É o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim se manifestando. E não foi diferente em João Pessoa, onde fui visitar uma loja dos Supermercados Mateus, a terceira maior rede do Brasil. Estava achando tudo lindo, quando meu bichinho me chamou a atenção para uma coisa: Tem sorteio de dinheiro e carro pra tudo quanto é lado!
Ele acordou quando vi uma embalagem do arroz Urbano sorteando iPhone, cozinha completa e até carro. Não é que eu tenha alguma coisa contra promoções, mas achei esquisito. Até arroz? Vi Maizena sorteando dinheiro e itens de cozinha, Hellmanns prometendo um milhão de reais, o maior prêmio de todos.
Mudei de seção e lá estavam os sorteios. A Bettanin premiando com dinheiro e um carro a quem comprasse uma vassoura. E a Brilux, fabricante de produtos de limpeza, carro, máquina de lavar e dinheiro. Andando mais alguns corredores, vi Colgate, Embelleze, Rexona, Lux, Palmolive, fora uma ação do próprio supermercado, sorteando compras grátis e motos.
Ao todo foram doze promoções. Se eu fosse sorteado em todas elas, ganharia 3 carros, uma moto, iria ver o final da Comenbol e passearia nas ruas de Paris, tudo isso com mais de dois milhões de reais na conta bancária. Nada mal... faço minhas compras normais e saio com o bolso e a garagem recheados. Mas o que houve que supermercado se tornou um cassino a céu aberto?
Promoção de vendas são uma ferramenta poderosa. Quando o consumidor está na dúvida entre dois produtos similares, elas podem ser o empurrãozinho final que ele precisa. Mas será que tem alguma razão para se concentrarem em outubro? Será que alguns gerentes acordaram num dia, no meio do ano, e pensaram: "Estou longe dos meus objetivos... preciso fazer algo, rápido, ou não vamos bater as metas..."?
De toda forma, me lembrei que sempre, todo início do ano, Nestlé despeja várias promoções no mercado. E me pareceu que existem duas estratégias, basicamente. Uma, como a da empresa suíça, que já acelera seus resultados nos primeiros meses. E outra, como essas todas que vi, que focam o final do ano pra aumentar a velocidade das vendas.
Meu Bichinho não ficou satisfeito. E já se programou para maratonas nos supermercados, para entender como as empresas usam de sorteios e brindes para incentivar as compras.
Posso não descobrir nada. Mas quem sabe não ganho um trocado numa dessas promoções?

O comercial nclusive, é meio bobo, como era o varejo da montadora naqueles tempos. Época mais simples? Acho que não. Bem provável que refletisse meu gosto pessoal, rei das piadas sem graça.
Era abril e o Brasil já respirava futebol. O Ronaldo foi escalado, mas haviam dúvidas se ele iria fazer diferença. Na Copa anterior, ele tinha pipocado. Em 2002, além de ser o artilheiro, ainda fez os dois gols que fizeram o Penta vir pra Terra Brasilis. Será que Neymar consegue repetir o Fenômeno?
Muita coisa mudou, desde então. Mas o principal foi a defesa incansável da Fifa de que o nome Copa do Mundo é dela. Um comercial como esse da Fiat, hoje em dia, iria direto pra justiça. Razão pela qual todos agora falam dos países, mas não do campeonato. É o jeito de fugir da federação e ainda assim tirar uma casquinha no desejo do consumidor. Torcer contamina.
Quarta começa a esquecida Copa. Com poucas cores na rua, poucas camisas, poucos gritos de “vai, Brasa!”. Mas basta um jogo em que o Brasil ganhe pra emoção voltar.
Até ontem eu não acreditava na Seleção. A partir de sábado, quando o primeiro jogador brasileiro encostar na bola, sou verde amarelo de coração.
Quem não sabe que a Pepsi está sendo substituída pela Coca-Cola pode até pensar que ela está quebrada. Eu olho e vejo um executivo da antiga fornecedora furioso dizendo: "Nos trocaram? Então para tudo. Não manda mais nada pra eles. E corta a manutenção das nossas máquinas de refill..." Inferno instalado. Coca pode ter ganho o contrato, mas a Pepsi deixou um 'presentinho de grego' pra trás.
Diferentemente de quando você pega uma simples latinha no Carrefour, o processo nos fastfoods é muito mais complexo. Essas máquinas de refill fazem o refrigerante na hora, misturando água encanada com gás carbônico e com o xarope concentrado da sua marca favorita. Por isso que em certos lugares o refri sai aguado. A máquina está desregulada.
