Vou fechar minha consultoria e abrir uma agência de Rebranding. Nem terminamos janeiro e esta é a terceira marca que passa por um remodelação total. A Minuano, de produtos de limpeza, acaba de mudar seu logo. Nesse ritmo, teremos mais 33 novidades até o final do ano.
Minuano é uma marca da Flora, que também é dona de diversas outras, como o sabonete Francis e o detergente Assim. Lançada em 1986, como um simples sabão em barra, já passou por outras quatro mudanças, enquanto se tornava toda uma linha de produtos. Tem pelo menos uns 25 anos que as mudanças têm sido sutis, mantendo a consistência. A novidade recém lançada, como agora virou moda, é quase uma releitura da antiga de 2000, só que um pouco mais moderna.
Ela perdeu a Inclinação que tinha e voltou a ser escrita horizontalmente. Ao mesmo tempo, manteve o estilo. O M maiúsculo e todas as letras - que eram amarelas e agora mudaram para o laranja - continuam envolvidas por uma linha azul escura. No fundo, uma gota estilizada azul substitui o antigo retângulo meio inclinado. No geral, ficou legal. Ninguém vai passar nas gôndolas dos supermercados e não reconhecer o produto. A mudança ainda deve deixar uma sensação de novidade.
Junto, a empresa lançou um app pra chamar de seu. Já baixei e me cadastrei para ver como funciona. Primeiro, lógico, tive que apagar o app do banco, pois com todo mundo lançando aplicativo hoje em dia, não tem memória que aguente.
O cadastro é longo e permite a empresa conhecer o hashtag#consumidor. Estou curioso pra saber o que vão descobrir, pois tem que ser muito fã de Minuano pra andar por aí com um app no celular, não é mesmo? Tem dicas de como usar os produtos e uma comunidade a ser preenchida com posts dos "Minuano Lovers". Que vão ganhar pontos enquanto compram e mandam vídeos, pra trocar por descontos ou lanches, corridas em apps e até cinema. Só não entendi quantos pontos que ganho para falar bem da marca. Será que este post vale um sandubinha?
Desde a pandemia, o que percebo é que mais e mais empresas estão trocando suas marcas. Será que o vírus do Covid é responsável por isso? Na dúvida, venha ser o primeiro cliente da minha agência de rebranding. Pelo menos, vou garantir a consistência...

A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe: o BYD Dolphin Mini foi o carro mais vendido nas concessionárias em todo o país, neste último mês de fevereiro. A montadora chinesa, rápida como um coelho, já colocou campanha no ar, espalhando a novidade nos quatro cantos. Só que nem ela entendeu direito o que tudo isso significa.
O Dolphin Mini é, ao mesmo tempo, o primeiro carro elétrico a chegar na liderança de vendas, e, principalmente, a primeira vez que um modelo chinês chega ao topo do ranking em Terra Brasilis. É bom lembrar que essa posição é relativa.
Quando somamos as vendas nas lojas com as vendas diretas, o Dolphin cai para o décimo lugar. Considerando que muitas vendas diretas são realizadas no show-room, é bem provável que o Volkswagen Tera continue sendo o carro mais vendido para o consumidor final. Mas até explicar que focinho de porco não é tomada, já deu tempo de comemorar esse gol de impedimento. E no mercado automotivo não existe VAR.
Se a luz de alerta das montadoras tradicionais estava no amarelo, a partir de agora está mais do que vermelha, está roxa. A BYD, em três anos, saiu de uma ilustre desconhecida para ser uma marca presente em todos os cantos. A velocidade com que construiu sua rede de 270 lojas é impressionante, e o preço do Dolphin Mini, R$107.000, é de carro popular. E olha que eles ainda nem fabricam direito do Brasil.
BYD é uma empresa não ortodoxa. Tudo que faz é fora do comum. Boris Feldman, um dos maiores jornalistas automotivos do Brasil, está sendo processado pela montadora porque afirmou que a empresa está mentindo quando diz que fabrica no Brasil. Como diz um presidente brasileiro, nunca na história desse país um jornalista foi processado por uma montadora. A questão é que a BYD matou a cobra, mas não mostrou o pau.
Em janeiro de 1995, o Fiat Tipo foi o carro mais vendido em nosso país. Era 100% importado, numa época que os impostos eram baixos. A liderança não durou nem dois meses, mas ajudou a montadora mineira (ou seria italiana?) a começar seu caminho para a liderança total do mercado. A chinesa lembra a mineira (ou seria italiana?) na sua velocidade de reação no mercado. Parecem tubarões à busca de empresas... sentem o cheiro de sangue de longe. Talvez seja essa a briga que vamos ver nos próximos meses. A tradicional Fiat versus a inovadora BYD.
De todo modo, essa liderança light do Dolphin Mini indica que o consumidor não tem mais medo do carro chinês, muito menos do carro elétrico. Pra quem é do mercado automotivo, 2026 promete mais emoções nos próximos meses. Seguuuuuuura coração!

