Uma vez por ano, a gente reúne um grupo de empresários e executivos para discutir o cenário do mercado automotivo, numa perspectiva, obrigatoriamente, fora do automático. Petit comitê, 14 pessoas. Não é para ser grande, para conseguirmos fazer networking e todos participarem das conversas. Tudo regado a vinho e uma boa comida.
Como não podia deixar de ser, dois temas monopolizaram a noite: o novo governo de Donald Trump e o rolo compressor chinês.
Trump foi uma unanimidade. Ninguém entende a linha de conduta dele. Aliás, todo mundo entende. É o presidente do "Make America Great Again". Se tem um interesse a ser colocado à frente em suas decisões, é o dos americanos-raiz. Como disse o Murillo Di Cicco, MBA, Eng., head comercial do Grupo ABG, o famoso redneck, que dirige seus impalas e tem um certo preconceito contra as marcas japonesas já instaladas nos Isteites. É o cara do interiorzão, que vê qualquer estrangeiro como uma ameaça ao Way-of-life.
O presidente entende quem o elegeu e trabalha a seu favor. Mas a taxação de 25% dos carros importados que anunciou é um prenúncio de inflação no país. Mesmo as montadoras americanas dependem da importação para manter suas vendas. E o anúncio de fechar 8 mil carregadores elétricos que o próprio governo tem, como forma de incentivar o motor a combustão (ou desincentivar o elétrico) vai contra os interesses do seu assessor direto, o dono da Tesla.
É o primeiro ano de quatro, ainda tem muita água pra passar debaixo da ponte.
Por outro lado, eletrificar o mundo é uma decisão governamental do Estado Chinês, de muitos anos atrás. Estamos assistindo, talvez, a luta do velho contra o novo. E como lembrou o Felipe Amaral de Souza, head comercial da Omoda | Jaecoo Brasil, estamos todos confundindo tecnologia com o produto. Todos pensamos no carro elétrico como uma mudança rápida e radical. Mas a hashtag#tecnologia avança numa velocidade maior do que a capacidade de adequarmos o mundo ao nosso redor.
Bem provável que o elétrico seja o futuro. Em 2050. No longuíssimo prazo, a combustão deve sumir. Mas ainda tem muita gasolina e álcool pra queimar até lá. E até lá, essa briga de gato e rato deve continuar...
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Semana passada, foi a vez da Reag sofrer liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central. Agora, o Estadão divulga que o Ministro Haddad deu um ultimato pro Banco de Brasília, o BRB, pra que seja realizado um aporte de quatro bilhões de reais, pra evitar piores consequências. Lógico que o Ministério desmentiu. Mas onde há fumaça...
O banco estatal quase comprou 58% do concorrente, no começo do ano passado. Durante as negociações, assumiu uma carteira de créditos do banco do Vorcaro, no valor de R$ 12 bilhões. Só que de créditos inexistentes. O pior é que entre os pontos da negociação, o Daniel continuaria presidente do Master, além de virar conselheiro do BRB. E, com isso, viraria o mago das finanças brasileiro. Ainda bem que o BC não aprovou a compra. Seria uma cartada de mestre. Virou o começo do fim.
O que me impressiona é como se fala de bilhões de reais como se fosse trocado. Todo mundo que se envolveu nesse escândalo tinha empresa de bilhão. As Lojas Americanas abriram a porta do inferno com suas inconsistências contábeis e a sensação é que todo mundo está tentando bater o recorde dos desvios.
A grande questão que um caso como esse causa é a perda da credibilidade, em geral, no sistema financeiro. Todo fundo, toda corretora, todo banco, hoje é menos confiáveis. E qualquer boato cola mais fácil. Tanto que já tem golpista no mercado criando site pra que os prejudicados pelo Master possam resgatar seus prejuízos no Fundo Garantidor de Crédito. A pessoa entra no site atrás de informações e recebe um vírus de presente, no computador.
Deveremos ter mais sustos nas próximas semanas. O monte de coisa podre ainda não foi remexido o suficiente e deve continuar cheirando esquisito. A minha esperança é que sejam criadas novas regras que evitem a repetição do caso no futuro.
Como dizem, a esperança é a última que morre...

