Quando um estudante se torna profissional? Onde fica a linha divisória entre o novo e o velho?
Passei minhas duas últimas manhãs, na ESPM, vendo os alunos apresentarem, em três minutos, seus planos de carreira para os próximos 10 anos. Esse é um exercício interessante, que causa sempre a mesma reação de incerteza em todas as pessoas. E que mostra, claramente, como cada um pensa.
Como a vida parece conspirar, a data caiu no mesmo período em que Willian Bonner anunciou sua saída do balcão do hashtag#JornalNacional. 29 anos repetindo, de segunda à sexta, o mesmo ritual. Três vezes o plano de carreira que pedi aos meus alunos. Pelas notícias, ele vem tentando sair desde a pandemia, pois quer "viver a vida". Seus próximos desafios estão na hashtag#Globo. Mas onde será que vai estar em 2035?
Posso estar enganado, mas duvido que o Bonner da USP teria escrito em seu plano "ser o apresentador do JN", "Vou ser o substituto do Cid Moreira". Mas vi duas alunas falarem que serão as diretoras de marketing da Disney, outros tantos falarem que vão abrir suas agências, muitos dizerem que querem um emprego seguro, mas uma grande maioria falar que não consegue decidir o que quer para sua vida.
Porém, em todos senti a mesma coisa. Não são mais os colegiais que entraram na universidade com a curiosidade de quem está descobrindo o mundo. Não existe mais aquela coisa de 'agora posso sair da sala sem pedir pro professor'. Todos são profissionais saindo da casca. E aí me bateram aquelas perguntas do começo desse texto. Quando a gente se torna profissional que não percebe?
O César Tralli vai ficar no lugar do Bonner, meus alunos vão entrar no mercado daqui a dois anos e outros sentarão nas mesmas cadeiras, com as mesmas ansiedades. Até eu, num certo momento, vou deixar a função de ensinar e ser substituído por um professor mais jovem.
Como cantava Cazuza: ? o tempo não pára...

Semana passada, foi a vez da Reag sofrer liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central. Agora, o Estadão divulga que o Ministro Haddad deu um ultimato pro Banco de Brasília, o BRB, pra que seja realizado um aporte de quatro bilhões de reais, pra evitar piores consequências. Lógico que o Ministério desmentiu. Mas onde há fumaça...
O banco estatal quase comprou 58% do concorrente, no começo do ano passado. Durante as negociações, assumiu uma carteira de créditos do banco do Vorcaro, no valor de R$ 12 bilhões. Só que de créditos inexistentes. O pior é que entre os pontos da negociação, o Daniel continuaria presidente do Master, além de virar conselheiro do BRB. E, com isso, viraria o mago das finanças brasileiro. Ainda bem que o BC não aprovou a compra. Seria uma cartada de mestre. Virou o começo do fim.
O que me impressiona é como se fala de bilhões de reais como se fosse trocado. Todo mundo que se envolveu nesse escândalo tinha empresa de bilhão. As Lojas Americanas abriram a porta do inferno com suas inconsistências contábeis e a sensação é que todo mundo está tentando bater o recorde dos desvios.
A grande questão que um caso como esse causa é a perda da credibilidade, em geral, no sistema financeiro. Todo fundo, toda corretora, todo banco, hoje é menos confiáveis. E qualquer boato cola mais fácil. Tanto que já tem golpista no mercado criando site pra que os prejudicados pelo Master possam resgatar seus prejuízos no Fundo Garantidor de Crédito. A pessoa entra no site atrás de informações e recebe um vírus de presente, no computador.
Deveremos ter mais sustos nas próximas semanas. O monte de coisa podre ainda não foi remexido o suficiente e deve continuar cheirando esquisito. A minha esperança é que sejam criadas novas regras que evitem a repetição do caso no futuro.
Como dizem, a esperança é a última que morre...

