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Sou fã do João Adibe Marques e do Caito Maia.

02/04/2025
Postado por: Murilo Moreno

Aliás, sou fã de todo empreendedor que mostra que é possível, em Terras Brasilis, lutar contra todas as dificuldades do nosso mercado e ainda assim criar uma empresa de sucesso. Por isso, estou assistindo com interesse todos os capítulos da novela Michael Klein versus o Conselho das Casas Bahia.

Pra entender: depois que o pai do Michel, o Samuel, vendeu a empresa para a antiga dona do GPA, a francesa Casino, as coisas desandaram. De líder, a CB despencou e foi ultrapassada pelo Magalu. Além de perder espaço para empresas de e-commerce, como Amazon e hashtag#MercadoLivre. Casino pulou fora e a empresa voltou a ser independente. Mas aí já era tarde. A situação chegou a tal ponto que Casas Bahia teve de pedir Recuperação Extrajudicial no ano passado.

Michael, que com os demais Kleins, detém mais de 20% da firma, olha, olha e não concorda com as decisões do Conselho Administrativo. Por tudo isso, resolver ir à luta e voltar a dar expediente na empresa. Como acionista, pediu a realização de uma Assembléia Extra, já avisando que a ideia é substituir o presidente do Conselho.

Do lado de lá, a reação foi criar todo tipo de proteção contra uma compra hostil. Criaram a tal da "Poison Pill", aquela regra que obriga o comprador a pagar pra todos os minoritários que quiserem vender as ações. Algo tipo assim "você quer comprar sem eu querer vender? Então tá...vai pagar caro por isso!" Além de proporem aumento pra diretoria e pro próprio Conselho. Tudo pra se reforçarem contra o ataque.

O roteiro parece escrito por um dos autores da Rede Globo. Puro trama... e drama. Enquanto isso, deve estar difícil pra turma do dia a dia ter que tomar decisões. O atual presidente tem feito um bom trabalho em colocar a empresa nos trilhos, tanto que o Michael já avisou que não muda nada na diretoria executiva se, por acaso, voltar. Só que imagine como está a cabeça do povo, vendo os gigantes brigarem.

Vem mais por aí. A nós, reles mortais, só nos cabe esperar pelo final do Jornal Nacional pra assistir mais um capítulo da saga.

 

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Postado por: Murilo Moreno
A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe

A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe: o BYD Dolphin Mini foi o carro mais vendido nas concessionárias em todo o país, neste último mês de fevereiro. A montadora chinesa, rápida como um coelho, já colocou campanha no ar, espalhando a novidade nos quatro cantos. Só que nem ela entendeu direito o que tudo isso significa.

O Dolphin Mini é, ao mesmo tempo, o primeiro carro elétrico a chegar na liderança de vendas, e, principalmente, a primeira vez que um modelo chinês chega ao topo do ranking em Terra Brasilis. É bom lembrar que essa posição é relativa.

Quando somamos as vendas nas lojas com as vendas diretas, o Dolphin cai para o décimo lugar. Considerando que muitas vendas diretas são realizadas no show-room, é bem provável que o Volkswagen Tera continue sendo o carro mais vendido para o consumidor final. Mas até explicar que focinho de porco não é tomada, já deu tempo de comemorar esse gol de impedimento. E no mercado automotivo não existe VAR.

Se a luz de alerta das montadoras tradicionais estava no amarelo, a partir de agora está mais do que vermelha, está roxa. A BYD, em três anos, saiu de uma ilustre desconhecida para ser uma marca presente em todos os cantos. A velocidade com que construiu sua rede de 270 lojas é impressionante, e o preço do Dolphin Mini, R$107.000, é de carro popular. E olha que eles ainda nem fabricam direito do Brasil.

