O produto é um removedor de sujeiras e tem sido um dos anunciantes mais inventivos, no meio de um mundo nada criativo.
Já contratou o Felipe Melo, talvez o mais expulso jogador de futebol do mundo, pra falar de jogo limpo, a Márcia Sensitiva pra celebrar amores milagrosos, criou popup stores pra reviver tênis destruídos em shows de rock e até acredita que pode limpar a bagunça dos brothers do BBB. Agora, traz uma promoção pra limpar nomes no Serasa.
As duas empresas lançaram ontem uma ação que vai premiar quem comprar um dos produtos da marca. Compra, cadastra e ganha. Ou 500 reais na hora, ou 1.000 no sorteio semanal. A promessa parece exagerada: "Remove até 100% da sua dívida sem esforço." Se o Vorcaro for sorteado, não faz nem cosquinha. Mas a Serasa jura de pés juntos que a maior parte das dívidas dos brasileiros é, em média, de R$ 725,00. Aí dá, né?
O mais interessante é que a multinacional não está poupando nem a embalagem do produto, que ganhou uma edição especial chamada Cif Limpa Nome, com direito a rótulo diferenciado e tudo. Não sei quem são os responsáveis pela marca na empresa, mas estão mandando bem.
Na comunicação, não se parece nada com os demais produtos da Unilever. Além de estar fazendo ação atrás de ação mais interessante do que a anterior, adotou o nome Cif Limpeza Milagrosa e usa o slogan "Parece milagre, mas é Cif". Importante notar que colocar uma palavra como milagre para designar um produto é muita coragem. O que tem de sentido escondido nesse termo... Vai que alguém reclama com o papa...
O mais importante é perceber que tem marcas que adoram dar aulas de marketing ao vivo. Realmente, isso é um milagre!

Aquele tipo de atendente que lê o script, sem nem saber o que está falando. Que, depois de muito lhe irritar, quando você fala "deixa eu falar com alguém que resolva", lhe responde: "sou eu". E continua sem resolver...
Uma das razões para que isso aconteça é que as empresas, na busca de menores custos, terceirizaram o Serviço ao consumidor. As contratadas, para terem custos baixos, derrubam a qualidade do atendimento. E foi por isso mesmo que a frase do presidente da Hyundai, Airton Cousseau, na convenção para seus concessionários, me surpreendeu. "Estamos trazendo de volta o atendimento ao cliente pra dentro da empresa."
Esse é um movimento no sentido contrário ao da maior parte das empresas. Mas não é de surpreender. A montadora coreana foi a mesma que, dois anos atrás, jogou fora o NPS, aquele tipo de abordagem em que as pessoas dão nota de 1 a 10 e depois são chamadas de detratoras ou promotoras. Simplificou as pesquisas de satisfação para uma única resposta: Você recomenda esta marca? Sim ou não?
A maior parte das empresas que conheço têm um discurso, na teoria, e um jeito diferente de agir, na prática. Falam que o consumidor é a coisa mais importante pra elas, mas acabam se afastando dessa visão quando a conta chega. Mas a economia no curto prazo gera um enorme prejuízo no longo prazo. Um cliente insatisfeito, mal atendido, acaba abandonando a marca na primeira oportunidade que tem.
Colocar o consumidor no centro das atenções é isso. Olhar pra toda jornada que ele tem com a hashtag#marca e tentar acabar com a fricção, com o atrito, que a relação pode gerar. Nem que para isso os custos sejam maiores. Pois atender o consumidor na hora do problema não é gastar dinheiro. É investir para que a relação continue.
No meio dessa invasão chinesa que temos visto, a postura da Hyundai deixa claro porque a marca tem se mantido entre as preferidas dos brasileiros. Quem dera minha companhia de celular tivesse a mesma postura...

O BYD Dolphin Mini continua vendendo mais em showroom do que o alemão. Nesses primeiros 14 dias do mês, foram 2.200 contra 2 mil, com o Hyundai Creta no meio dos dois com quase 2.100. Três propostas diferentes, com saltos de preço significativos.
O BYD cantou de galo no mês passado, falando da sua liderança nas vendas dentro das lojas. Foi ajudado por problemas no emplacamento em janeiro, quando nem ficou entre os 20 mais vendidos. As vendas, represadas, se somaram às de fevereiro e voilá! Primeiro lugar. Agora, a briga é outra, mas o carro pegou impulso e a rede está com sangue nos olhos. Só que a diferença de vendas sumiu.
Por outro lado, o Creta é um carro discreto. Foi o mais vendido, entre todos os carros, em 2025, quando se fala de concessionária. Ou seja, a relação entre o que oferece e custa está bem ajustada, pois o consumidor tem preferido o modelo a todas as centenas de novidades que aparecem todos os dias.
Sei que você pensou: "Mas Murilo, os chineses não têm uma rede tão grande quanto às tradicionais." Concordo. Mas números são números. E, por valores parecidos, os compradores têm preferido a confiabilidade dos coreanos e alemães do que a novidade que vem da China.
Ciro Possobom, no lançamento do Tera, anunciou que o modelo seria o novo líder de vendas do país. Preço tem, indo de R$ 105 a R$ 151 mil reais. Isso, sem considerar possíveis descontos nas lojas. Lembra o preço anunciado do Dolphin Mini? R$ 107 mil. Mas e em termos de conteúdo? E como o VW se comporta no dia a dia? Será que o carro é tudo isso?
Não sei você, mas eu vou tirar minhas dúvidas, testando um Tera Outfit nos próximos dias. É o topo de linha. Ainda assim, com um motor 1.0. Turbo, mas 1.0. De duas uma: ou meu preconceito contra esses motores acaba de vez, ou se não...
Ciro está confiante. Pelas primeiras aceleradas no carro, ele tem motivo para isso...