Dois filmes ganhando Globo de Ouro para nosso país, em dois anos consecutivos, mostra uma coisa: ou mudaram os críticos do júri, ou os candidatos brasileiros mudaram sua postura frente aos concursos internacionais. Nesta semana, o meu blog no portal da R7 traz uma tentativa de entender o que aconteceu, com um novo método de abordar as premiações que os produtores dos filmes Ainda estou aqui e O Agente Secreto adotaram.
Fazer sempre igual e esperar um resultado diferente é o jeito mais estranho de esperar bons finais felizes.
Nesses prêmios têm algum aprendizado pra todos nós, que mexemos com marketing...
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Outra, são os confeitos da M&M. Imagine então as duas juntas.
Elas sabem disso. Tanto que, depois de terem inaugurado lojas dentro dos parques de Orlando, agora estão se juntando numa das collabs mais legais que já vi. Os mascotes da M&M vai se vestir de superhoróis da Marvel. O amarelo vai virar Wolverine, o vermelho será o Deadpool, o laranja passa a representar o russo Guardião Vermelho e por aí vai...
Disney comprou a Marvel em 2009 e, desde então, vem colocando sua máquina de fazer dinheiro em favor de retirar ganhar dólar possível das franquias. Os filmes de superheróis passaram a ser os líderes de bilheteria, sempre, e toda oportunidade que têm de aprovar mais um licenciamento é mais uma chance de trazer alguns dólares a mais.
Por outro lado, os mascotes da M&M passaram a ser quase celebridades nos Isteites. Lembra quando eles foram demitidos e substituídos pela comediante Maya Rudolph? E que depois voltaram, a pedido dos consumidores? Só faltava virarem personagens da Disney.
Não falta mais. As novas versões chegam em março, com embalagens e promoções (será que vai ter bichinho de pelúcia? Mentiiiiiiiraaa!!!) antes de embarcarem para outros 65 países. Vai ter superherói pra todo mundo.
Se minha bola de cristal estiver funcionando, o próximo passo é eles se fantasiarem dos personagens clássicos da Disney. Já vejo o marrom vestido de Mickey desfilando na frente do Castelo da Cinderela, que será a verde, de vestido e tudo.
Com tudo isso, Disney e Mars estão a um passo de se fundirem, não é mesmo? Alinhamento é o que não falta...

Por isso, me chamou muito a atenção o banner da instituição na capa da Meio e Mensagem. Ainda mais que a mensagem era "Patrocinador, Direito Autoral também é questão de ESG". O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficou me perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra.
Acontece que toda vez que uma música é tocada publicamente, por lei, o compositor e o produtor musical têm o direito de receber um valor. Ou seja, tocou, pagou. Quando você ouve o Spotify, a empresa paga pela execução, ouve no rádio, a emissora paga, vai num bar tomar um chopp, se tem música, o dono paga... mas tudo isso na teoria. Num país de Inconsistências Contábeis e bancos masters, na prática, nem sempre o dinheiro chega nas mão de quem a compôs. Ainda mais que o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição não tem poder de polícia. As empresas pagam por iniciativa própria.
O tema é confuso e a tabela de pagamento é mais ainda. Vai de um valor de R$ 107, num bar pequeno, até quase R$ 150 mil, numa rádio FM de alta potência. Mensalmente.
Aí, pra deixar o assunto mais "simples", a campanha fala de ESG. Chama a atenção do risco que a marca corre ao patrocinar shows que não pagam o ECAD. E sugere que as empresas passem a exigir a comprovação de que a taxa foi recolhida. Longo caminho torto pra tentar aumentar arrecadação. É como se o governo passasse a responsabilidade de cobrar o imposto das empresas para o consumidor. Tipo "você já conferiu se o supermercado pagou todos os impostos?"
Uma das missões da propaganda é deixar fácil o entendimento dos benefícios do produto, ou serviço, a ser adquirido. A função do ECAD não é simples, nem fácil. Mas juntar ESG com direitos autorais só conseguiu me deixar confuso. Talvez o meu Chato de Plantão esteja de mal humor.
Vou ouvir "Evidências" pra acalmar... mas vou perguntar por Spotify se ele pagou o ECAD...