BYD é uma empresa não ortodoxa. Tudo que faz é fora do comum. Boris Feldman, um dos maiores jornalistas automotivos do Brasil, está sendo processado pela montadora porque afirmou que a empresa está mentindo quando diz que fabrica no Brasil. Como diz um presidente brasileiro, nunca na história desse país um jornalista foi processado por uma montadora. A questão é que a BYD matou a cobra, mas não mostrou o pau.

Em janeiro de 1995, o Fiat Tipo foi o carro mais vendido em nosso país. Era 100% importado, numa época que os impostos eram baixos. A liderança não durou nem dois meses, mas ajudou a montadora mineira (ou seria italiana?) a começar seu caminho para a liderança total do mercado. A chinesa lembra a mineira (ou seria italiana?) na sua velocidade de reação no mercado. Parecem tubarões à busca de empresas... sentem o cheiro de sangue de longe. Talvez seja essa a briga que vamos ver nos próximos meses. A tradicional Fiat versus a inovadora BYD.

De todo modo, essa liderança light do Dolphin Mini indica que o consumidor não tem mais medo do carro chinês, muito menos do carro elétrico. Pra quem é do mercado automotivo, 2026 promete mais emoções nos próximos meses. Seguuuuuuura coração!

 

05/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Saiu o ranking de PIB mundial, feito pelo FMI e, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil caiu novamente.

Do décimo, para o décimo primeiro. A explicação é linda: não fomos nós que caímos, foi a Rússia que subiu, por causa dos 40% de valorização do rublo. Tanto que o Canadá também foi atropelado.

Ufa! Agora posso respirar mais tranquilo... Fizemos a nossa parte... Pena que daqui a um ano ninguém se lembrará mais desse detalhe. Apenas que o Brasil caiu. É como aquele gol de mão do time adversário que faz o nosso perder o campeonato. Explica, no momento, mas depois cai no esquecimento pra maioria. Só a gente que lembra.

O Brasil sempre está rondando entre o 7º e o 14º lugares, desde o Plano Real, em 1994. É uma variação grande, mas fácil de entender porque, tirando os sete primeiro lugares, os países têm um PIB muito parecido até o 15º. São trilhões de dólares, ainda assim, muito próximos. Qualquer piscadela e você é ultrapassado. TIpo Fórmula Um.

Assusta mais a leitura que a Austin Rating fez dos dados do FMI. Entre 60 países fomos o 39º em crescimento no último trimestre de 2025. Só 0,1%, ou seja, quase nada. E aqui não conta a valorização do dinheiro russo. Somos nós contra nós mesmos.

Enquanto isso, Índia continua a briga contra o Japão para passar a ser a quarta economia do mundo. E a China perde espaço para os Isteites. Os asiáticos fazem muito barulho, mas cresceram menos do que os americanos desde o fim da Covid. Talvez ajudado pelas blindagens que os dois últimos presidentes fizeram contra a invasão vermelha.

O PIB mundial continua concentrado. Os sete mais ricos respondem por 80% da riqueza total. Somos um pouco mais de 2%. E não podemos esquecer que, em 1994, China e Brasil tinham o mesmo peso. Em trinta anos, eles abriram os olhos, nós olhamos pro lado.

Agora é torcer pela desvalorização do dinheiro alheio. Quem sabe assim a gente não sobe mais rápido no ano que vem?

 

04/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
No final de toda a negociação para a compra da Warner, o grande vencedor não foi a Paramount.

Foi o ultra-bem-pago executivo David Zaslav. Ele é o atual rei da polêmica no mundo do entretenimento, mas com o resultado da venda deve virar o queridinho de dez entre dez investidores americanos.

Acontece que ele foi o cérebro por trás da compra da Warner pela Discovery, em 2022. Ele fez a transação com as ações valendo 25 dólares. Como o Edward Mãos de Tesoura, Zaslav saiu cortando tudo quanto é tipo de custo, lançou filme no cinema ao mesmo tempo que no streaming, o que deixou Hollywood fula da vida, matou a marca HBO, ressuscitou a marca HBO, colocou nas ruas filme de sucesso, como Barbie, flopou com outros, e conseguiu o feito de jogar as ações no fundo do poço, valendo somente 13 dólares.

