Ontem, mais dois gigantes anunciaram que, voluntariamente, estão iniciando esse caminho: A Raizen e o GPA. Motivos diferentes, resultados iguais, as duas empresas vão começar, agora, as negociações que podem salvar suas vidas, enquanto botam em risco a existência de seus fornecedores.
A Raizen cresceu rápido demais. E pra isso foi pegando dinheiro no mercado, até que, com a taxa Selic nas alturas, o tamanho da dívida ficou impagável. Começou vendendo tudo que pode. Saiu da sociedade com a Femsa, deixando de ser dona da Oxxo. Está nos finalmentes pra abandonar a Argentina. E colocou à venda diversas usinas. Agora, com a recuperação extrajudicial, vai fazer um plano pra pagar os R$ 65 bilhões que ainda estão pesando no bolso.
A questão do Grupo Pão de Açúcar é completamente diferente. A empresa já foi o maior grupo supermercadista do Brasil, na época dourada do Abílio Diniz. O os franceses da Casino compraram e foram, aos poucos, sangrando o caixa, mandando dinheiro pra sede. A operação brasileira até comprou a colombiana Éxito, numa outra forma de remeter dinheiro pra fora, e deixou a dívida pro atacarejo Assai, quando as duas empresas foram separadas. Um presentinho de grego (ou seria francês?) pros milhares de novos donos, que compraram suas ações.
Aliás, tudo que a Casino colocou a mão deu problema. Até as Casas Bahia, que eram o maior grupo de lojas de eletrodomésticos do Brasil, ficaram menores e tiveram que entrar em RE. Só não quebraram porque foram vendidos...
Diferentes histórias, mesmo fim. Elas mostram que estratégia não é uma ciência exata. Aquilo que a gente planeja dentro de nossas salas confortáveis, com ar condicionado e espresso quentinho, está longe da dura realidade, que muda todos os dias e destrói os nossos planos. Mais importante do que planejar é se adaptar às novidades do mercado, antes que a Recuperação bata em nossas portas.
Adoro essas aulas ao vivo. Mesmo quando o final não é assim tãããão feliz...

E uma das missões do cargo é fazer com que alunos aprendam a ter visão crítica para resolver os problemas do dia a dia nas suas profissões. Neste semestre, tenho um desafio dobrado: manter a atenção dos alunos do último período, momento no curso em que quase todos já trabalham durante o dia e contam as horas para estarem formados.
Comecei, então, com uma provocação: Vamos rever os principais pontos que todos aprenderam e discutir se realmente o que viram em sala corresponde ao que acontece dentro das empresas. Um espécie de aula cara-crachá. Para ficar mais interessante, eu escolho os temas e eles apresentam suas teses. Assuntos como: Estratégia é um planejamento prévio ou emerge ao longo de tempo? Objetivos de marketing e de comunicação são a mesma coisa? Existe Briefing bem feito, ou todos são enviesados e ruins? Os alunos tinham somente uma missão, levantar o tema de forma criativa, prendendo a atenção e participação de todos.
A ESPM é uma escola de alunos criativos. Sem sombra de dúvidas, formamos os melhores profissionais do mercado. Como diz o Capitão Nascimento, do Tropa de Elite, "Missão dada, missão cumprida". Cada semana, as atividades têm sido mais e mais interessantes. E os alunos têm esquecido celulares e computadores, para participar das apresentações.
Já teve Passa-ou-Repassa, teatro em sala, até julgamento. Mas ontem, no jogo de perguntas, até torta na cara do professor teve! O mais importante? Os alunos trazem pra sala os exemplos do que estão vivendo nos estágios e empregos, demonstrando que aprenderam a ter uma visão clara dos problemas que enfrentam. Para quem os vê, entrando na escola, com 18 anos mal completados e uma expectativa de descobrir o mundo, enxergá-los profissionais é um bônus adicional.
Adoro ser professor. Saio com energia de um adolescente, ao final de uma aula que termina às onze da noite. No fundo, o que descubro todo dia é que as próximas gerações serão sempre melhores do que as anteriores...

