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Precisei comprar uma mala nova.

18/05/2026
Postado por: Murilo Moreno

A antiga, tadinha, foi maltratada pela companhia aérea na última viagem e chegou quebrada. Na hora que vi a fila de reclamação, desisti. Minha saúde mental vale mais do que ficar discutindo com um atendente, depois de horas enlatado na econômica do avião.

Bella decidiu o fabricante: Samsonite. Motivo? A anterior era da mesma empresa e durou bem. Marca, no final, é isso: a lembrança silenciosa de nunca ter dado problema, de sempre ter entregue o que prometeu desde o início. Ninguém ama uma mala. Mas a gente respeita aquela que não nos abandona no caos do terminal de Guarulhos.

Sem paciência de ir até um shopping, resolvemos comprar na internet. E a diferença de preço acordou o Bichinho de marketing que vive dentro de mim. Fiquei tentando entender em que momento a mesma mala deixou de ser a mesma só porque mudou de site. A mesma mala, da mesma cor, do mesmo fabricante, custa de R$ 769,00 a R$ 1.548. O que recebo de diferente por esses 101% que vou pagar a mais? Nada.

O que mais me impressionou é que o valor no site da Samsonite era de mil e trezentos reais. Vamos dizer, então, que esse seja o preço oficial. Como é, então, que a Amazon consegue vender 40% abaixo e ainda lucrar? Ainda mais com frete grátis... Como voltar a confiar nos preços, depois de ver isso? Corre o risco da outra empresa comprar na Amazon, reempacotar e mandar pra minha casa. Ah! Um detalhe. Ainda tem um frete de R$ 124,00...

Comprei a mais barata, claro, e fiquei com a sensação estranha de que não economizei. Só escapei de pagar errado. Mas o Bichinho continuou com a dúvida: quando o mesmo produto custa tão diferente, qual dos preços estava mentindo?

 

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Postado por: Murilo Moreno
Fui assistir Michael.

Foram duas horas de um bom videoclipe, o que era de se esperar. Mas saí com uma dúvida difícil de ser respondida: Gênios musicais são que nem carvão, moldados na pressão? Só assim para virar diamantes ou reis?

A pergunta é fácil de entender. No final do filme, o que percebi é que Michael Jackson viveu a mesma história de Elvis Presley. Os dois nasceram pobres, com dom para a música, foram "descobertos" por uma figura paterna, viraram estrelas, sofreram abusos dos seus descobridores/empresários e morreram jovens. Elvis virou alcoólatra, Michael se infantilizou. Em ambos, esses comportamentos parecem válvulas de escape.

Não dá pra negar que o Coronel Tom Parker descobriu e fez Elvis. Mas também foi ele que, por dívidas de jogo, aprisionou a carreira do cantor nos palcos de Las Vegas. O pai de Michael, Joe Jackson, desenvolveu o fenômeno Jackson 5, como uma forma de sair da pobreza. Mesmo depois de demitido do cargo de empresário, conseguia obrigar o filho às turnês com os irmãos, pois isso significava "ser família".

No fundo, vi o mesmo filme duas vezes, contado com personagens diferentes. E fiquei me perguntando o quanto a pressão ajuda a fazer os gênios. Não só os musicais, mas todos os que conhecemos.

Talvez essa seja uma parte do segredo do sucesso. Ou do fracasso humano dos gênios musicais…

 

17/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
A mudança de Pepsi para Coca-Cola é muito importante pra merecer um comercial tão bobinho...

Foi isso que o Bichinho de marketing que vive dentro de mim me falou quando viu a notícia de que o Burger King finalmente aceitou ouvir o pedido dos clientes.

Sério. A BK está traindo um dos seus preceitos mais fundamentais. Quando o trio mágico de brasileiros, donos também da Americanas e da Ambev, comprou a rede de fastfood, Coca perdeu a prioridade como fornecedor, por conta da linha de refris da fabricante de cervejas.

Aqui, em Terra Brasilis, foi ainda mais fácil trocar Coca por Pepsi, pois o Guaraná Antarctica era um forte concorrente que segurava as vendas. O mundo ideal, vender Coca e Antarctica juntos, não era aceito pela dona do refrigerante mais vendido no mundo. Ou era a linha toda, e isso incluía mudar o Guaraná pelo Fanta, ou se não, nada feito.

Demorou, mas fizeram. E anunciaram esta semana a novidade. Acho que o comercial era pra parecer que o consumidor estava fazendo um desafio à vendedora. Faltou um pouco mais de provocação. Vindo de uma marca que vive de zoar todo mundo, faltou mais malícia, não acha?

Importante ressaltar o que está por trás da decisão. Pepsi devia ser uma âncora que segurava as vendas de BK. Provavelmente, em pesquisas, um dos principais motivos de não se comprar seus sandubas era a rejeição ao refri. E uma hora os acordos comerciais terminam.

