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Estourou, neste final de semana, a notícia de que Cacau Show tem levado seus franqueados à falência.

02/06/2025
Postado por: Murilo Moreno

Até poucos dias, a empresa de Alê Costa era perfeita, sonho de consumo de quem queria uma franquia. Hoje, é uma presença nociva no mercado de chocolates do Brasil.

Não tenho nenhuma prova de qual lado teria razão, a empresa ou os reclamantes, mas já me posto a favor da Cacau Show. Parece precipitado, mas vou me explicar.

Todas as reclamações que li são parte de qualquer alegação de franqueados que, por alguma razão, não deram certo. Excesso de lojas, taxas abusivas, produtos errados, tudo isso aparece como explicação, quando o lucro some. Independente do segmento.

O caso me lembra a briga judicial que 40 franqueados do McDonalds moveram contra a empresa, no início dos anos 2000. Na época, eram 122 empresários tocando 225 lojas. Um terço deles criou uma associação e foi à justiça alegar que o aluguel que pagavam era abusivo, e que o excesso de pontos era prejudicial. Demorou, mas o caso foi resolvido, com a saída de todos os reclamantes, que acabaram vendendo suas lojas. E hoje, 25 anos depois, a empresa quadruplicou seus pontos de vendas e estão "todos bem, obrigado".

Coincidentemente, os dois movimentos aconteceram após alguma crise. No caso do Méqui, depois da crise de 1999. Com a Cacau, após a pandemia. Em comum, os tempos difíceis fizeram desaparecer as vendas e o dinheiro. Aí, quem já tem ganho pouco em tempos de vacas gordas, passa a perder, quando as bovinas emagrecem. E, como diz o ditado, em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão.

Em favor dos reclamantes, a própria Cacau Show já vem dando entrevistas falando que está próxima ao limite máximo de franquias que poderiam ser abertas. Hoje são 4.661 das possíveis 5.500 que as cidades brasileiras comportariam. Mas ainda faltam quase mil...

Cada franqueado e a empresa querem o mesmo. Ganhar dinheiro vendendo chocolate. Mas o lucro não vem automaticamente. Dá trabalho. Não estou dizendo que não haja esforço, por parte dos reclamantes. Só que isso faz parte do negócio.

Cacau Show está quieta. Demais. Talvez esperando a marola passar. Só precisa se preocupar, pra que a crise não vire um tsunami...

 

Fonte da imagem: ChatGPT

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Postado por: Murilo Moreno
O caso Banco Master não pára de gerar susto após susto.

Semana passada, foi a vez da Reag sofrer liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central. Agora, o Estadão divulga que o Ministro Haddad deu um ultimato pro Banco de Brasília, o BRB, pra que seja realizado um aporte de quatro bilhões de reais, pra evitar piores consequências. Lógico que o Ministério desmentiu. Mas onde há fumaça...

O banco estatal quase comprou 58% do concorrente, no começo do ano passado. Durante as negociações, assumiu uma carteira de créditos do banco do Vorcaro, no valor de R$ 12 bilhões. Só que de créditos inexistentes. O pior é que entre os pontos da negociação, o Daniel continuaria presidente do Master, além de virar conselheiro do BRB. E, com isso, viraria o mago das finanças brasileiro. Ainda bem que o BC não aprovou a compra. Seria uma cartada de mestre. Virou o começo do fim.

O que me impressiona é como se fala de bilhões de reais como se fosse trocado. Todo mundo que se envolveu nesse escândalo tinha empresa de bilhão. As Lojas Americanas abriram a porta do inferno com suas inconsistências contábeis e a sensação é que todo mundo está tentando bater o recorde dos desvios.

A grande questão que um caso como esse causa é a perda da credibilidade, em geral, no sistema financeiro. Todo fundo, toda corretora, todo banco, hoje é menos confiáveis. E qualquer boato cola mais fácil. Tanto que já tem golpista no mercado criando site pra que os prejudicados pelo Master possam resgatar seus prejuízos no Fundo Garantidor de Crédito. A pessoa entra no site atrás de informações e recebe um vírus de presente, no computador.

