Agora foi a vez de venderem a preço de banana a grife Versace. U$ 1,4 bilhão. Só nesta semana, a antiga dona, a Capri, deu um desconto extra de 200 milhões de dólares pra Prada fechar o negócio. Agora, se órgãos controladores não se opuserem, a marca volta a ser italiana, depois de sete anos de passaporte americano.
Mas porque foi uma pechincha? Porque em 2018, a Michael Kors pagou U$ 2,1 bilhões pra fundir as empresas e passar a se chamar Capri. O sonho de ser grande no mercado de luxo durou pouco e, com perdas anuais, tentou vender tudo, em 2023, pra Tapestry, dona da Coach e da Kate Spade, mas foi barrada pelo Cade americano. Sem solução, a nova estratégia foi torrar a italiana pra dar foco no empresa original.
Setecentos milhões de dólares é muito dinheiro. Sem considerar os prejuízos no tempo em que tomou conta, é como rasgar 100 milhões por cada ano que durou o sonho de ser grande. E mostra que luxo é um conceito muito diferente para os americanos e os europeus.
Do outro lado, Prada ganha uma moda muito diferente da dela. Ela sempre foi muito discreta e feminina, diferente da Versace, que é super espalhafatosa. Mas, em comum, são empresas que sabem conquistar os verdadeiramente ricos. O pulo do gato vai ser juntar a discrição da Miuccia Prada, maior acionista da empresa que tem seu nome, com a bizarrice da Donatela Versace. Por sorte, as duas são amigas.
O mercado de luxo não é coisa pra amadores. Os motivos pelos quais as pessoas compram uma ou outra marca não são nada objetivos. Esse é o mundo da auto expressão, em que cada produto adquirido é um manifesto para o mundo do que o dono pensa. Talvez por isso, quando olho pra Prada eu me lembre da Rolls Royce. E, na Versace, vejo a nova Jaguar, aquela que no ano passado chocou o mundo com sua nova identidade.
O que a Prada parece estar apostando é que tem gente pra tudo. E, por duzentos milhões a menos, a aposta fica mais fácil.

O comercial nclusive, é meio bobo, como era o varejo da montadora naqueles tempos. Época mais simples? Acho que não. Bem provável que refletisse meu gosto pessoal, rei das piadas sem graça.
Era abril e o Brasil já respirava futebol. O Ronaldo foi escalado, mas haviam dúvidas se ele iria fazer diferença. Na Copa anterior, ele tinha pipocado. Em 2002, além de ser o artilheiro, ainda fez os dois gols que fizeram o Penta vir pra Terra Brasilis. Será que Neymar consegue repetir o Fenômeno?
Muita coisa mudou, desde então. Mas o principal foi a defesa incansável da Fifa de que o nome Copa do Mundo é dela. Um comercial como esse da Fiat, hoje em dia, iria direto pra justiça. Razão pela qual todos agora falam dos países, mas não do campeonato. É o jeito de fugir da federação e ainda assim tirar uma casquinha no desejo do consumidor. Torcer contamina.
Quarta começa a esquecida Copa. Com poucas cores na rua, poucas camisas, poucos gritos de “vai, Brasa!”. Mas basta um jogo em que o Brasil ganhe pra emoção voltar.
Até ontem eu não acreditava na Seleção. A partir de sábado, quando o primeiro jogador brasileiro encostar na bola, sou verde amarelo de coração.
Quem não sabe que a Pepsi está sendo substituída pela Coca-Cola pode até pensar que ela está quebrada. Eu olho e vejo um executivo da antiga fornecedora furioso dizendo: "Nos trocaram? Então para tudo. Não manda mais nada pra eles. E corta a manutenção das nossas máquinas de refill..." Inferno instalado. Coca pode ter ganho o contrato, mas a Pepsi deixou um 'presentinho de grego' pra trás.
Diferentemente de quando você pega uma simples latinha no Carrefour, o processo nos fastfoods é muito mais complexo. Essas máquinas de refill fazem o refrigerante na hora, misturando água encanada com gás carbônico e com o xarope concentrado da sua marca favorita. Por isso que em certos lugares o refri sai aguado. A máquina está desregulada.