Mas como diz a filósofa Adriane Galisteu, "não se preocupe, pois no fundo do poço do elevador tem uma mola". E Zaslav parece concordar, pois além de recuperar o valor das ações, a negociação que ele fez com a Paramount, dos U$ 108 bilhões, significa levar a ação para o patamar de 31 dólares. Por todo ângulo que você olhe, o resultado final é super positivo.

Nessa história toda, o que mais me impressiona é a força da marca Warner. Esse estúdio de cinema, que foi fundado em 1923, já teve todos os motivos pra morrer. Só que é gato de sete vidas. Já foi da hTime, foi da America OnLine, da ATT, e estava nas mãos da Discovery. Onde encosta, as empresas perdem dinheiro. Mas ela continua forte. Estou esperando o anuncio oficial do nome da nova empresa, pra saber se finalmente Warner vai ser só uma divisão, ou se a Paramount vai ganhar sobrenome.

No final, Netflix perdeu a luta e sai com o prêmio de consolação de U$ 2,8 bilhões, que vai receber da Warner pela quebra de contrato. O negócio estava fechado em dezembro, quando a Paramount colocou água no acordo. O dinheiro da multa sai da conta da compradora direto pra perdedora. Só não deve ser PIX...

Só uma coisa tenho certeza. Ganhador, ganhador mesmo, que sai feliz de toda essa bagunça, é o agora ainda mais rico David Zaslav.

 

03/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Agora que fechou o ano de 2025 e que os resultados se consolidaram, Ypê lança uma campanha do seu sabão em pó Tixan para comemorar sua liderança de mercado.

Foi só o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim bater os olhos nessa notícia para ele ficar completamente indócil. "Como assim, Omo não é mais líder de mercado? Só pode ser fake news..."

A campanha traz um novo slogan, "Boas histórias com você" e um novo hashtag#posicionamento, "A melhor performance de lavagem de roupas é aquela que permite a minha melhor performance na vida.” É um pouco na linha do sabão que ajuda sua vida a ser mais fácil. Quase um "Se sujar faz bem", que a concorrente usa há mais de 20 anos, e que evoluiu ano passado para "Bota sua roupa pra jogo porque se sujar faz bem".

Omo é a marca Top of Top desde que a Folha começou a fazer a pesquisa Top of Mind. 33 anos como a mais lembrada pelos brasileiros. É muita coisa. A sensação que se tem, vendo os movimentos de mercado, é que Unilever tirou o pé do sabão em pó e passou a focar o sabão líquido, que dá mais dinheiro e que cresce mais rapidamente do que a versão antiga. Isso porque quase todas as últimas campanhas mostram sempre somente as embalagens plásticas, como a que o Bel Marques fez no carnaval.

Por outro lado, Ypê sempre focou na dupla preço-benefício, um jeito simpático de dizer que um produto é mais barato. Numa rápida olhada no e-commerce, a diferença chega a ser de 25%, com Omo custando R$ 16,00 contra R$ 12,00 de Tixan. Mas não credite a liderança somente ao preço. A empresa tem feito um bom trabalho de construção de imagem e Ypê é reconhecida, também no Top of Mind, como líder em sustentabilidade. Fora que, preço por preço, Unilever poderia combater a concorrente, colocando na briga marcas como Brilhante, Surf ou Ala. Tá levando um baile porque quer...

De todo modo, é muito interessante ver uma empresa 100% brasileira fazendo frente a uma multinacional tão poderosa. O ano mal começou e Tixan tem ainda muitos rounds à frente pra se consolidar no alto do pódio. Pra quem entrou no mercado há apenas 24 anos, passar a eterna líder é um feito e tanto.

 

02/03/2026
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