Deveremos ter mais sustos nas próximas semanas. O monte de coisa podre ainda não foi remexido o suficiente e deve continuar cheirando esquisito. A minha esperança é que sejam criadas novas regras que evitem a repetição do caso no futuro.

Como dizem, a esperança é a última que morre...

 

19/01/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Uma das coisas mais divertidas que conheço é o universo Disney.

Outra, são os confeitos da M&M. Imagine então as duas juntas.

Elas sabem disso. Tanto que, depois de terem inaugurado lojas dentro dos parques de Orlando, agora estão se juntando numa das collabs mais legais que já vi. Os mascotes da M&M vai se vestir de superhoróis da Marvel. O amarelo vai virar Wolverine, o vermelho será o Deadpool, o laranja passa a representar o russo Guardião Vermelho e por aí vai...

Disney comprou a Marvel em 2009 e, desde então, vem colocando sua máquina de fazer dinheiro em favor de retirar ganhar dólar possível das franquias. Os filmes de superheróis passaram a ser os líderes de bilheteria, sempre, e toda oportunidade que têm de aprovar mais um licenciamento é mais uma chance de trazer alguns dólares a mais.

Por outro lado, os mascotes da M&M passaram a ser quase celebridades nos Isteites. Lembra quando eles foram demitidos e substituídos pela comediante Maya Rudolph? E que depois voltaram, a pedido dos consumidores? Só faltava virarem personagens da Disney.

Não falta mais. As novas versões chegam em março, com embalagens e promoções (será que vai ter bichinho de pelúcia? Mentiiiiiiiraaa!!!) antes de embarcarem para outros 65 países. Vai ter superherói pra todo mundo.

Se minha bola de cristal estiver funcionando, o próximo passo é eles se fantasiarem dos personagens clássicos da Disney. Já vejo o marrom vestido de Mickey desfilando na frente do Castelo da Cinderela, que será a verde, de vestido e tudo.

Com tudo isso, Disney e Mars estão a um passo de se fundirem, não é mesmo? Alinhamento é o que não falta...

 

17/01/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Não me lembro, em toda a minha vida, de ter visto uma campanha publicitária do ECAD.

Por isso, me chamou muito a atenção o banner da instituição na capa da Meio e Mensagem. Ainda mais que a mensagem era "Patrocinador, Direito Autoral também é questão de ESG". O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou me perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra.

Acontece que toda vez que uma música é tocada publicamente, por lei, o compositor e o produtor musical têm o direito de receber um valor. Ou seja, tocou, pagou. Quando você ouve o Spotify, a empresa paga pela execução, ouve no rádio, a emissora paga, vai num bar tomar um chopp, se tem música, o dono paga... mas tudo isso na teoria. Num país de Inconsistências Contábeis e bancos masters, na prática, nem sempre o dinheiro chega nas mão de quem a compôs. Ainda mais que o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição não tem poder de polícia. As empresas pagam por iniciativa própria.

O tema é confuso e a tabela de pagamento é mais ainda. Vai de um valor de R$ 107, num bar pequeno, até quase R$ 150 mil, numa rádio FM de alta potência. Mensalmente.

Aí, pra deixar o assunto mais "simples", a campanha fala de ESG. Chama a atenção do risco que a marca corre ao patrocinar shows que não pagam o ECAD. E sugere que as empresas passem a exigir a comprovação de que a taxa foi recolhida. Longo caminho torto pra tentar aumentar arrecadação. É como se o governo passasse a responsabilidade de cobrar o imposto das empresas para o consumidor. Tipo "você já conferiu se o supermercado pagou todos os impostos?"

Uma das missões da propaganda é deixar fácil o entendimento dos benefícios do produto, ou serviço, a ser adquirido. A função do ECAD não é simples, nem fácil. Mas juntar ESG com direitos autorais só conseguiu me deixar confuso. Talvez o meu Chato de Plantão esteja de mal humor.

Vou ouvir "Evidências" pra acalmar... mas vou perguntar por Spotify se ele pagou o ECAD...

 

16/01/2026
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