Voltar

Quem trabalha no mercado automotivo conhece a expressão "dar uma pedalada".

21/02/2025
Postado por: Murilo Moreno

Isso significa o concessionário que pega o dinheiro da venda de uma loja e, ao invés de pagar a montadora, compra outra loja. Com o dinheiro das duas, compra uma terceira. Ele sempre está considerando que a venda futura vai permitir pagar a dívida. E vai comprando e pedalando as contas até que chega uma crise e fica impossível continuar nessa toada. A bicicleta, quer dizer, a empresa perde velocidade, os boletos vencem e ai vem o tombo. Parece que o St Marche parou de pedalar. E a queda está próxima de acontecer.

Se você não é de SP, talvez não conheça essa rede de supermercados. Mas ela é direcionada a satisfazer as classes A e B, com um atendimento e suprimento espetaculares. São 31 lojas e, de lambuja, ainda duas do Empório Santa Maria, essas sim direcionadas para a classe "A gargalhada".

Acontece que quase um terço dessas lojas foi aberta nos últimos 24 meses. St Marche estava mirando um IPO, aquela oferta inicial de ações, que iria injetar dinheiro novo e ajudar a pagar as dívidas do crescimento. Com as Inconsistências Contábeis das Americanas, o mercado piorou, o dinheiro dos bancos sumiu e a bicicleta perdeu velocidade. O IPO não veio e os bancos começaram a pressionar. Estão pedindo o pagamento antecipado de R$ 639 milhões de empréstimos.

St Marche recorreu a Recuperação Extrajudicial e o juiz deu 60 dias pra todos sentarem numa mesa e renegociar. Se não der certo, os próximos passos são os bancos pedirem a falência. E o super correr atrás de uma recuperação judicial.

Mas se emprestaram, por que agora querem receber antecipadamente? Porque existe uma regra, chamada "covenants" que limita o tamanho da dívida que uma empresa pode assumir. Se passar desse limite, o banco considera que a empresa não vai ter condições de pagar as prestações e já pede todo o dinheiro de volta. Uma espécie de segurança.

St Marche já passou desse ponto. E se vermos as notícias, eles têm razão de ficarem preocupados. De acordo com as notícias, mês passado, a rede faturou R$ 94 milhões e gastou R$ 103, 60 dos quais pagando os empréstimos. Ficou no negativo, pois a velocidade dos custos está maior do que o das vendas. A bicicleta está balançando...

Nas lojas, um carrinho de compras comparando os preços do St Marche com o Pão de Açucar mostra a que ponto chegou a empresa. Falar com o consumidor classe A que ele vai economizar alguns poucos reais na compra do mês é demonstrar o desespero de aumentar o faturamento. A solução está no encantamento, não no preço. Mas a pressão por pedalar mais forte faz o foco mudar de endereço.

A bicicleta continua equilibrada. As próximas pedalas vão definir o futuro: alguns quilômetros a mais ou uma queda forte. Depende agora da força de quem está pedalando...

Leia também
Ler artigo
Postado por: Murilo Moreno
Roubaram o iPhone da minha esposa.

Numa esquina de SP, motoqueiro levou o aparelho. Simples assim. Em pleno sol do dia, num cruzamento movimentado, o ladrão fugiu, escondido pelo capacete.

Passado o susto, hora de ligar pros bancos e bloquear as contas. Sobrou pra mim ligar para a operadora do celular, já que o plano é corporativo. Disco o número da empresa e caio numa URA, aqueles atendimentos robóticos de opções longas e que já foram proibido por lei. Disco CNPJ, clico o nove e me atende um ser que, depois de ouvir meu caso, me diz "Aqui é só atendimento de pessoa física. O telefone de linhas corporativas é outro." Pergunto porque então disquei o CNPJ da empresa, se isso não direciona pro lugar certo. Ele me deixa no ar, simplesmente desligando na minha cara.

Ligo pro "número certo". Depois de lidar novamente com uma loooooonga URA, a atendente me explica que aquele número é para pendências financeiras e me manda ligar novamente pro telefone inicial. Nervoso com esse vai e vem, faço mais uma ligação pro número inicial. Nova espera na linha, depois de uma loooooooooooooonga URA, e outra vez, mais um atendente fala que estou no lugar errado. "Eu só atendo pessoa física, vou lhe transferir para a área de pessoa jurídica."

Pergunto porque estou sendo transferido de telefone pra telefone, de atendente para atendente. A única coisa que recebo de resposta é uma musiquinha de espera, no meio da minha frase. Enquanto isso, só consigo pensar no ladrão entrando nas contas da Bella e tirando o dinheiro. A operadora parece ajudar o amigo do alheio, me enrolando e demorando a resolver meu problema.