Trocar essas verdadeiras fábricas portáteis é uma tarefa difícil. Primeiro, porque você tem que ter mil máquinas disponíveis de bate-pronto. Segundo, que vai precisar mandar um time de instalação em cada uma das lojas, pra mudar o equipamento. Demooooooora...
Pra resolver isso, apelaram pra latinha. E aí, o Bichinho de Marketing que mora dentro de mim me chamou a atenção para um detalhe. É a Coca mais cara de Terra Brasilis! A mesma lata que custa R$ 2,99 no Carrefour, sai por "apenas" R$ 18,90 no BK. Só seis vezes e pouco mais cara. E não é um privilégio deles. No Mequi, um copo de 400 ml sai por R$ 21,00. Ou R$ 18,38 pelos mesmos 350 mil que vêm nas latinhas. Pelos preços, acho que eles estão vendendo a máquina de refill junto...
A gente chega na área de alimentação e nunca pensa na logística por trás de um simples pão com carne e um copo de Coca. Mas, da próxima vez que eu for comer um Whopper, vou trazer minha bebida na mochila...

Parece uma resposta à arquiinimiga. Tudo nele é maior e mais grandioso. Quase que dizendo: vocês tentaram, mas ainda não é desta vez.
As duas empresas estão em momentos completamente opostos. Tudo que a americana faz, tem dado errado. Desde lançar o novo uniforme da Seleção Brasileira, com um canarinho de três pernas, até ver seus uniformes se deformando em campo.
Por outro lado, parece que a alemã acordou com dois pés direitos (posso falar isso, ou vou apanhar?). A marca vem crescendo e seu último feito foi passar a perna na concorrente e conseguir bater o índice da Maratona, colocando dois corredores seus abaixo das duas horas, recorde buscado insistentemente pela Nike.
Só que Copa é Copa. E não faltou dinheiro pra fazer o comercial para marcar o evento. Em nenhuma das duas.
Adidas veio com um vídeo de 5 minutos, contando a história dos heróis do futebol de quintal, aquelas quadras apertadas entre vários prédios. Tem desde Messi até o ator de Duna, Timothée Chalamet, passando por Zidane e Beckham. São dez famosos nos 300 segundos de futebol.
Aí, vem Nike e deixa tudo superlativo. 20 jogadores, artistas e influenciadores em seis minutos, falando "Rasguem o script". O nível sobe. Tem de Vinícius Júnior a Cristiano Ronaldo, passando pelo "Ted Lasso", Lebron James e Kim Kardashian. Todo mundo correndo atrás da bola, sem nenhum sentido a mais.
Tá bom. Virou uma disputa de "O meu é maior". Besteira né. Dia 13, a gente começa a ver quem realmente vai ser a campeã...
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Isso sem contar os anexos. Habitualmente, tenho dormido com o computador aberto, pois o dia tem sido curto pra tanta produção. Nunca tão poucos produziram tanto, em tão pouco tempo. E a razão é fácil de entender. A Inteligência Artificial tem dado uma mãozinha.
É muito claro, num texto, quais partes os alunos se envolveram e quais transferiram a responsabilidade para a IA. O tom, a velocidade, os termos mudam e parece que foram pessoas diferentes, com pensamentos distantes, que fizeram o conteúdo. Lógico que existem trabalhos e trabalhos. Aqueles que merecem uma nota 9 ou 10 continuam sendo brilhantes e se utilizam da IA como apoio e não como decisora.
Cresci num tempo em que as calculadoras entraram na vida dos estudantes. Em que não fazer uma soma de cabeça era um absurdo. Tive aula de como usar uma calculadora científica para fazer cálculos de equações e de trigonometria. E desaprendi muita coisa, porque passei a confiar nessas pequenas máquinas. Mas se o resultado fosse muito absurdo, meu "sentido aranha" saberia.
Posso estar de mau humor, por conta das noites mal dormidas, mas tenho a sensação de que estamos nos acostumando, aos poucos, a delegar as decisões aos Chats GPTs da vida. E isso vai desde saber a qual restaurante ir até como escrever um trabalho que vai definir se você está pronto para o mercado de trabalho ou não.
Em criatividade, 1+1 pode ser qualquer coisa. Em matemática, não. Vai ser sempre dois. O senso crítico precisa ser barreira para saber qual resposta dar. Mesmo que, pra isso, a gente não pareça tão inteligente.