Dois filmes ganhando Globo de Ouro para nosso país, em dois anos consecutivos, mostra uma coisa: ou mudaram os críticos do júri, ou os candidatos brasileiros mudaram sua postura frente aos concursos internacionais. Nesta semana, o meu blog no portal da R7 traz uma tentativa de entender o que aconteceu, com um novo método de abordar as premiações que os produtores dos filmes Ainda estou aqui e O Agente Secreto adotaram.
Fazer sempre igual e esperar um resultado diferente é o jeito mais estranho de esperar bons finais felizes.
Nesses prêmios têm algum aprendizado pra todos nós, que mexemos com marketing...
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Outra, são os confeitos da M&M. Imagine então as duas juntas.
Elas sabem disso. Tanto que, depois de terem inaugurado lojas dentro dos parques de Orlando, agora estão se juntando numa das collabs mais legais que já vi. Os mascotes da M&M vai se vestir de superhoróis da Marvel. O amarelo vai virar Wolverine, o vermelho será o Deadpool, o laranja passa a representar o russo Guardião Vermelho e por aí vai...
Disney comprou a Marvel em 2009 e, desde então, vem colocando sua máquina de fazer dinheiro em favor de retirar ganhar dólar possível das franquias. Os filmes de superheróis passaram a ser os líderes de bilheteria, sempre, e toda oportunidade que têm de aprovar mais um licenciamento é mais uma chance de trazer alguns dólares a mais.
Por outro lado, os mascotes da M&M passaram a ser quase celebridades nos Isteites. Lembra quando eles foram demitidos e substituídos pela comediante Maya Rudolph? E que depois voltaram, a pedido dos consumidores? Só faltava virarem personagens da Disney.
Não falta mais. As novas versões chegam em março, com embalagens e promoções (será que vai ter bichinho de pelúcia? Mentiiiiiiiraaa!!!) antes de embarcarem para outros 65 países. Vai ter superherói pra todo mundo.
Se minha bola de cristal estiver funcionando, o próximo passo é eles se fantasiarem dos personagens clássicos da Disney. Já vejo o marrom vestido de Mickey desfilando na frente do Castelo da Cinderela, que será a verde, de vestido e tudo.
Com tudo isso, Disney e Mars estão a um passo de se fundirem, não é mesmo? Alinhamento é o que não falta...

Por isso, me chamou muito a atenção o banner da instituição na capa da Meio e Mensagem. Ainda mais que a mensagem era "Patrocinador, Direito Autoral também é questão de ESG". O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou me perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra.
Acontece que toda vez que uma música é tocada publicamente, por lei, o compositor e o produtor musical têm o direito de receber um valor. Ou seja, tocou, pagou. Quando você ouve o Spotify, a empresa paga pela execução, ouve no rádio, a emissora paga, vai num bar tomar um chopp, se tem música, o dono paga... mas tudo isso na teoria. Num país de Inconsistências Contábeis e bancos masters, na prática, nem sempre o dinheiro chega nas mão de quem a compôs. Ainda mais que o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição não tem poder de polícia. As empresas pagam por iniciativa própria.
O tema é confuso e a tabela de pagamento é mais ainda. Vai de um valor de R$ 107, num bar pequeno, até quase R$ 150 mil, numa rádio FM de alta potência. Mensalmente.
Aí, pra deixar o assunto mais "simples", a campanha fala de ESG. Chama a atenção do risco que a marca corre ao patrocinar shows que não pagam o ECAD. E sugere que as empresas passem a exigir a comprovação de que a taxa foi recolhida. Longo caminho torto pra tentar aumentar arrecadação. É como se o governo passasse a responsabilidade de cobrar o imposto das empresas para o consumidor. Tipo "você já conferiu se o supermercado pagou todos os impostos?"
Uma das missões da propaganda é deixar fácil o entendimento dos benefícios do produto, ou serviço, a ser adquirido. A função do ECAD não é simples, nem fácil. Mas juntar ESG com direitos autorais só conseguiu me deixar confuso. Talvez o meu Chato de Plantão esteja de mal humor.
Vou ouvir "Evidências" pra acalmar... mas vou perguntar por Spotify se ele pagou o ECAD...
