pro centro pra comprar pratinhos e garfinhos pra hora do bolo.

O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou todo agitado ao entrar no Atacadão dos Doces. Balas e mais balas, chicletes de marcas que nunca vi, doces e chocolates. De repente, ele me chama a atenção: Cadê o Snickers?

Começo a perceber que não tem nenhum doce da Mars. Nem M&M's. Nadica. Pergunto pra balconista e ela me explica que ali o forte são outras marcas.

- Eu vi as balas da Erlan... desde criança que não via. Só tem aqui em Minas. Mas não tinha o toffee deles...

Nem acabei de falar, Grazi, a vendedora, pulou o balcão dizendo: "Como não? Lógico que tem..." e saiu correndo corredores afora. Não sossegou enquanto não encontrou o saquinho e me deu na mão. Elogiei o esforço e ela explicou, calmamente: "Trinta anos de comércio tem que nos ensinar alguma coisa".

Esse é o ponto que me impressiona. Muita empresa diz que morreu por crise ou problema financeiro. Vai ver morreu antes, no balcão, quando desaprendeu a atender o #consumidor. Eu, que trabalho muito com vendedor de automóvel, sempre me pego pensando por que uma pessoa que vende um item de vinte reais mostra mais vontade de atender do que um que comercializa um produto de duzentos mil. Na minha cabeça, quanto maior o custo, maior deveria ser o esforço. E o que a gente vê é o contrário. Estranho.

Faltou o isqueiro. No Atacadão não vende. A gente entra na tabacaria, vinte metros do lado. Tiro o celular, pra pagar os cinco reais a tempo de ouvir o vendedor dizer "Só dinheiro".

- Eu faço o Pix...

- Não, só dinheiro...

A gente deixa o isqueiro pra trás. Realmente, atendimento não tem nada a ver com valor...

 

05/07/2026
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