Finalmente bloqueio a linha , 28 minutos depois da primeira tentativa. Uma hora depois, meu whatsapp chama e é da operadora. A mensagem me diz que preciso fazer alguns ajustes, pra que minhas linhas funcionem adequadamente. Chamo a atendente, que me diz que tem uma mega oferta pra mim, pra eu renovar o "contrato de fidelidade". Pergunto se ela vai resolver meu problema de roubo. Ela nem se dá ao luxo de tentar entender meu problema. "Sou da área de vendas, isso é em outro telefone..."

Engraçado. Quando chega o boleto pra pagar, não recebo mais de um, separados por áreas. Talvez seja a hora de eu trocar de empresa...

 

17/04/2026
Ler artigo
Postado por: Murilo Moreno
Sempre falo pros meus alunos da ESPM que eles precisam conhecer o cliente pra quem estão trabalhando.

Não a empresa, mas a pessoa, pois quando se muda um diretor de marketing, muda-se também o estilo de aprovação de novos comerciais. Diria que foi isso que aconteceu no Itaú.

Meio do ano passado, Juliana Cury assumiu a cadeira mais poderosa da propaganda brasileira, substituindo o eterno Eduardo Tracanella. Todo novo xerife demora um tempo pra colocar seu estilo. Mas coloca. A campanha da Copa do Mundo, que estreiou esta semana, com direito a Ronaldinho, Alcaraz, Rebeca Andrade e a menininha da "Ispelansa", traz um novo jeitão.

Sai o tom institucional, do banco sério e competente, entra o humor, alegre e leve. Mas não se engane. Não é comédia. É bom humor. A ponto dos torcedores cantarem o antigo hino da Copa do Itaú (mostra tua força Brasil...) e o motorista comentar: "Essa é melhor não, ein?". Quase um "Sai pra lá Urucubaca!"

Talvez seja esse tom que o maior banco privado brasileiro, em receita, precise pra enfrentar o maior banco privado brasileiro, em correntistas, o Nubank. Itaú passou por uma cirurgia plástica na publicidade e parece mais jovem. Precisa dessa mudança urgentemente, pra continuar atraindo novos, e polpudos, consumidores.

Lógico que uma andorinha só não faz verão e precisamos esperar os próximos comerciais pra entender se a linha de comunicação mudou ou se foi apenas um comercial de ocasião. Mas que chegou nova xerife na área, ah! isso chegou...

 

16/04/2026
Ler artigo
Postado por: Murilo Moreno
Que tal você testar o novo Kicks e acabar de uma vez por todas com esse seu preconceito contra motores 1.0?

O convite partiu do Rogério Louro, diretor de comunicação da Nissan, depois dele ler minha avaliação do VW Tera. Mais do que depressa, topei.

Falar da japonesa pra mim é difícil, pois trabalhei por lá durante quase cinco anos, quando, meus colegas e eu, levamos a montadora do 12º para o 6º lugar em vendas. Bastou uma canetada nas leis para ela despencar, pressionada pelos novos impostos, criados para parar marcas como Jac e Nissan.

O engraçado é que o mundo automotivo parece ser cíclico e estamos vendo, agora, novas discussões sobre como segurar a invasão chinesa. Na semana passada, quase que ao mesmo tempo, BYD e Stellantis colocaram mais lenha na fogueira dessa discussão. O VP da chinesa, Alexandre Baldy, chamou a atenção para a tomada da liderança por sua empresa, quando se consideram somente as vendas no show room. À frente da VW e da Fiat.

Coincidentemente, Antonio Filosa, CEO mundial da Stellantis, falou pra imprensa sobre a necessidade de se criar "mecanismos de equalização" frente às chinesas, para se manter a competitividade das montadoras tradicionais. Convocou o Governo brasileiro para o baile, quando cita que o sucesso vermelho é resultado de um planejamento "Governo + Montadoras", feito há 20 anos.

Chineses pra todo lado, tradicionais brigando pra manter mercado... e eu, rodando de Kicks pelas ruas de São Paulo.

Lógico que vou falar do motor daqui a alguns dias, mas já deu pra perceber que a tecnologia vai acabar me convencendo. Só digo o seguinte: Todo mundo que olha, se espanta com a beleza do carro. Com seu desenho quadradão, parece ser maior e mais imponente do que é. E diversas pessoas me pararam pra perguntar que carro era. No meio de tanta marca e modelo novo na rua, Nissan tem que fazer um esforço monstruoso pra ser notada.

O mercado está em ebulição e eu testando o Kicks. Nada poderia deixar mais feliz o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim..

 

13/04/2026
Desenvolvido por A9 Comunicação.