A pressa de falar a respeito da novidade foi tanta, que colocaram no ar o comercial falando que, por enquanto, Coca no BK só em lata. O certo seria primeiro fazer a troca das máquinas de refil, depois a campanha. Mas, vai que o Mequi cria um anúncio falando que só mesmo com Coca pro BK ficar bom... melhor não arriscar.

De tudo, o que mais me impressiona é a frase final: "Quem diria que o BK poderia ser ainda melhor?" Tem jeito mais direto de falar que Pepsi é ruim?

16/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Rankings são sempre interessantes.

Saiu o novo relatório da Kantar, o BrandZ, mostrando as Marcas mais valiosas do mundo. E a Apple saiu do topo, depois de quatro anos reinando absoluta. Google, depois de amargar, por sete anos, a segunda, terceira, até quarta, posições, volta aos holofotes, empurrada pela IA. É uma mudança muito significativa, mas não se compara ao 10º lugar do McDonald's.

Pra entender o BrandZ, a gente precisa saber como eles medem as marcas. São três critérios: o quão diferente uma marca é comparada às concorrentes, quanto de sentido ela faz pra vida do consumidor e com qual velocidade ele se lembra que ela existe. Nada de quanto fatura. Venda é consequência, não causa. Misturado tudo isso no liquidificador, sai o ranking. Quase 5 milhões de entrevistas no mundo todo pra nos dizer o que já sabemos: o mundo se tornou digital.

Em 2006, ano da publicação do primeiro relatório, das dez maiores empresas, duas eram da área da "computação". Microsoft liderava, com IBM em oitavo. Duas outras digitais apareciam: China Mobile e Google. Mas ainda éramos um mundo físico: comprávamos Coca, fumávamos Marlboro, guardávamos dinheiro no Citibank e dirigíamos um Toyota. Interessante perceber que o Méqui era a 11ª marca mais valiosa. Sanduba já era preferência mundial.

Agora, nos transformamos. Todas as nove primeiras marcas são do mundo digital. Fora as duas primeira colocadas, temos fabricantes de computadores, de softwares, de jogos eletrônicos, empresas de redes sociais e até a Amazon, que digitalizou o varejo. Sobrou só o Méqui pra lembrar que somos de carne e osso.

A próxima revolução já começa a aparecer no BrandZ. O mundo da IA, que levou o Google de novo pra liderança, já está representado pela NVIDIA. O ChatGPT teve o maior crescimento e já é a 15ª marca, uma posição à frente da IBM. Daqui a pouco serão as novas líderes.

Acho que entendo claramente porque gosto tanto de marketing, quando vejo a humanidade ser tão claramente retratada pelas marcas, no BrandZ. Não sei se ele é um Ranking ou um livro de História. Mas já quero ler os próximos exemplares...

 

15/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Desde o dia em que a Geely anunciou que iria vir para Terra Brasilis, o burburinho começou.

"Vem aí o Dolphin Killer". A referência é ao modelo de entrada, o elétrico EX2, que, no ano passado, vendeu três vezes mais do que o carro da BYD. 465 mil versus 160. Isso lá na distante China.

Na verdade, a montadora não chegou ao Brasil. Ela simplesmente voltou, já que entre 2014 e 2016 conseguiu a façanha de só vender pouco mais de mil carros em nosso mercado. Coitado dos que acreditaram e compraram a marca. Agora, em um único mês da nova operação, Geely vendeu quase quatro vezes mais. Foram mais de 3.600 unidades emplacadas em abril. E já andou dando rasteiras no concorrente, que mal chegou aos 2.800 carros no mesmo período.

O apelido vem do outro lado do mundo. As duas montadoras se degladiam nas ruas, brigando por um mercado cada vez mais competitivo. BYD é uma empresa de uma marca só. Geely tem várias, como Zeekr, Polistar e Volvo, a antiga sueca que foi engolida. Mas a grande briga está no modelo de entrada, onde BYD sofre para chegar perto. Cliente entra, vê o Mini e abandona a versão maior. Pelo menos, em maio, parece que houve reação. 1.300 Dolphin x 930 EX2. Por enquanto...

Tenho dó da BYD. Enquanto ela mira ganhar mercado da Fiat e da Volks, pra virar a líder, todos os concorrentes chineses miram suas costas, pra roubar um pouco de market share. Quem comprou um carro da marca já perdeu o medo do novo, testou a qualidade que vem daquele país e é mais fácil de migrar pra outra montadora, desde que os argumentos financeiros sejam bons. Então, são todas contra uma. Haja vigor físico pra luta!

Considerando o número de navios que está chegando com carros e mais carros para serem nacionalizados antes do novo imposto, o segundo semestre deste ano vai ser um banho de sangue. A pergunta que fica é: quem vai piscar antes e desistir do mercado brasileiro?

 

14/05/2026
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