Esse pensamento me passou quando vi que, pela primeira, uma IA comprou uma caixa de bombons pela internet, sem a ajuda humana, usando um cartão de crédito pra pagar. Ponta a ponta, via o Visa Intelligent Commerce.
Em janeiro, fui pra Las Vegas pra um congresso. Antes de sair do país, autorizei meu cartão (e nem debaixo de tortura conto qual a bandeira), e ainda passei por Nova York, onde funcionou normalmente. Aí, no lobby do hotel de LA, ele foi recusado por três vezes. Precisei ligar para o banco, no Brasil, e depois de 40 minutos, finalmente, consegui passar o maldito plástico na maquininha. Como me disse a atendente: "Isso tudo é para sua própria proteção." Até perguntei porque então tinha que avisar que estaria fora do país, se isso na prática não serve pra nada. Estou até agora sem uma resposta...
A experiência digital, feita pelo Banco do Brasil e pela Visa, foi a primeira compra no Ecommerce realizada por um Agente de IA. Sabe? Quando a IA cota o que você pediu, compara os preços, decide qual é o melhor e...paga. Até ano passado, os agentes paravam na hora de passar o cartão. Agora, com a novidade, eles já autorizam o pagamento por você. É só pedir pra IA e depois esperar chegar em casa o que sonhou.
O uso dessa facilidade deve acelerar ainda mais as vendas digitais. Imagine você querendo comprar o ingresso do Rock In Rio. Não vai precisar ficar mais esperando a liberação de madrugada. Seu agente faz por você. Ou a passagem barata pra sua viagem? Só programar a IA e ela compra apenas quando a companhia aérea baixar o preço. A grande questão pra isso acontecer sempre foi o risco de fraude.
O Visa Intelligence Commerce usa a tokenização pra evitar isso. Na prática, é como se o seu cartão fosse encriptografado a cada transação, e só a maquininha soubesse decifrar o código. Lógico que é mais complexo do que isso, tem outras proteções e tudo. E mais lógico ainda que os malandros vão descobrir um jeito de dar o tombo na IA rapidinho.
Agora, é esperar o serviço chegar de verdade. E brigar com a atendente do Banco que aquela compra que a IA fez não foi pedida por você...

As empresas de Rebranding. Em 140 anos de existência, a empresa trocou sua marca quatorze vezes. Desde que Natura a adquiriu, em 2020, já foram três mudanças. Pra piorar, a Avon Latino Americana passa a ter uma cara, o resto do mundo, outra.
Esse, talvez, seja o maior sinal de que a Marca ainda esteja em crise. Vale lembrar que a Natura comprou a Avon durante a pandemia, cheia de planos. Perdeu, perdeu, perdeu dinheiro, e aí resolveu separar o mundo da América Latina. Vendeu tudo de novo e só ficou com os países do México pra baixo. Agora, essa diferença fica ainda mais acentuada.
Como toda mudança, vem cheia de planos e promessas. Em 2021, quando houve a penúltima mudança, na festa de lançamento regada a patrocínio do hashtag#BBB, a influencer Julliete e os executivos da empresa falaram da renovação e reinvenção da marca. Avon ainda era um produto para todas as mulheres e as revendedoras Avon passariam a contar com tecnologia para chegar nas clientes.
Agora, Avon passa a ser um produto voltado para as classes C e D. As consultoras continuam sendo um pilar da empresa, mas os novos planos ressaltam o varejo, onde já está presente em 1.200 pontos de vendas, e o novo esforço pra entrar nas redes de farmácias. Mas o mais importante: todos os pontos apresentados mostram uma preocupação com custos, como a maior rapidez para lançar novos produtos e o uso intensivo de IA.
Como toda apresentação de nova marca, hoje em dia, vem toda uma explicação do porquê de cada mudança. O A e o V agora são sinais que remetem à internet, as cores são mais vibrantes, a marca é digital first e por aí segue... Como em todas as transformações anteriores, tudo significa que agora a empresa vai... o rebranding tem a missão de representar que ficou pra trás tudo de ruim que já se viveu até aqui.
Fico pensando se desta vez o novo logotipo terá vida longa, ou curta. Coincidentemente, Coca Cola tem 140 anos. As duas empresas nasceram no mesmo ano. Só que, diferentemente, a marca do refrigerante quase não mudou nos últimos 120 anos, desde que adotou o formato atual.
É... consistência continua a ser a coisa mais importante quando se fala de marca...