Do décimo, para o décimo primeiro. A explicação é linda: não fomos nós que caímos, foi a Rússia que subiu, por causa dos 40% de valorização do rublo. Tanto que o Canadá também foi atropelado.
Ufa! Agora posso respirar mais tranquilo... Fizemos a nossa parte... Pena que daqui a um ano ninguém se lembrará mais desse detalhe. Apenas que o Brasil caiu. É como aquele gol de mão do time adversário que faz o nosso perder o campeonato. Explica, no momento, mas depois cai no esquecimento pra maioria. Só a gente que lembra.
O Brasil sempre está rondando entre o 7º e o 14º lugares, desde o Plano Real, em 1994. É uma variação grande, mas fácil de entender porque, tirando os sete primeiro lugares, os países têm um PIB muito parecido até o 15º. São trilhões de dólares, ainda assim, muito próximos. Qualquer piscadela e você é ultrapassado. TIpo Fórmula Um.
Assusta mais a leitura que a Austin Rating fez dos dados do FMI. Entre 60 países fomos o 39º em crescimento no último trimestre de 2025. Só 0,1%, ou seja, quase nada. E aqui não conta a valorização do dinheiro russo. Somos nós contra nós mesmos.
Enquanto isso, Índia continua a briga contra o Japão para passar a ser a quarta economia do mundo. E a China perde espaço para os Isteites. Os asiáticos fazem muito barulho, mas cresceram menos do que os americanos desde o fim da Covid. Talvez ajudado pelas blindagens que os dois últimos presidentes fizeram contra a invasão vermelha.
O PIB mundial continua concentrado. Os sete mais ricos respondem por 80% da riqueza total. Somos um pouco mais de 2%. E não podemos esquecer que, em 1994, China e Brasil tinham o mesmo peso. Em trinta anos, eles abriram os olhos, nós olhamos pro lado.
Agora é torcer pela desvalorização do dinheiro alheio. Quem sabe assim a gente não sobe mais rápido no ano que vem?

Foi o ultra-bem-pago executivo David Zaslav. Ele é o atual rei da polêmica no mundo do entretenimento, mas com o resultado da venda deve virar o queridinho de dez entre dez investidores americanos.
Acontece que ele foi o cérebro por trás da compra da Warner pela Discovery, em 2022. Ele fez a transação com as ações valendo 25 dólares. Como o Edward Mãos de Tesoura, Zaslav saiu cortando tudo quanto é tipo de custo, lançou filme no cinema ao mesmo tempo que no streaming, o que deixou Hollywood fula da vida, matou a marca HBO, ressuscitou a marca HBO, colocou nas ruas filme de sucesso, como Barbie, flopou com outros, e conseguiu o feito de jogar as ações no fundo do poço, valendo somente 13 dólares.
Mas como diz a filósofa Adriane Galisteu, "não se preocupe, pois no fundo do poço do elevador tem uma mola". E Zaslav parece concordar, pois além de recuperar o valor das ações, a negociação que ele fez com a Paramount, dos U$ 108 bilhões, significa levar a ação para o patamar de 31 dólares. Por todo ângulo que você olhe, o resultado final é super positivo.
Nessa história toda, o que mais me impressiona é a força da marca Warner. Esse estúdio de cinema, que foi fundado em 1923, já teve todos os motivos pra morrer. Só que é gato de sete vidas. Já foi da hTime, foi da America OnLine, da ATT, e estava nas mãos da Discovery. Onde encosta, as empresas perdem dinheiro. Mas ela continua forte. Estou esperando o anuncio oficial do nome da nova empresa, pra saber se finalmente Warner vai ser só uma divisão, ou se a Paramount vai ganhar sobrenome.
No final, Netflix perdeu a luta e sai com o prêmio de consolação de U$ 2,8 bilhões, que vai receber da Warner pela quebra de contrato. O negócio estava fechado em dezembro, quando a Paramount colocou água no acordo. O dinheiro da multa sai da conta da compradora direto pra perdedora. Só não deve ser PIX...
Só uma coisa tenho certeza. Ganhador, ganhador mesmo, que sai feliz de toda essa bagunça, é o agora ainda mais rico David Zaslav.

Foi só o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim bater os olhos nessa notícia para ele ficar completamente indócil. "Como assim, Omo não é mais líder de mercado? Só pode ser fake news..."
A campanha traz um novo slogan, "Boas histórias com você" e um novo hashtag#posicionamento, "A melhor performance de lavagem de roupas é aquela que permite a minha melhor performance na vida.” É um pouco na linha do sabão que ajuda sua vida a ser mais fácil. Quase um "Se sujar faz bem", que a concorrente usa há mais de 20 anos, e que evoluiu ano passado para "Bota sua roupa pra jogo porque se sujar faz bem".
Omo é a marca Top of Top desde que a Folha começou a fazer a pesquisa Top of Mind. 33 anos como a mais lembrada pelos brasileiros. É muita coisa. A sensação que se tem, vendo os movimentos de mercado, é que Unilever tirou o pé do sabão em pó e passou a focar o sabão líquido, que dá mais dinheiro e que cresce mais rapidamente do que a versão antiga. Isso porque quase todas as últimas campanhas mostram sempre somente as embalagens plásticas, como a que o Bel Marques fez no carnaval.
Por outro lado, Ypê sempre focou na dupla preço-benefício, um jeito simpático de dizer que um produto é mais barato. Numa rápida olhada no e-commerce, a diferença chega a ser de 25%, com Omo custando R$ 16,00 contra R$ 12,00 de Tixan. Mas não credite a liderança somente ao preço. A empresa tem feito um bom trabalho de construção de imagem e Ypê é reconhecida, também no Top of Mind, como líder em sustentabilidade. Fora que, preço por preço, Unilever poderia combater a concorrente, colocando na briga marcas como Brilhante, Surf ou Ala. Tá levando um baile porque quer...
De todo modo, é muito interessante ver uma empresa 100% brasileira fazendo frente a uma multinacional tão poderosa. O ano mal começou e Tixan tem ainda muitos rounds à frente pra se consolidar no alto do pódio. Pra quem entrou no mercado há apenas 24 anos, passar a eterna líder é um feito e tanto.