Parece uma banca de jornais fechada, mas na verdade é um micro quarto de hotel. O nome já entrega pra que serve: Cochilo. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim começa a se movimentar e não fica quieto enquanto não descobre tudo sobre ela.
Na verdade, não existe muito o que descobrir. A empresa surgiu em 2012, em plena Rua Augusta, cresceu, quase fechou na Pandemia, e agora ressurge aos poucos. A "novidade" foi instalada no JK Iguatemi no meio do ano passado, num dos prédios de escritórios do conjunto. Meu bichinho demorou mais de nove meses pra descobrir o espaço. E olha que já havia passado ali algumas vezes!
A ideia é simples. Uma cama em forma de S, num ambiente sem janelas, com ar condicionado e música ambiente, pra você dar um cochilo antes de voltar ao trabalho. Você agenda no aplicativo da empresa, entra e desmaia...até o alarme tocar. Tudo automático. Pra fazer sucesso, precisa só de duas coisas: estar num ambiente com muito movimento e anunciar pra que as pessoas a descubram. A primeira, feita. A segunda, essa sempre é a parte mais difícil.
O Bichinho, curioso como ele só, foi atrás de descobrir se existem outros cochilódromos em Terra Brasilis. Descobriu a Siesta Box, que se denomina uma empresa de cabines de descanso, instaladas em alguns aeroportos brasileiros. Apesar do conceito ser parecido, a Siesta é mais um pequeno quarto tradicional, para pessoas que estão no meio de suas viagens.
Tanto Cochilo quanto Siesta Box oferecem oportunidade de franquia. Se não viraram sucesso, os bloqueios devem ter razões diferentes. Cochilo deve sofrer com a falta de hábito de se procurar um lugar pra uma pequena soneca. Siesta Box, com os altos aluguéis de aeroportos.
Vencer esse tipo de barreira é o desafio de todo empreendedor. A ideia é boa, mas todo começo é difícil. Criatividade existe. A questão é conseguir vencer as questões que aparecem todos os dias até ganhar músculos.
Empreender não é fácil. No Brasil então...

Como era de se esperar, não fez muita coisa, mas chegou. Décimo sexto. Só de um dos dois não quebrar, já é uma vitória.
A entrada da General Motors na categoria máxima é um marco e tanto. Nunca houve um Chevrolet, um Buick, um GM acelerando nas pistas da F1, mesmo que knowhow existisse. A empresa sempre preferiu as competições caseiras, como Nascar e Indy. Caseiras aqui significando corridas dentro dos Isteites, é lógico. Parecia que ela estava dizendo: o mercado que me interessa é esse aqui.
Agora, ela se internacionaliza. Sai da bolha, talvez empurrada por uma obrigação de pensar diferente. GM já foi a maior montadora do mundo, hoje é a quarta. Claramente está se recuperando e já consolidou a liderança nos EUA, o que lhe dá fôlego para novas aventuras.
Mas o carro que tem o nome da sua marca de modelos de luxo pintado na carroceria não tem um coração GM. Ele é empurrado por um motor da Ferrari. Foi a forma de entrar imediatamente na competição, já que os seus próprios só chegam em 2029. É longe demais e desenvolver um bólido de F1 demora. Melhor começar com o concorrente/fornecedor e depois mudar. Pelo menos parece ser o pensamento.
Fiquei com uma dúvida: como será que o consumidor percebe a marca, considerando essa manobra? Será que o carro de rua absorve a boa imagem que a equipe pode ter? Será que ele pensa que o motor do carro dele tem tecnologia que veio da Fórmula 1? Interessante notar que a receita é também utilizada pela Auston Martin, que corre com motores Honda, e pela Renault, que tem motores da Mercedes nos seus carros Alpine.
Meu ponto aqui não é relacionado a equipes, motores e pilotos. A escuderia deve crescer durante a temporada. O que o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim quer saber é: Cadillac empurrado por Ferrari é um Cadillac?

Não foi diferente entre os participantes do Jantar Automotivo da Sequoia, deste ano. Se ainda não foi enterrado, está na UTI, vivendo através de aparelhos, lá nos Isteites.
Pra conversar sobre esse e outros tantos temas que foram abordados no NADA Show 2026, meus sócios e eu recebemos um grupo seleto de convidados. E a conclusão é impressionante: o evento deste ano foi menos, em todos os sentidos: menos público, menos palestras, menos futuro. Mas foi mais no que importa: mais discussões do que vai acontecer no mercado automotivo mundial.
Três temas dominaram o congresso deste ano:
O primeiro foi a IA. Estava em todo lugar, mas não no tom milagroso que muita gente gosta de vender. O que apareceu de verdade foram soluções para melhorar operação, atendimento, agendamento, estoque, pedidos e processos internos. O interessante era o tom dos discursos. Nas palestras, IA era o parceiro das equipes de vendas e pós-vendas, a novidade que ninguém precisaria ter medo. Nos estandes, todos os fornecedores falavam de menores custos e menos funcionários. O substituto ideal das equipes humanas.
O segundo ponto foi que dado próprio virou ouro. O mercado percebeu que continuar terceirizando inteligência para as Big Techs é confortável, mas perigoso. Quem domina a própria base, entende melhor o ciclo de compra, se relaciona melhor com a carteira e depende menos dos outros para crescer. O assunto ainda vai esquentar muito em Terra Brasilis.
O terceiro e mais importante foi a mudança de humor da mobilidade. Todos os movimentos do presidente do cabelo de fogo são em direção do carro a combustão ou, no máximo, o híbrido. Cortou os incentivos, derrubando a participação do 100% elétrico de uma média de 8% para 5,5%, criou todas as barreiras contra os chineses e gerou impostos em cima de tudo o que não é feito dentro do país. O resultado é que as montadoras viraram o canhão para produtos "Made in USA", de preferência que adorem beber gasolina.
No fundo, no fundo, é a eutanásia do elétrico. Pelo menos naquele país.
Já estou ansioso pelo Nada Show 2027. E pelo Jantar Automotivo de 2027.