Trocar essas verdadeiras fábricas portáteis é uma tarefa difícil. Primeiro, porque você tem que ter mil máquinas disponíveis de bate-pronto. Segundo, que vai precisar mandar um time de instalação em cada uma das lojas, pra mudar o equipamento. Demooooooora...
Pra resolver isso, apelaram pra latinha. E aí, o Bichinho de Marketing que mora dentro de mim me chamou a atenção para um detalhe. É a Coca mais cara de Terra Brasilis! A mesma lata que custa R$ 2,99 no Carrefour, sai por "apenas" R$ 18,90 no BK. Só seis vezes e pouco mais cara. E não é um privilégio deles. No Mequi, um copo de 400 ml sai por R$ 21,00. Ou R$ 18,38 pelos mesmos 350 mil que vêm nas latinhas. Pelos preços, acho que eles estão vendendo a máquina de refill junto...
A gente chega na área de alimentação e nunca pensa na logística por trás de um simples pão com carne e um copo de Coca. Mas, da próxima vez que eu for comer um Whopper, vou trazer minha bebida na mochila...

Parece uma resposta à arquiinimiga. Tudo nele é maior e mais grandioso. Quase que dizendo: vocês tentaram, mas ainda não é desta vez.
As duas empresas estão em momentos completamente opostos. Tudo que a americana faz, tem dado errado. Desde lançar o novo uniforme da Seleção Brasileira, com um canarinho de três pernas, até ver seus uniformes se deformando em campo.
Por outro lado, parece que a alemã acordou com dois pés direitos (posso falar isso, ou vou apanhar?). A marca vem crescendo e seu último feito foi passar a perna na concorrente e conseguir bater o índice da Maratona, colocando dois corredores seus abaixo das duas horas, recorde buscado insistentemente pela Nike.
Só que Copa é Copa. E não faltou dinheiro pra fazer o comercial para marcar o evento. Em nenhuma das duas.
Adidas veio com um vídeo de 5 minutos, contando a história dos heróis do futebol de quintal, aquelas quadras apertadas entre vários prédios. Tem desde Messi até o ator de Duna, Timothée Chalamet, passando por Zidane e Beckham. São dez famosos nos 300 segundos de futebol.
Aí, vem Nike e deixa tudo superlativo. 20 jogadores, artistas e influenciadores em seis minutos, falando "Rasguem o script". O nível sobe. Tem de Vinícius Júnior a Cristiano Ronaldo, passando pelo "Ted Lasso", Lebron James e Kim Kardashian. Todo mundo correndo atrás da bola, sem nenhum sentido a mais.
Tá bom. Virou uma disputa de "O meu é maior". Besteira né. Dia 13, a gente começa a ver quem realmente vai ser a campeã...
Clique e veja os comerciais.
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Isso sem contar os anexos. Habitualmente, tenho dormido com o computador aberto, pois o dia tem sido curto pra tanta produção. Nunca tão poucos produziram tanto, em tão pouco tempo. E a razão é fácil de entender. A Inteligência Artificial tem dado uma mãozinha.
É muito claro, num texto, quais partes os alunos se envolveram e quais transferiram a responsabilidade para a IA. O tom, a velocidade, os termos mudam e parece que foram pessoas diferentes, com pensamentos distantes, que fizeram o conteúdo. Lógico que existem trabalhos e trabalhos. Aqueles que merecem uma nota 9 ou 10 continuam sendo brilhantes e se utilizam da IA como apoio e não como decisora.
Cresci num tempo em que as calculadoras entraram na vida dos estudantes. Em que não fazer uma soma de cabeça era um absurdo. Tive aula de como usar uma calculadora científica para fazer cálculos de equações e de trigonometria. E desaprendi muita coisa, porque passei a confiar nessas pequenas máquinas. Mas se o resultado fosse muito absurdo, meu "sentido aranha" saberia.
Posso estar de mau humor, por conta das noites mal dormidas, mas tenho a sensação de que estamos nos acostumando, aos poucos, a delegar as decisões aos Chats GPTs da vida. E isso vai desde saber a qual restaurante ir até como escrever um trabalho que vai definir se você está pronto para o mercado de trabalho ou não.
Em criatividade, 1+1 pode ser qualquer coisa. Em matemática, não. Vai ser sempre dois. O senso crítico precisa ser barreira para saber qual resposta dar. Mesmo que, pra isso, a gente não pareça tão inteligente.
